Terapia nutricional enteral (parte 1)

Terapia nutricional enteral (parte 1)

Terapia Nutricional Enteral

Introdução à Nutrição Enteral

  • A nutrição enteral é um conjunto de procedimentos terapêuticos para manutenção ou recuperação do estado nutricional, utilizando a alimentação por sonda.
  • Definição pela ANVISA: alimentos para fins especiais com ingestão controlada de nutrientes, formulados para uso via oral ou por sonda.

Composição e Vantagens da Nutrição Enteral

  • Fórmulas de nutrição enteral incluem proteínas, carboidratos, lipídios, fibras, eletrólitos, vitaminas e minerais.
  • A nutrição enteral não exclui a alimentação oral; pacientes podem receber ambas as vias simultaneamente.
  • É recomendada a introdução precoce da terapia em pacientes críticos dentro de 48 horas após admissão na UTI, desde que estejam estáveis hemodinamicamente.

Comparação com Nutrição Parenteral

  • A nutrição enteral é mais fisiológica que a parenteral, pois se aproxima da alimentação natural e ajuda na modulação do sistema imunológico e manutenção da microbiota intestinal.
  • Estudos indicam que a nutrição enteral pode reduzir infecções e o risco de hiperalimentação é menor em comparação à parenteral.

Monitoramento Durante a Terapia

  • Início com volumes baixos (10 a 20 ml/hora), aumentando conforme necessário; monitoramento deve ocorrer a cada 6 horas para detectar complicações como intolerância gastrointestinal (vômitos, distensão abdominal).
  • Ruídos hidroaéreos devem ser avaliados usando estetoscópio; ausência desses ruídos indica problemas no trato gastrointestinal e contraindica o uso da nutrição enteral.

Importância do Algoritmo na Prática Clínica

  • Um algoritmo pode ajudar na compreensão e aplicação prática da nutrição enteral precoce em ambientes clínicos. []

Nutrição Enteral Precoce em Pacientes na UTI

Considerações Iniciais sobre Nutrição Enteral

  • A nutrição enteral deve ser considerada para pacientes admitidos na UTI, avaliando se o trato gastrointestinal pode receber nutrientes.
  • Se o trato gastrointestinal não puder receber alimentos, o paciente deve ser alimentado por via parenteral, desde que esteja estável hemodinamicamente.

Início da Nutrição Enteral

  • Caso o paciente esteja estável e apto a receber nutrição enteral, é importante definir a via de administração (gástrica ou pós-pilórica).
  • O uso de procinéticos como metoclopramida ou eritromicina pode ser considerado para melhorar a taxa de esvaziamento gástrico em pacientes com risco elevado de aspiração.

Metas Nutricionais

  • O objetivo é que o paciente atinja pelo menos 80% das suas necessidades calóricas e proteicas em até 72 horas após a admissão na UTI.
  • Se as necessidades nutricionais não forem atendidas pela nutrição enteral, deve-se considerar a alimentação parenteral concomitante e reavaliar diariamente.

Indicações para Nutrição Enteral

  • A nutrição enteral é indicada quando o trato digestivo do paciente está total ou parcialmente funcional.
  • Pacientes que não atingem pelo menos 60% das suas necessidades nutricionais por via oral também são candidatos à nutrição enteral.

Contraindicações à Nutrição Enteral

  • Contraindicações incluem condições onde o trato gastrointestinal não funciona adequadamente, como hemorragias gastrintestinais severas ou refluxo gastroesofágico intenso.
  • Outras contraindicações incluem íleo adinâmico, vômitos graves e fístulas de alto débito.

Nutrição Enteral: Indicações e Contraindicações

Condições que Impedem o Uso do Trato Gastrointestinal

  • Pacientes com colite severa apresentam inflamação do trato digestivo, afetando tanto o intestino delgado quanto o cólon, podendo levar a complicações como peritonite severa ou pancreatite aguda grave.
  • Existem contraindicações temporárias para nutrição enteral; se um paciente não puder usar o trato gastrointestinal, ele deve ser alimentado por via oral assim que a condição for corrigida.

Expectativa de Uso da Nutrição Enteral

  • A expectativa de uso da terapia enteral deve ser inferior a 5 a 7 dias para pacientes desnutridos e 7 a 9 dias para bem nutridos; em casos mais longos, recomenda-se alimentação oral.
  • A responsabilidade pela indicação da terapia nutricional enteral é do médico, que também determina a melhor via de acesso.

Papel dos Profissionais na Nutrição Enteral

  • O médico acompanha os pacientes em nutrição enteral, enquanto o nutricionista realiza operações relacionadas à prescrição dietética e composição das dietas.
  • O nutricionista orienta sobre a preparação da nutrição enteral caso o paciente receba alta e continue em casa.

Vias de Acesso para Nutrição Enteral

  • As vias de acesso podem incluir sonda nasogástrica, sonda nasoenteral (duodenal ou jejunal), faringostomia, gastrostomia e jejunostomia.
  • A sonda nasogástrica é introduzida pelo nariz até o estômago; já as sondas nasoentéricas são posicionadas no duodeno ou jejuno quando há risco de aspiração.

Considerações sobre Posicionamento das Sondas

  • Jejunostomia é indicada para pacientes com alto risco de aspiração ou funções gástricas prejudicadas; faringostomia pode ser usada em cirurgias específicas.
  • Sondas nasais são recomendadas para nutrição enteral por curto período (até quatro semanas); gastrostomias são indicadas para períodos superiores.

Fatores na Escolha da Via de Acesso

  • O local final das sondas influencia na escolha entre acesso gástrico ou pós-pilórico; isso é crucial especialmente se houver risco de aspiração.
  • Pacientes inconscientes ou com distúrbios de deglutição devem ter sondas posicionadas preferencialmente na região pós-pilórica.

Nutrição Enteral: Vantagens e Desvantagens do Posicionamento da Sonda

Opções de Fórmulas Nutricionais

  • A nutrição enteral pode incluir fórmulas intactas, hiperosmolares ou hiposmolares, permitindo um maior volume de dieta devido à dilatação do estômago.
  • O posicionamento da sonda na localização pós-pilórica reduz o risco de aspiração do conteúdo alimentar e diminui a chance de saída acidental da sonda.

Benefícios do Posicionamento Pós-Pilórico

  • Pacientes que não podem receber alimentação enteral na região gástrica ainda têm a opção de nutrição enteral no posicionamento pós-pilórico, evitando a necessidade imediata de nutrição parenteral.
  • Apesar das vantagens, o posicionamento gástrico apresenta riscos maiores de aspiração, especialmente em pacientes com dificuldades neuromotoras ou deglutição.

Riscos Associados ao Posicionamento Gástrico

  • Pacientes com motilidade gástrica alterada correm risco elevado de aspiração e deslocamento acidental da sonda durante episódios como tosse ou vômitos.
  • No entanto, o posicionamento pós-pilórico limita as opções dietéticas disponíveis, favorecendo dietas normais em vez de hiperosmolares.

Diretrizes para Administração da Nutrição Enteral

  • As diretrizes brasileiras recomendam que a nutrição enteral na posição pós-pilórica seja utilizada apenas para pacientes com alto risco de aspiração ou intolerância à dieta gástrica.
  • A avaliação do risco deve ser individualizada, considerando condições clínicas específicas como idade avançada ou presença de refluxo gastroesofágico.

Tipos de Sistemas para Dieta Enteral

  • Existem dois tipos principais: sistema aberto (requere manipulação prévia antes da administração) e sistema fechado (pronto para uso).
  • O sistema aberto é mais comum em domicílio e requer cuidados adicionais para evitar contaminações durante a manipulação das fórmulas.

Administração da Dieta Enteral

Introdução à Dieta Enteral

  • A dieta enteral é administrada através de um equipo conectado a um frasco, que por sua vez se conecta à sonda do paciente.
  • O sistema aberto permite a administração intermitente da dieta, semelhante à alimentação habitual, proporcionando maior locomoção ao paciente.

Métodos de Administração Intermitente

  • Existem duas formas de administração intermitente: por bolos ou gravitacional. A primeira utiliza uma seringa para aspirar e administrar a dieta.
  • Após a administração da dieta, é crucial irrigar a sonda com água potável para evitar obstruções.

Detalhes sobre o Método Gravitacional

  • Na administração gravitacional, a dieta é fornecida por gotejamento através de um frasco descartável conectado ao equipo.
  • É importante regular a velocidade da infusão abrindo lentamente a pinça do equipo.

Cuidados na Administração

  • O frasco não deve permanecer conectado ao equipo e à sonda por mais de 6 horas para minimizar o risco de contaminação.
  • A irrigação da sonda deve ocorrer antes e depois da alimentação enteral para garantir limpeza adequada.

Sistema Fechado vs. Sistema Aberto

  • No sistema fechado, não há manipulação da dieta; ela vem em uma bolsa pronta para uso.
  • A administração no sistema fechado ocorre continuamente, podendo ser programada via bomba de infusão durante 24 horas ou em intervalos menores.

Conclusão sobre Práticas Nutricionais

  • O uso do sistema fechado reduz o risco de contaminação devido à ausência de manipulação manual.
  • Para o sistema fechado, são necessários equipamentos específicos como bomba de infusão e equipe apropriada.
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Videoaula sobre terapia nutricional enteral (parte introdutória do assunto).