RODA VIVA | JOSÉ SALOMÃO SCHWARTZMAN | 06/04/2026
Introdução ao Tema do Autismo
Apresentação do Programa e Convidado
- O programa Roda Viva, transmitido pela TV Cultura, aborda o tema do autismo com o especialista Dr. José Salomão Schwartzman, um neuropediatra renomado no Brasil.
- Dr. Schwartzman possui mais de 60 anos de experiência médica e é autor de diversos livros que desmistificam doenças neurológicas para o público leigo.
Contexto sobre o Autismo
- O autismo é descrito como um distúrbio neurobiológico que tem evoluído em sua compreensão ao longo dos últimos 80 anos, com diagnósticos cada vez mais abrangentes.
- A condição afeta um número crescente de pessoas no Brasil e no mundo, mas a medicina ainda carece de respostas definitivas sobre suas causas e tratamentos.
Compreendendo o Autismo
Definição e Características
- Dr. Schwartzman explica que o autismo envolve dificuldades na comunicação social, relacionamentos interpessoais e comportamentos restritos ou interesses hiperfocados.
- Ele destaca que a complexidade do diagnóstico se deve à variedade de características apresentadas por indivíduos autistas, tornando-o um "espectro".
Aumento nos Diagnósticos
- Historicamente, a prevalência do autismo era considerada baixa (4 em cada 10.000), mas atualmente essa taxa subiu para 1 em cada 31 crianças diagnosticadas, sem uma explicação clara para esse aumento exponencial.
- Os protocolos atuais para diagnóstico são considerados frouxos e não definem claramente os critérios necessários para identificação da condição.
Desafios no Diagnóstico
Falta de Marcadores Biológicos
- Diferente da síndrome de Down, onde exames como cariótipo podem confirmar diagnósticos com precisão, não existem marcadores biológicos claros para o autismo; muitos sinais variam entre os indivíduos afetados.
- Isso resulta em diagnósticos muitas vezes imprecisos ou tardios; algumas crianças podem não apresentar sinais evidentes até mais tarde na infância.
Fatores Genéticos e Gatilhos
- O Dr. Schwartzman sugere que a maioria dos casos de autismo está relacionada a fatores genéticos; famílias inteiras podem ter múltiplos membros afetados pela condição sem necessidade de gatilhos externos identificáveis.
A Influência de Fatores Ambientais e Genéticos no Autismo
Condições Neurobiológicas e Ambientais
- O autismo é uma condição neurobiológica que não requer um gatilho específico, mas pode ser influenciado por ambientes favoráveis ou desfavoráveis.
- A carga genética desempenha um papel importante, assim como os gatilhos ambientais que podem aumentar a probabilidade de autismo durante a gestação.
Fatores Ambientais Pré-Natais
- O uso de certos anticonvulsivantes, como o ácido valpróico (Depaquene), durante a gravidez está associado a um aumento significativo na chance de ter filhos autistas.
- Há suspeitas sobre o impacto de antidepressivos na gestação e a relação entre idade parental (pais mais velhos) e o risco de autismo.
Obesidade Materna e Outros Fatores
- Mães com obesidade (mais de 80 kg ou ganho excessivo durante a gestação) têm maior probabilidade de ter filhos com transtornos do espectro autista.
- A poluição e o uso de agrotóxicos também são considerados fatores potenciais para o aumento dos casos de autismo.
Mudanças na Definição do Autismo
- A definição do autismo evoluiu ao longo do tempo, ampliando-se para incluir mais indivíduos devido à mudança nos critérios diagnósticos.
- O conceito de "espectro" foi introduzido pela primeira vez por Loren Wing em 1981, permitindo reconhecer uma gama mais ampla de manifestações do transtorno.
Impacto da Desinformação
- Informações equivocadas sobre medicamentos como o tilenol podem causar pânico desnecessário entre gestantes; não há evidências científicas que liguem seu uso ao autismo.
- A disseminação rápida de informações errôneas nas redes sociais pode levar à desconfiança em tratamentos seguros, afetando decisões informadas sobre saúde.
Discussão sobre Autismo e Diagnóstico no Brasil
Contexto Histórico e Prevalência do Autismo
- A discussão inicia-se com a observação de que o Brasil possui heranças coloniais e é impactado por dinâmicas raciais, refletindo na prevalência do autismo entre diferentes grupos raciais.
- Um censo de 2022 indicou que a prevalência do autismo é maior entre brancos e amarelos, enquanto é menor entre pretos e pardos (1,1%). Isso levanta questões sobre as causas dessa disparidade.
Desafios no Diagnóstico
- O especialista em autismo expressa sua perplexidade quanto à disparidade racial nos diagnósticos, afirmando que não há evidências na literatura mundial que justifiquem essa diferença.
- Destaca-se a dificuldade de acesso ao diagnóstico adequado como um fator crucial; muitas crianças podem não ser diagnosticadas corretamente devido à falta de informação ou recursos.
- O estudo do IBGE considera apenas aqueles com diagnóstico formal, o que pode distorcer a verdadeira prevalência do autismo na população brasileira. Isso contrasta com estudos nos EUA que utilizam registros escolares e de saúde para uma análise mais abrangente.
Formação Médica e Reconhecimento do Autismo
- Há uma crítica à formação médica no Brasil, onde muitos médicos não são adequadamente treinados para reconhecer sinais de autismo ou outras deficiências intelectuais. Isso resulta em falhas significativas no diagnóstico precoce.
- O pediatra deveria ser o primeiro profissional a identificar o autismo nas crianças, mas isso raramente acontece devido à inadequação da formação médica atual. Essa questão precisa ser abordada urgentemente para melhorar os diagnósticos precoces.
Questões Relacionadas ao Gênero e Saúde das Mulheres
- Uma participante menciona ter recebido seu diagnóstico tardiamente (aos 28 anos) durante uma investigação sobre disforia pré-menstrual, levantando preocupações sobre como mudanças hormonais afetam mulheres autistas.
- O especialista reconhece que até recentemente acreditava-se erroneamente que o autismo era uma condição predominantemente masculina; agora se sabe que mulheres também têm autismo, mas frequentemente apresentam sintomas diferentes, dificultando o diagnóstico precoce.
Diagnósticos Tardios e Autismo em Mulheres
A Dificuldade de Diagnóstico
- O diagnóstico tardio do autismo é comum, com pessoas se identificando como autistas apenas na idade adulta, levantando questões sobre a percepção social do autismo.
- As mulheres frequentemente apresentam sintomas mais sutis que podem passar despercebidos, resultando em diagnósticos tardios.
- Queixas comuns incluem dificuldades sociais e sensoriais, como aversão a certos tecidos ou barulhos, que são frequentemente mal interpretadas.
Percepções Sociais e Estigmas
- Existe uma crença generalizada de que o autismo afeta predominantemente homens, levando à subdiagnosticação em mulheres.
- A educação social das meninas pode mascarar os sintomas do autismo, dificultando a identificação precoce da condição.
Identificação e Aceitação
- Muitas vezes as características autistas são vistas como traços de personalidade (ex: timidez), o que impede um diagnóstico adequado.
- É importante reconhecer que as mulheres também têm autismo, mas suas manifestações podem ser diferentes e menos evidentes.
Impacto do Uso Excessivo de Telas
Efeitos da Exposição às Telas
- O uso excessivo de telas por crianças autistas é uma preocupação crescente; há necessidade de estudos sobre o tempo recomendado para esse uso.
- Durante a pandemia, muitas crianças ficaram expostas a telas por longos períodos, desenvolvendo comportamentos semelhantes ao autismo.
Diferenças entre Autismo e Síndrome das Telas
- Crianças afetadas pela síndrome das telas podem melhorar quando afastadas das telas; isso não ocorre com indivíduos autistas.
Recomendações para Uso de Tela
- A Sociedade Americana de Pediatria recomenda zero exposição a telas para crianças abaixo dos 4 anos e no máximo uma hora diária após essa idade.
- O excesso de tela prejudica o desenvolvimento cerebral infantil ao limitar interações sociais essenciais durante períodos críticos.
Conclusões sobre Desenvolvimento Infantil
- O desenvolvimento saudável requer interação social ativa; o uso excessivo de telas pode comprometer essa interação fundamental.
Desenvolvimento Infantil e Atrasos na Fala
Atraso no Desenvolvimento da Linguagem
- O atraso na fala em crianças é um tema recorrente, onde se observa que algumas crianças não vocalizam ou formam frases adequadamente. Frases comuns como "cada criança tem seu tempo" são frequentemente usadas para justificar esses atrasos.
- Embora cada criança tenha seu próprio ritmo de desenvolvimento, esse tempo é limitado. O que é aceitável para uma criança de 1 ano e meio pode não ser para uma de três anos.
- O desenvolvimento infantil não segue padrões uniformes; por exemplo, a maioria das crianças começa a andar entre 12 e 16 meses. No entanto, o uso excessivo da televisão pode interferir negativamente na aquisição da linguagem.
Diagnóstico do Autismo
- O atraso na fala é um dos sinais mais notáveis que podem indicar autismo, mas o diagnóstico deve ser feito com cautela. Não se deve diagnosticar autismo em bebês sem evidências claras.
- Intervenções devem ocorrer assim que houver suspeitas de atrasos significativos no desenvolvimento, mesmo antes do diagnóstico formal.
- É comum normalizar comportamentos atípicos; por exemplo, uma criança que começou a falar aos três anos pode ter sucesso posteriormente, mas isso não significa que o atraso seja aceitável.
Profissionais Envolvidos no Diagnóstico
- O diagnóstico do autismo deve ser realizado por médicos capacitados. Embora qualquer médico possa fazer essa avaliação, muitos planos de saúde exigem especialistas como neuropediatras ou psiquiatras infantis.
- Outros profissionais podem contribuir significativamente para o diagnóstico através de avaliações neuropsicológicas e apoio multidisciplinar.
Questões sobre o Espectro Autista
- Há discussões sobre a ampliação do espectro autista e se ele perdeu seu significado original ao incluir diversas manifestações que nem sempre preenchem os critérios diagnósticos clássicos.
- A psiquiatra Laura Wing introduziu a ideia do espectro em 1981 ao diferenciar entre autismo e síndrome de Asperger. Desde então, as definições têm se expandido consideravelmente.
- Existe preocupação com o equilíbrio nos diagnósticos: enquanto alguns casos leves estão sendo diagnosticados com mais frequência, ainda há crianças com características clássicas de autismo sem acesso ao diagnóstico adequado.
A Complexidade do Espectro Autista
A Amplitude do Espectro Autista
- O autor discute a construção de um "Frankenstein" no diagnóstico do autismo, onde diferentes níveis de autismo são agrupados, tornando difícil a comparação entre casos extremos.
- Ele critica a psiquiatria americana por tentar categorizar o autismo de forma simplista, ressaltando que essa abordagem é enganosa e não reflete a realidade dos indivíduos no espectro.
Características e Diagnósticos
- O autor menciona que muitas pessoas consideradas "esquisitas" podem se encaixar no espectro autista, ampliando a definição tradicional.
- Ele observa que muitos traços associados ao autismo podem ser encontrados em diversas pessoas, sugerindo que todos têm características que podem se assemelhar ao diagnóstico.
Habilidades e Potencialidades
- Há uma crítica à ênfase nas desvantagens do autismo; o autor sugere focar nas habilidades únicas dos indivíduos autistas, como memória excepcional e inteligência pontual.
- Ele propõe uma mudança de perspectiva: em vez de destacar os aspectos negativos do autismo, devemos valorizar as capacidades especiais que alguns indivíduos possuem.
Desafios e Perspectivas Familiares
- Uma participante levanta preocupações sobre as expectativas sociais em relação às "super habilidades" dos autistas, destacando que nem todos apresentam essas características excepcionais.
- É enfatizado que cada indivíduo no espectro pode ter diferentes graus de habilidade ou até mesmo nenhuma habilidade notável.
Abordagem Positiva na Avaliação Médica
- A discussão aborda como o olhar médico deve considerar tanto as dificuldades quanto as potencialidades dos indivíduos com autismo para promover um desenvolvimento mais eficaz.
- O objetivo da avaliação médica deve ser descobrir onde o indivíduo é eficaz, em vez de apenas focar nas limitações.
A Importância da Educação Funcional para Jovens Autistas
Desafios na Educação Tradicional
- A insistência em habilidades acadêmicas tradicionais, como leitura e escrita, pode levar à falta de desenvolvimento prático em jovens autistas.
- É crucial repensar o currículo escolar a partir de certa idade, priorizando a independência e habilidades funcionais ao invés de apenas conteúdo pedagógico.
Currículo Funcional
- Um currículo funcional deve incluir ensinamentos sobre cuidados pessoais e expressão de vontades, visando a autonomia do indivíduo.
- Cada autista é único; portanto, as abordagens educacionais devem ser personalizadas para atender às necessidades específicas de cada um.
Custos do Tratamento
- O custo para acompanhar crianças e jovens adultos autistas varia significativamente, podendo chegar até R$ 50.000 por mês em clínicas especializadas.
- A dependência dos planos de saúde surge devido à falha do Estado em fornecer suporte adequado na educação e saúde das crianças autistas.
Críticas ao Sistema Público
- As políticas públicas existem no papel, mas na prática são insuficientes; há dificuldades reais em conseguir atendimento adequado para crianças autistas nas clínicas estatais.
Abordagem Psicanalítica no Tratamento
- Há uma crítica à utilização da psicanálise como abordagem principal no tratamento do autismo, que está desatualizada em relação às novas pesquisas.
- O surgimento da psicanálise foi baseado na ideia errônea de que o autismo era um defeito inato; essa visão precisa ser revisada com base nas evidências atuais.
Evolução das Terapias
- Apesar das evidências contrárias, ainda existe uma resistência significativa à mudança nos métodos terapêuticos utilizados no tratamento do autismo.
- Recentemente, autoridades francesas desaconselharam o uso da psicanálise para tratar o autismo, refletindo uma mudança gradual nas práticas recomendadas.
Terapias Inadequadas e Mitos
- Muitas famílias enfrentam pressões para seguir terapias não comprovadas cientificamente que prometem curas milagrosas para o autismo.
- O aumento dessas terapias infundadas demonstra a necessidade urgente de educação adequada sobre tratamentos baseados em evidências.
Discussão sobre Tratamentos para Autismo
Uso de Canabidiol no Tratamento do Autismo
- A apresentadora Silvia questiona o Dr. Salomão sobre a eficácia do canabidiol no tratamento dos sintomas do autismo, mencionando que esse uso tem se tornado mais comum.
- O Dr. Salomão afirma que estudos mostram pequenas melhorias em comunicação e redução de estereotipias, mas não há evidências robustas de que o canabidiol ajude no autismo, exceto em casos de epilepsia refratária.
- Ele destaca que o canabidiol é utilizado principalmente para pacientes terminais, dores crônicas e epilepsia refratária, criticando a exploração da boa fé das pessoas por parte da indústria.
Papel das Escolas na Identificação do Autismo
- Carolina da Unesp pergunta sobre a observação dos educadores na identificação de suspeitas de autismo e se isso pode ajudar ou aumentar diagnósticos errôneos.
- O Dr. Salomão responde que as escolas não são clínicas e os professores não devem diagnosticar condições como autismo ou TDAH; seu papel é identificar comportamentos preocupantes e encaminhar os pais para ajuda profissional.
Diferenças entre TDAH e Autismo
- Ele discute a dificuldade em diferenciar TDAH e autismo, especialmente quando ocorrem juntos, sugerindo que fatores demográficos influenciam a prevalência desses diagnósticos nas salas de aula.
- O Dr. Salomão critica cursos de pós-graduação em TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH, afirmando que esses transtornos se tornaram um grande negócio.
Comorbidades Associadas ao Autismo
- Uma pergunta é feita sobre a possibilidade do diagnóstico de autismo estar presente junto com síndromes genéticas como Down ou X frágil.
- O Dr. Salomão confirma essa possibilidade, explicando que muitos casos de autismo são idiopáticos mas frequentemente associados a outras síndromes.
Intersetorialidade entre Saúde e Educação
- Luciana levanta questões sobre a intersetorialidade entre escola, saúde pública e família, destacando desafios financeiros enfrentados pelas prefeituras para atender às demandas terapêuticas nas escolas.
- Ela questiona se trazer agentes de saúde para dentro das salas de aula impactaria diretamente o processo educacional devido à necessidade crescente por atendentes terapêuticos.
Inclusão de Crianças com Autismo na Escola Regular
Diferença entre Terapia e Educação
- O trabalho do professor regente é distinto da terapia; não se trata de um processo educacional contínuo.
- A inclusão de indivíduos com autismo em escolas regulares deve ser criteriosa, priorizando aqueles que têm condições de aprender.
Desafios da Inclusão
- Colocar crianças sem condições adequadas em escolas inadequadas resulta em exclusão, mesmo que a intenção seja incluir.
- Um modelo observado na Alemanha mostra uma escola adaptada para crianças com autismo, onde cada aluno recebe avaliação individualizada.
Estrutura das Escolas Regulares
- As escolas regulares não estão preparadas fisicamente para atender crianças com autismo, como por exemplo, o ambiente barulhento e desorganizado.
- Professores frequentemente não possuem formação adequada para lidar com a diversidade nas salas de aula.
Críticas ao Modelo Atual
- A inclusão no Brasil começou de forma errada, colocando a responsabilidade sobre as escolas sem prepará-las adequadamente.
- Discutir a colocação escolar de crianças com autismo é considerado uma ilusão devido à falta de preparação das instituições.
Avanços na Pesquisa sobre Autismo
Necessidade de Diagnóstico Eficaz
- É crucial desenvolver ferramentas diagnósticas específicas para identificar o autismo corretamente e eliminar confusões sobre o espectro.
Mudanças no DSM e Nomenclatura
- O próximo DSM pode incluir exames genéticos e neuroimagem para melhorar os critérios diagnósticos do autismo.
Questões sobre Níveis de Suporte
- Há um aumento nos diagnósticos do nível um de suporte, mas isso inclui indivíduos que podem não ter relação direta com o autismo.
Variedade nos Diagnósticos
- A subjetividade dos diagnósticos leva a resultados variados dependendo do médico consultado; isso gera confusão sobre quem realmente é considerado autista.
Conclusão Sobre Deficiência e Direitos
- A definição clara entre níveis de suporte é essencial; se alguém é classificado como deficiente, isso garante direitos específicos.
Discussão sobre Autismo e Socialização
Regalias e Autismo
- A reflexão sobre como algumas pessoas podem se fazer passar por autistas de nível um para obter benefícios sociais é levantada.
Experiência Pessoal na Escola
- Dr. Salomão compartilha sua dificuldade com o recreio escolar, descrevendo-o como um ambiente caótico e desconfortável para autistas. Ele buscava refúgio na biblioteca, mas foi expulso por não socializar com os colegas.
- Ele encontrou uma maneira de se esconder na biblioteca, subindo em uma escadinha para ler sem ser notado.
Dificuldades de Socialização
- O Dr. Salomão menciona que a dificuldade de socialização é central no autismo, relacionada à forma como o cérebro funciona e à conectividade entre neurônios.
- A incapacidade de ler expressões faciais é destacada como um desafio significativo para autistas, mencionando a prosopagnosia como uma condição relacionada.
Ansiedade e Olhares Fixos
- O desconforto causado pelo olhar fixo de outras pessoas é discutido; enquanto todos podem sentir isso, os autistas têm mais dificuldades em lidar com essa situação social intensa.
- O Dr. Salomão explica que muitos autistas aprendem a agir normalmente em ambientes sociais, mas isso pode causar sofrimento emocional quando estão sozinhos ou em casa.
Tratamento Psicológico e Comportamental
- Há uma discussão sobre o papel da psicanálise no tratamento do autismo; o Dr. Salomão critica sua eficácia devido às dificuldades dos autistas em compreender metáforas e linguagem complexa.
- Ele sugere que psicólogos comportamentais são mais adequados para ajudar as famílias de indivíduos com autismo, enfatizando a importância das terapias baseadas em evidências desde 1960.
Limites nas Terapias Comportamentais
- Uma preocupação é levantada sobre a popularização das práticas terapêuticas rápidas que podem levar à violência contra crianças durante o tratamento comportamental inadequado. É importante identificar sinais que indiquem se a terapia está sendo benéfica ou prejudicial para as crianças e suas famílias.
A Importância do Treinamento Profissional no Tratamento de Crianças Autistas
Impacto da Formação dos Profissionais
- A falta de treinamento adequado dos profissionais pode impactar negativamente o tratamento das crianças autistas, especialmente em ambientes como prefeituras e CAPS.
- É crucial que as famílias aprendam a "ler" os sinais das crianças, pois elas expressam claramente suas preferências e desconfortos em diferentes ambientes.
Empatia e Técnica no Tratamento
- O sucesso do tratamento não depende apenas da técnica utilizada, mas também da empatia do profissional com a criança. Cada criança deve ser tratada de forma individualizada.
- As evidências científicas nem sempre se aplicam a todos os casos; é importante considerar abordagens alternativas quando métodos tradicionais falham.
Opções de Tratamento e Sistema Único de Saúde (SUS)
- O SUS oferece opções limitadas para o tratamento de autistas, geralmente encaminhando-os para CAPS, que têm recursos escassos.
- O tempo disponível para tratamento no SUS é insuficiente comparado ao necessário; enquanto tratamentos eficazes requerem 10 a 40 horas semanais, o SUS oferece apenas 45 minutos por semana.
Análise do Comportamento Aplicada (ABA)
- ABA é uma ciência aplicada que busca desenvolver habilidades em crianças autistas através de estratégias individualizadas.
- Há uma preocupação crescente sobre recomendações rígidas contra o uso de telas; um equilíbrio ético deve ser encontrado na utilização dessas tecnologias.
Uso Responsável das Telas
- Embora as telas possam ser prejudiciais, seu uso controlado pode ser benéfico em certas situações, como durante refeições familiares.
- É fundamental limitar o tempo que as crianças passam em frente às telas para garantir que não percam oportunidades essenciais para seu desenvolvimento social e cognitivo.
O Uso de Telas por Crianças
Impacto das Telas na Infância
- O uso excessivo de telas pode ser prejudicial para crianças, pois elas tendem a se fixar nelas devido à sua atratividade. É importante usar as telas com critério e moderação.
- A observação do que a criança está assistindo é crucial; entender o tipo de conteúdo que ela busca pode ajudar a direcionar o uso da tecnologia.
- Quando as telas são utilizadas para comunicação não verbal, como em um contexto funcional, isso pode ter um valor educativo diferente do uso lúdico.
Encerramento da Entrevista
- O entrevistador agradece ao doutor pela participação e reconhece a profundidade do assunto discutido, indicando que o tempo foi insuficiente para explorar todos os aspectos.
- Agradecimentos também são feitos aos colegas estudantes de jornalismo e ao Eduardo Battistão, marcando sua última contribuição no programa.