02 Helena - Machado de Assis
Abertura do Testamento
Reconhecimento de Helena
- O conselheiro reconhece uma filha natural chamada Helena, que está sendo educada em um colégio de Botafogo. Ela é declarada herdeira de parte dos bens e deve ser tratada com carinho pela família.
- Úrsula, irmã do finado, nunca soube da existência de Helena e considera o reconhecimento um ato de usurpação. Para ela, a nova filha é uma intrusa sem direito ao amor familiar.
- A visão severa de Úrsula sobre costumes a leva a rechaçar a legitimidade da nova filha na família, considerando-a apenas digna de receber sua parte da herança.
Reações à Disposição Testamentária
- A falta de informações sobre a mãe de Helena gera mais interrogações para Úrsula, que se irrita com o reconhecimento e questiona as aventuras passadas do Conselheiro.
- Estácio percebe que a reação da tia foi diferente da sua; ele aceita o fato como algo natural e não se preocupa com questões financeiras ou sociais relacionadas à origem da mãe de Helena.
Reflexões sobre Justiça e Sentimentos
- Durante suas reflexões, Estácio lembra-se da conversa com o Doutor Camargo, que critica o reconhecimento como um excesso emocional desnecessário. Camargo sugere que um legado seria suficiente para honrar a memória do Conselheiro.
- Camargo argumenta que embora o gesto seja bonito, ele pode não ser prático ou justo em relação aos direitos dos outros herdeiros. Ele enfatiza que agora Helena deve encontrar amor na nova família.
Aceitação Familiar
- Estácio demonstra curiosidade sobre Helena e seu passado. Apesar das dúvidas sobre sua mãe, ele decide aceitar essa nova irmã como se tivesse crescido ao seu lado.
- Camargo tenta dissuadir Estácio dessas emoções intensas, mas este reafirma seu compromisso em acolher Helena sem hesitações ou pesar.
Conclusão das Interações
- A interação entre Estácio e Camargo revela diferentes perspectivas sobre paternidade e responsabilidade familiar. Estácio valoriza os sentimentos paternos enquanto Camargo defende uma abordagem mais racional.
A Complexidade dos Sentimentos e Relações Familiares
A Natureza dos Afetos
- O autor reflete sobre a consistência dos afetos na vida, destacando que as relações não foram marcadas por crises ou contrastes.
- Menciona um orgulho que é uma extensão da consciência de um homem que, apesar do afeto, conseguiu dominar suas paixões e ressentimentos.
- A elevação da alma é apresentada como um aspecto essencial do caráter, refletindo-se em comportamentos dignos e silenciosos.
Formação e Caráter de Estácio
- Estácio herda qualidades robustas de sua mãe, embora seu talento seja mais resultado da vontade e paixão pelo saber.
- Ele viveu uma juventude sem se corromper pelos vícios comuns da idade, mantendo-se focado em sua educação.
- Sua timidez infantil persiste até a adolescência, mas é acompanhada por uma gravidade que não o torna enfadonho.
Comportamento Social e Moral
- A gravidade de Estácio é descrita como jovial e familiar, distante tanto da frivolidade quanto do tédio moralista.
- Ele possui uma sensibilidade forte e equilibrada, respeitando os direitos e deveres associados à sua classe social.
Conflitos Familiares
- Estácio aceita a responsabilidade pela irmã em relação ao testamento do Conselheiro, mostrando-se disposto a cumprir a vontade do falecido.
- Há um conflito interno sobre aceitar Helena na família; Estácio tenta convencer Úrsula sobre a importância dessa união familiar.
Reflexões Finais sobre Helena
- Úrsula expressa resistência à ideia de aceitar Helena como parte da família devido à origem dela.
- Apesar das hesitações iniciais, Estácio argumenta que Helena não tem culpa por sua origem e deve ser acolhida na família.
A Estranheza da Relação Familiar
Reflexões de Estácio sobre a Presença da Meia-Irmã
- Estácio observa a janela do quarto destinado à Arena, sentindo pela primeira vez a estranheza da situação criada pela presença de sua meia-irmã.
- Ele questiona internamente se não seria a tia quem tinha razão em suas percepções sobre essa nova dinâmica familiar.
- Apesar do sentimento inicial de estranheza, Estácio rapidamente repele essa ideia, buscando conforto na memória benevolente de seu pai.
- A lembrança do pai traz uma sensação de normalidade e conexão, contrastando com o desconforto gerado pela presença da meia-irmã.