LIVE - Culturas populares e educação literária na infância

LIVE - Culturas populares e educação literária na infância

Introdução ao Seminário do Lei Sul

Contextualização do Evento

  • O seminário é promovido pelo Lei Região Sul, envolvendo os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
  • A live de hoje é a terceira de um ciclo de apresentações que começou nos dias 9 e 10 de julho.
  • O objetivo é concluir as discussões iniciadas nas palestras anteriores com o professor André Magre.

Apresentação dos Palestrantes

  • André Magre é professor da Universidade Federal Fluminense, especializado em letras e educação.
  • Seus interesses incluem temas como contracolonialidade, literatura brasileira contemporânea e educação literária para infâncias.
  • A ênfase da apresentação será na cultura oral e suas particularidades.

Importância da Leitura para Crianças

Reflexão sobre a Leitura

  • André inicia sua fala agradecendo a oportunidade de dialogar sobre culturas populares na Educação Infantil.
  • Ele cita Evel Cabre, enfatizando que lemos para crianças não apenas para formar leitores, mas para ajudá-las a descobrir significados nos textos.

Desconstruindo Mitos sobre Alfabetização

  • É comum questionar o valor da literatura para crianças pequenas que ainda não sabem ler ou escrever.
  • A conversa busca desconstruir a ideia de que as crianças precisam ser alfabetizadas antes de participar da cultura escrita.

Participação Linguística desde Cedo

  • As crianças devem ser envolvidas em práticas culturais desde cedo, o que facilitará seu desenvolvimento futuro em leitura e escrita.
  • O foco deve estar em experiências literárias ricas, mais do que simplesmente formar leitores proficientes.

Direito à Literatura na Infância

Significado das Experiências Literárias

A Importância da Literatura na Infância

A Contribuição dos Textos Literários

  • A leitura de diferentes textos literários na infância permite que as crianças participem da vida cultural e artística da sociedade, enriquecendo suas experiências humanas.
  • Ao se apropriarem das diversas manifestações da linguagem, as crianças tornam-se sujeitos de linguagem, o que influencia não apenas quem são no presente, mas também suas aspirações futuras.
  • Os textos literários oferecem às crianças a possibilidade de imaginar e fantasiar sobre outras realidades e modos de viver, ampliando suas perspectivas.
  • A força dos textos literários reside em ajudar as crianças a descobrir quem são e o que desejam ser, promovendo um processo contínuo de autodescoberta.
  • O conceito lacaniano sobre a impossibilidade da linguagem representar tudo é relevante; as crianças utilizam a linguagem para simbolizar seus desejos e medos, embora haja uma lacuna entre o desejo e sua representação.

Desafios da Educação Literária

  • A experiência literária deve confrontar as crianças com a impossibilidade de expressar completamente suas vivências através da linguagem.
  • A educação literária oferece formas para que as crianças lidem com essa limitação ao mesmo tempo em que exploram novas possibilidades existenciais.
  • É fundamental garantir acesso à literatura desde cedo, antes do processo formal de alfabetização, para que as crianças possam explorar essas possibilidades criativas.
  • Bons textos literários têm o poder de suspender a realidade cotidiana, criando momentos de interrupção que despertam atenção e reflexão nas crianças.

O Impacto dos Textos Literários

  • Momentos inesperados durante atividades rotineiras podem provocar espanto e reflexão; os bons livros têm esse efeito transformador sobre os leitores.
  • Referência ao texto "O Prazer do Texto" de Roland Barthes: ele discute como certos textos exigem do leitor uma pausa reflexiva diante do impacto emocional causado pela leitura.
  • Essa experiência não é exclusiva aos adultos; as crianças também reagem fortemente às palavras e imagens nos livros lidos para elas ou por elas mesmas.

Formação de Leitores Críticos

  • Formar leitores críticos envolve ensinar às crianças a capacidade de se espantar diante da arte e da palavra, desafiando o automatismo cotidiano.

A Importância da Narrativa na Experiência Humana

A Necessidade de Simbolização e Representação

  • A dor, o frio, o sono e a frustração são experiências humanas que precisam ser simbolizadas e representadas para serem compreendidas.
  • A linguagem é uma invenção mútua entre os seres humanos e suas narrativas, permitindo a expressão do que sentimos e vivemos.

O Papel das Narrativas na Identidade

  • As narrativas são essenciais para a formação da identidade; elas moldam quem somos através das histórias que contamos sobre nós mesmos e as que ouvimos dos outros.
  • Crianças elaboram narrativas de diversas formas, não necessariamente com estrutura formal, mas através da participação em suas invenções narrativas.

Educação e Experiência Literária

  • Jorge Larossa destaca que nossa identidade é construída por meio da interpretação de textos narrativos, enfatizando a intertextualidade nas relações sociais.
  • Narrar é uma característica humana fundamental; não podemos imaginar uma vida sem compartilhar histórias.

Cultura Popular: Definições e Imagens

  • Ao discutir cultura popular, surgem imagens ligadas à oralidade, tradição e manifestações do folclore.
  • A cultura popular é frequentemente associada ao povo e às classes menos favorecidas, levantando questões sobre quais povos estão sendo representados.

Formação de Professores e Relações de Poder

  • É crucial integrar teoria e prática na formação de professores para evitar reducionismos que limitam sua atuação como produtores de conhecimento.
  • Há um risco em ver os educadores apenas como reprodutores de conteúdos pré-estabelecidos; eles devem ser vistos como agentes ativos no processo educativo.

Desafios da Cultura Erudita vs. Popular

  • Muitas imagens associadas à cultura popular tendem a reproduzir relações de poder entre erudito e popular, criando divisões artificiais.

Cultura Popular e suas Relações de Poder

A Emergência do Conceito de Cultura Popular

  • O conceito de cultura popular surge em oposição à cultura erudita, refletindo relações de poder e elitismo que hierarquizam manifestações culturais.
  • As hierarquias culturais não se baseiam apenas em estética, mas também na lucratividade dos produtores culturais, evidenciando um elitismo no debate cultural.

Percepção e Valorização da Cultura

  • Há uma tendência a desvalorizar peças de arte produzidas por artistas fora dos grandes centros culturais, como as Bienais do eixo Rio-São Paulo.
  • A análise da cultura popular deve considerar as relações de poder que influenciam a percepção e valorização dos objetos artísticos.

Questionando o Que é "Popular"

  • O conceito de "popular" não é fixo; questionar a ideia monolítica do povo é essencial para um trabalho crítico nas culturas populares.
  • A adoção do termo "popular" cria uma oposição ao que não é considerado popular, necessitando uma reflexão sobre essa dicotomia.

Resgate vs. Conhecimento da Cultura Popular

  • O discurso sobre resgatar culturas populares muitas vezes ignora a necessidade de conhecer os sujeitos que produzem essas culturas.
  • A crítica ao resgate enfatiza que a escola deve focar em conhecer as práticas culturais e os indivíduos envolvidos na cultura popular.

Diversidade das Infâncias e Culturas

  • É fundamental reconhecer que a cultura popular é composta por diversas vozes e experiências, refletindo a pluralidade das infâncias.
  • Discutir crianças como um grupo homogêneo ignora as diferenças socioeconômicas e territoriais presentes no Brasil.

Estereótipos e Narrativas Únicas

  • A narrativa única pode criar estereótipos prejudiciais; compreender as múltiplas histórias dentro das culturas populares é crucial para evitar simplificações.

A Representação do Povo e os Estereótipos

A Visão Monolítica do Povo

  • O conceito de "povo" é frequentemente reduzido a imagens simplistas, como pobreza e ignorância, que não refletem a diversidade real das comunidades.
  • Há uma tendência de desconsiderar a complexidade das discussões em que o povo poderia participar, perpetuando preconceitos e estigmas.

Identidade Regional e Diversidade Cultural

  • O autor se identifica como potiguá, ressaltando a importância da origem local enquanto critica a visão homogênea do Nordeste.
  • O Nordeste é composto por nove estados com diversas culturas, sotaques e tradições que são frequentemente ignoradas em representações simplificadas.

Perigos dos Estereótipos

  • A mídia e outras formas de comunicação tendem a criar uma imagem estereotipada do Nordeste, onde todos compartilham as mesmas preferências culturais.
  • Os estereótipos limitam as identidades ao invés de reconhecê-las como dinâmicas e históricas, levando à crença em narrativas únicas.

Educação e Culturas Populares

  • É crucial entender que os estereótipos não representam toda a realidade; há diversidade nas experiências culturais que devem ser reconhecidas na educação.
  • O trabalho com culturas populares na escola deve evitar visões reducionistas para promover um entendimento mais amplo das práticas culturais.

Reflexão sobre o Ensino Literário

  • A professora Maria Inê Aiala menciona "fazer dentro da vida", enfatizando que o ensino deve estar conectado à experiência cotidiana das crianças.
  • O foco no aprendizado instrumental (preparação para provas ou profissões futuras) limita o potencial educativo; é necessário abordar aspectos mais amplos da vida humana.

Conclusão: Importância da Narrativa Diversificada

  • O trabalho com literatura infantil deve ir além do imediato; precisa tocar em temas significativos que façam sentido na vida dos alunos.

A Relação entre Educação e Cultura Popular

A Importância de Levar a Escola à Comunidade

  • É fundamental que as culturas populares sejam trazidas para a escola, mas também é necessário levar a escola até essas culturas, aprendendo com a comunidade local.
  • As crianças podem se beneficiar ao ouvir histórias contadas por membros da comunidade e participar de práticas culturais como dança e outras expressões artísticas.

Experiências Diretas com Culturas Locais

  • Propostas incluem levar crianças a comunidades quilombolas ou indígenas, ampliando seu conhecimento sobre diferentes realidades sociais.
  • A capacidade das crianças de se espantar e vivenciar o novo deve ser valorizada, pois elas são receptivas a experiências enriquecedoras.

Leitura do Mundo e Apropriação Cultural

  • O objetivo é ajudar as crianças a experimentarem o mundo ao seu redor, integrando diferentes vozes e experiências em sua formação.
  • Paulo Freire enfatiza uma leitura mais ampla do mundo que vai além da escrita, envolvendo o sentido de pertencimento à sociedade.

Diferença entre Literatura Popular e Erudita

  • Há uma crítica à forma como certas tradições culturais são apropriadas por autores eruditos, transformando-as em produtos que não são considerados populares.
  • Exemplos como o livro "Lampeão e Lancelote" mostram como obras ricas em cultura popular podem ser vistas sob uma luz diferente quando publicadas por editoras renomadas.

Questões Culturais na Educação

  • A divisão entre cultura popular e erudita reflete questões sociais sobre quem tem acesso aos espaços culturais.
  • É importante reconhecer que textos literários ditos populares oferecem oportunidades para experiências coletivas significativas para as crianças.

Experiências Coletivas na Formação Infantil

  • Participar de atividades coletivas, como rodas de coco ou contação de histórias, enriquece a experiência das crianças além da palavra escrita.

A Importância da Literatura Popular na Educação

O Papel dos Textos Literários Populares

  • A literatura popular tem a capacidade de promover encontros significativos entre crianças e o mundo, estimulando emoções e brincadeiras.
  • Diferentes textos literários favorecem não apenas a expressão verbal, mas também habilidades como silêncio e escuta, essenciais para uma educação literária eficaz.

Silêncio e Escuta na Era Digital

  • A experiência com a literatura ensina às crianças a importância do silêncio e da espera, habilidades que se tornam cada vez mais raras em um mundo dominado por estímulos constantes.
  • Muitas crianças se sentem perdidas sem os estímulos visuais das redes sociais, evidenciando a necessidade de cultivar momentos de desconexão.

Cultura Popular: Uma Perspectiva Viva

  • A cultura popular deve ser vista como algo vibrante e atual, não como um relicário do passado. É vital reconhecer que ela é produzida por pessoas vivas em diversas regiões do Brasil.
  • A ideia de "beleza do morto" reflete uma visão errônea sobre a cultura popular; esta é dinâmica e pulsante, desafiando noções de estagnação.

Desmistificando Estigmas sobre o Popular

  • Há um preconceito que associa o popular à falta de refinamento; essa visão ignora as nuances e qualidades presentes nas produções culturais populares.
  • Um cordelista menciona que muitos acreditam que os autores populares não desejam ver seus trabalhos revisados ou publicados em formatos variados.

Tradição e Reinvenção na Literatura

  • As tradições culturais são dinâmicas; elas se reinventam ao longo do tempo, mantendo-se relevantes através da adaptação às novas realidades.
  • O cordel é um exemplo claro dessa reinvenção contínua, refletindo diálogos entre tradição e modernidade ao longo dos séculos.

Diversidade Cultural na Educação Literária

  • É fundamental construir espaços educacionais que valorizem diferentes linguagens artísticas para enriquecer as experiências literárias das crianças.

Formação Estética e Ética na Educação

Gêneros Literários na Educação

  • A importância de integrar a literatura de cordel e o conto de tradição oral no trabalho escolar, destacando suas características únicas.
  • A leitura em voz alta é uma performance que requer planejamento cuidadoso; não deve ser feita de forma improvisada.
  • O cotidiano escolar pode exigir adaptações rápidas, mas o planejamento deve ser priorizado sempre que possível para enriquecer a experiência literária.

Oralidade e Escrita na Cultura Popular

  • A escrita e a oralidade não são opostas; ambas coexistem em diferentes contextos culturais, desafiando visões reducionistas sobre cultura popular.
  • É fundamental reconhecer que as práticas de escrita estão presentes em diversas comunidades do Brasil, não se limitando apenas às áreas urbanas.

Performatividade da Leitura

  • A leitura é um ato performático que influencia como as crianças interagem com os textos; a entonação e a entrega do mediador são cruciais.
  • O cordel "Os Animais Têm Razão" de Antônio Francisco é apresentado como exemplo prático para ilustrar essas ideias.

Reflexões sobre o Cordel

  • O texto do cordelista reflete sobre a diversidade cultural e desafia a ideia de que o popular é homogêneo ou fixo.
  • Descrição poética do Juazeiro como símbolo de resistência no sertão, ressaltando sua beleza em meio à adversidade climática.

Diálogo entre Animais

  • Os animais discutem questões ambientais e sociais, criticando as ações humanas que afetam seu habitat.
  • O porco expressa preocupação com a destruição ambiental causada pelo homem, enfatizando uma crítica social profunda.

Reflexões sobre a Natureza Humana e Animal

A Reunião dos Animais

  • Os animais expressam suas frustrações em relação ao comportamento humano, destacando a falta de compreensão e empatia do homem.
  • O cachorro critica a natureza destrutiva do ser humano, questionando por que ele age de forma tão negativa, como guerras e agressões.
  • O morcego menciona que, apesar das falhas humanas, eles também criam espaços para os animais viverem, mas ainda assim muitos ficam desabrigados.
  • O narrador reflete sobre as consequências da indiferença humana em relação à natureza e aos seres vivos ao seu redor.
  • A narrativa é elogiada como um poema criativo que dialoga com tradições de histórias infantis onde os animais têm voz ativa.

Importância da Narração Oral na Educação

  • Iolanda Reis discute como a narração oral permite que crianças compreendam não apenas a oralidade, mas também as estruturas da escrita.
  • As crianças internalizam diferentes modos de leitura através da escuta atenta das vozes adultas durante as narrativas orais.
  • Essa experiência é fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico nas crianças, ampliando sua percepção sobre linguagem e comunicação.
  • A necessidade de trabalhar com textos oralizados na educação infantil é enfatizada como uma forma de enriquecer o aprendizado das crianças.

O Poder das Histórias

  • As histórias têm um papel dual: podem tanto marginalizar quanto empoderar indivíduos e comunidades.
  • Amanda fala sobre o "perigo de uma história única", ressaltando a importância de múltiplas narrativas para evitar estereótipos prejudiciais.
  • É crucial reconhecer diversas experiências e modos de vida através das histórias contadas às crianças para promover sua humanização.

Recomendações Literárias

  • "A Casa Imaginária" de Yolanda Reis é recomendado como uma leitura essencial para educadores e pais interessados no desenvolvimento infantil.
  • "Primeiras Leituras: Arte e Cultura na Primeira Infância" aborda a importância do contato precoce das crianças com arte e cultura.
  • Livros sobre literatura infantil ajudam educadores a compreender melhor o campo literário voltado para jovens leitores.

Sugestões Literárias e Reflexões sobre Educação

Livros Recomendados

  • O livro "O Perigo da História Única" de Chimamanda é mencionado como uma obra importante que aborda a relação entre educação, linguagem e experiência.
  • "Vozes da Tradição" de Marco Aurélio é destacado como um excelente exemplo de coletânea de narrativas orais do Brasil, especialmente da Bahia.
  • Recomendações incluem obras em cordel, como "Bento Vento Tempo" de Estênio Gardel e Nelson Cruz, além de "A Solução do Peixe Boi" por Mari Bijo.

Coletâneas e Clássicos

  • Ricardo Azevedo é mencionado por seu trabalho com contos de tradição oral, incluindo "Contos de Espanto e Alumbramento".
  • Edições clássicas como "Pavão Misterioso", organizadas por Arievaldo Viana e João Oliveira, são citadas como importantes para a literatura infantil.

Interação com o Público

  • O apresentador pede desculpas pela extensão das falas e menciona a importância dos comentários recebidos durante a apresentação.
  • É ressaltado que as lives estão gravadas e disponíveis no canal do Lei Suul para futuras consultas.

Questões sobre Cultura na Educação

  • Uma questão levantada por Camila Rebelato discute a predominância da cultura internacional nas escolas particulares em detrimento das culturas locais.
  • A discussão se aprofunda na ideia de que há uma produção cultural massiva que pode obscurecer as tradições locais.

Diversidade Cultural na Literatura

  • O professor enfatiza a importância da bibliodiversidade nas escolas, sugerindo que textos internacionais devem incluir obras de diversas partes do mundo.

A Importância da Bibliodiversidade na Literatura Infantil

Reflexões sobre a Literatura e a Diversidade

  • A literatura infantil deve incluir obras que abordem temas de migração, com produções sensíveis que ajudem as crianças a refletir sobre essas questões.
  • É fundamental não se limitar apenas à literatura brasileira, evitando o etnocentrismo e promovendo uma educação que valorize a diversidade cultural global.

O Papel do Espanto na Educação

  • A educadora Eloí questiona sobre como ensinar o espanto através da arte e da linguagem, destacando a relevância da bibliodiversidade nesse processo.
  • A bibliodiversidade enriquece o ensino ao multiplicar gêneros textuais, ilustrações e formatos de livros, ampliando as perspectivas das crianças.

Confronto com o Diferente

  • Ao ter acesso a diferentes tipos de literatura, as crianças são confrontadas com o novo e desconhecido, gerando um sentimento de espanto que é essencial para sua formação.
  • O espanto está ligado à educação do olhar; aprender com as crianças pode nos ensinar novas formas de perceber o mundo.

Recomendações Literárias

  • Há interesse em recomendações literárias específicas para enriquecer a experiência cultural das crianças, especialmente relacionadas à cultura local do Rio Grande do Norte.

Vivência Cultural na Infância

  • O professor discute a importância do direito à literatura na infância e como isso se relaciona com a vivência cultural nas comunidades locais.

A Importância da Interlocução e do Mapeamento Comunitário

O Papel da Comunidade na Educação

  • A educação deve ser uma prática que se nutre dos espaços ao redor, buscando alternativas para organizar a participação comunitária.
  • É fundamental mapear o território e conhecer as comunidades locais, aprendendo com elas. Bell Hooks discute essa abordagem em seu livro "Aprendendo com a Comunidade".
  • O diálogo entre educadores e a comunidade é enriquecedor, promovendo um aprendizado mútuo que beneficia todos os envolvidos.

Potência da Literatura e Diversidade Cultural

  • A literatura e outras linguagens têm um papel formativo significativo na vida das crianças, ampliando suas perspectivas sobre o mundo.
  • Quanto mais diversidade cultural for apresentada às crianças, maiores serão suas possibilidades de compreensão e relacionamento com o outro.
  • A liberdade estética na criação literária permite que as crianças se construam de forma autêntica, sem a necessidade de mercantilização.

Reflexões sobre Preconceitos e Estereótipos

  • As abordagens literárias ajudam a refletir sobre preconceitos e estereótipos culturais, desafiando representações simplistas de povos ou regiões.
  • O gênero do cordel e contos orais são exemplos que provocam reflexão crítica sobre a condição humana em relação à natureza.

Emoção através da Prosódia

  • A leitura melódica do cordel provoca emoções profundas, levando à estupefação diante das críticas sociais implícitas nas narrativas.

Reconhecimento das Equipes Educacionais

Reflexões sobre a Formação de Leitores

A Importância da Experiência na Criação de Poemas

  • O orador destaca o privilégio de ter um artista nascido em Curitiba, enfatizando sua abrangência nacional e internacional.
  • Um poema é descrito como resultado de anos de experiências diversas, incluindo atividades cotidianas e relacionamentos, sugerindo que a criação artística é um processo longo e multifacetado.

Agradecimentos e Reconhecimento

  • O orador expressa gratidão a várias pessoas envolvidas no evento, incluindo tradutores e professores que contribuíram para a acessibilidade do encontro.
  • Ele menciona a alegria de ver participantes de diferentes regiões do Brasil, ressaltando a importância da conversa sobre formação de leitores.

Espanto vs. Encantamento nas Emoções das Crianças

  • Uma pergunta surge sobre se o espanto é sinônimo de encantamento; o orador responde que nem sempre isso é verdade.
  • Ele discute como emoções como medo e tristeza são essenciais para o desenvolvimento emocional das crianças, desafiando a ideia de protegê-las dessas experiências.

Lidando com Emoções na Infância

  • O orador sugere que as crianças devem vivenciar suas emoções com apoio dos adultos ao invés de serem isoladas delas.
Channel: LEEI Sul
Video description

O "Seminário LEEI Sul: Oralidade e Narrativas infantis" está inserido no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, no que se refere à formação no Projeto Leitura e Escrita na Educação Infantil da Região Sul (LEEI Sul). Neste encontro, intitulado "Culturas populares e educação literária na infância", discutimos algumas potencialidades do trabalho com narrativas orais e escritas ditas populares na infância, com o objetivo de ampliar e diversificar as formas, conteúdos e materialidades da educação literária de crianças. Discutimos noções que, via de regra, são estereotipadas no campo cultural, como as ideias românticas de “povo”, “tradição” e “cultura popular”, cuja força discursiva tende a ratificar imagens a-históricas, homogêneas e reducionistas de diferentes produções artístico-culturais e dos sujeitos e territórios que dão vida a elas. Considerou-se a literatura de cordel e os contos populares são objeto de breve comentário sobre sua relação crítico-pedagógica com a bibliodiversidade na educação infantil. Mediação: Coordenação Estadual do PR - Franciele da Silva dos Anjos Strohhecker, Gioconda Ghiggi e Catarina Moro. Convidado: André Magri (UFF). Intérpretes de LIBRAS: Priscila Mara Simões (UFPR) e Peterson Simões (UFPR).