Estatuto do Desarmamento - Leis Penais Especiais - Prof. Murillo Ribeiro

Estatuto do Desarmamento - Leis Penais Especiais - Prof. Murillo Ribeiro

Introdução ao Exame de Ordem e Leis Penais Especiais

Apresentação do Palestrante

  • Sombrio Ribeiro, delegado de polícia em Minas Gerais e professor de direito penal, criminologia e leis penais especiais.
  • Objetivo: Ajudar os alunos a acertarem todas as questões sobre leis penais especiais no exame de ordem.

Foco nas Leis Penais Especiais

  • Discussão sobre a quantidade de leis penais especiais no Brasil, que pode chegar a 50.
  • Importância da Lei Anti-Crime (Lei 13.964/2019), que foi alterada por câmaras legislativas antes da sua publicação.

Impacto da Lei Anti-Crime

Relevância para o Exame

  • A Lei 13.964 já está em vigor e pode ser cobrada no exame de ordem.
  • O edital do trigésimo primeiro exame menciona essas alterações como relevantes para futuros advogados.

Abordagem das Alterações

  • O palestrante não abordará as alterações na aula, pois não são pertinentes ao exame.
  • Observação sobre a importância das mudanças legislativas para a prática profissional futura dos alunos.

Estatuto do Desarmamento

Introdução ao Tema

  • Primeira lei penal especial discutida: Estatuto do Desarmamento, que sofreu várias alterações em 2019.
  • Exercícios práticos serão realizados durante a aula com base no conteúdo apresentado.

Crimes Relacionados às Armas

  • Foco nos crimes previstos entre os artigos 12 e 18 do Estatuto do Desarmamento.
  • Necessidade de compreender conceitos fundamentais relacionados aos crimes em espécie.

Norma Penal em Branco

Definição e Importância

  • O Estatuto do Desarmamento é considerado uma norma penal em branco; conceitos importantes estão regulamentados por decretos.

A Intervenção do Direito Penal

O Papel do Direito Penal

  • O direito penal pode intervir em diversas situações de violação de direitos, mas não deve ser a primeira opção. Exemplo: a compra de um carro sem pagamento devido à falta de dinheiro é uma questão civil, não penal.
  • A atuação do direito penal deve ser estritamente necessária e em última instância, pois suas consequências são severas, como a privação da liberdade.

Justificativa para a Intervenção Penal

  • O direito penal atua apenas quando há justificativa relacionada ao bem jurídico protegido. Por exemplo, o porte ilegal de arma é justificado pela proteção da segurança pública.
  • A incolumidade pública é um dos principais bens jurídicos tutelados pelo direito penal, especialmente em casos que envolvem armas de fogo.

Crimes e Segurança Pública

  • Os crimes relacionados ao Estatuto do Desarmamento visam proteger a segurança das pessoas no convívio social. A criminalização do porte ilegal de armas se baseia na necessidade de garantir essa segurança.
  • Muitos crimes previstos no Estatuto do Desarmamento são considerados "crimes de perigo abstrato", onde o legislador presume uma exposição ao risco mesmo sem ação direta.

Tipos de Crimes Relacionados a Armas

  • O crime de posse ilegal de arma abrange não apenas as armas, mas também acessórios e munições. É importante entender as nuances entre posse e porte.
  • Um exemplo prático: se alguém possui uma arma com registro vencido, isso pode configurar uma infração administrativa e não necessariamente um crime.

Consequências Legais da Posse Ilegal

  • Se uma pessoa tem uma arma registrada cujo registro está vencido, ela pode enfrentar problemas legais. No entanto, até 2015 havia entendimento diferente sobre essa situação.
  • A posição atual dos tribunais superiores indica que quem deseja usar armas para fins criminosos não irá registrar legalmente sua posse; portanto, a criminalização deve focar em contextos mais relevantes.

Diferença entre Posse e Porte

  • É fundamental diferenciar entre posse (ter a arma em casa ou local privado) e porte (carregar a arma publicamente). Essa distinção é crucial para entender os diferentes tipos penais envolvidos.
  • Possuir uma arma com registro vencido configura mera infração administrativa; já o porte ilegal pode levar à responsabilização criminal dependendo das circunstâncias.

Diferença entre Posse e Porte de Arma

Conceitos Básicos

  • O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, como a nativo 12, tem penas mais severas se a arma ou munição forem de uso restrito. Essa distinção é crucial para entender as implicações legais.
  • É comum que examinadores da OAB apresentem situações que confundem posse com porte. A posse refere-se à localização da arma dentro da residência ou local de trabalho do titular.

Definições Legais

  • A posse é definida como ter a arma no interior da residência ou em dependências dela, incluindo o local de trabalho, desde que o indivíduo seja o responsável legal.
  • O artigo 12 do Estatuto do Desarmamento especifica que possuir uma arma em desacordo com a lei no interior da residência é considerado crime.

Exemplos Práticos

  • Um delegado pode ter uma arma registrada em seu nome e mantê-la em casa. No entanto, não pode portar essa arma na rua sem autorização legal.
  • Para ser considerada posse, a arma deve estar dentro dos limites da propriedade (muro para dentro), enquanto o porte implica levar a arma fora desses limites.

Situações Específicas

  • Se um proprietário deixar uma arma ilegal em sua padaria, ele responderá por posse. Já um funcionário que for pego com uma arma responde por porte.
  • Em propriedades rurais, ter uma arma na cintura durante atividades no campo é considerado posse, desde que não haja autorização para portá-la fora dos limites da propriedade.

Jurisprudência e Interpretações

  • O STJ considera que se uma pessoa enterrar uma arma, ela poderá ser responsabilizada por porte devido à ocultação. Essa interpretação é controversa e não reflete o entendimento majoritário sobre posse e porte.

Posses e Porte de Armas: Entendendo as Diferenças

Conceitos Básicos de Posse e Porte

  • A diferença entre posse e porte de arma é crucial para a prova. O porte refere-se à arma que está fora do local de residência, enquanto a posse se refere à arma mantida em casa ou no veículo.
  • Um taxista com uma arma legal no táxi pode ser acusado de porte ilegal, pois o táxi não é considerado um local de trabalho, mas sim um instrumento.
  • No caso do caminhoneiro abordado em blitz, o STJ rejeitou a argumentação de que o caminhão era sua casa, afirmando que ele não tem ânimo definitivo para considerá-lo como tal.

Jurisprudência Relevante

  • O STF determinou que a busca em um caminhão parado requer mandado judicial, estendendo assim a proteção domiciliar ao espaço da boleia.
  • É importante distinguir entre decisões do STJ sobre porte e posse; muitas questões podem surgir na prova devido à confusão entre os dois conceitos.

Implicações Legais para Delegados e Policiais

  • Um delegado pode ter armas legais em casa, mas deve respeitar as leis. Se possuir uma arma sem registro, poderá ser responsabilizado criminalmente.
  • A questão da posse também se aplica a acessórios e munições; portar munição sem uma arma ainda configura crime por perigo abstrato.

Princípio da Insignificância

  • O princípio da insignificância pode ser aplicado ao Estatuto do Desarmamento. Mesmo portando uma única munição sem autorização, isso é considerado crime.
  • A tipicidade formal e material são analisadas no contexto do dano ou exposição ao bem jurídico. A simples posse de munição já implica risco à segurança pública.

Aplicação Prática nas Decisões Judiciais

  • Tanto o STF quanto o STJ já aplicaram o princípio da insignificância em casos relacionados ao desarmamento. Isso indica que há precedentes favoráveis para situações específicas.

Discussão sobre a Posse de Munição e Decisões do STF

Introdução à Disponibilização de Materiais

  • O apresentador informa que disponibilizará todos os materiais na área do aluno, permitindo revisões antes da prova.

Munição como Pingente

  • É feita uma analogia sobre pessoas que usam munições como pingentes, questionando se isso altera a masculinidade.
  • A questão chega ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde se discute a tipicidade da conduta de portar munição na forma de pingente.
  • Esclarece-se que, tecnicamente, retirar elementos da munição não caracteriza crime; apenas um objeto sem função letal permanece.

Decisão do STF sobre Munições

  • O STF decidiu que portar munição na forma de pingente é atípico e não configura crime.
  • Essa decisão deve ser considerada em casos onde indivíduos são abordados pela polícia com tal item.

Casos Práticos Relacionados à Posse de Munições

Caso 1: Posse de uma única munição

  • Um exemplo é dado sobre um homem encontrado com uma única munição calibre .22; o STF também considerou essa posse atípica.

Caso 2: Posse de Munições de Fuzil

  • Discussão sobre a posse de uma única munição de fuzil de festim, onde o STF entendeu que não haveria crime devido à natureza inofensiva dessa munição.

Caso 3: Policial Aposentado com Munições

  • Um policial aposentado foi encontrado com uma única munição intacta; o STF aplicou o princípio da insignificância, considerando sua conduta não criminosa.

Decisão Controversa do STJ

Caso 4: Mulher com várias munições

  • Uma mulher foi encontrada com oito munições em casa; apesar disso, o STJ aplicou o princípio da insignificância.

Investigação e Princípio da Insignificância

Contexto da Investigação

  • A investigação que levou à detenção de uma mulher foi motivada por fotos postadas nas redes sociais, onde ela exibia armas de fogo. Isso gerou indícios de sua possível associação a atividades criminosas.
  • O STJ aplicou o princípio da insignificância, que pode ser relevante em casos de prisão ou condenação, especialmente no contexto do exame de ordem.

Importância do Princípio da Insignificância

  • É crucial revisar os cinco casos em que o princípio pode ser aplicado antes das provas, para evitar confusões durante a avaliação.
  • O crime relacionado ao artigo 13 do Estatuto do Desarmamento é frequentemente abordado em exames, sendo importante entender suas nuances.

Condutas e Cautelas no Estatuto do Desarmamento

Condutas Previstas

  • O caput do artigo 13 menciona a omissão de cautela necessária para impedir que menores ou pessoas com deficiência mental tenham acesso a armas de fogo.
  • Um exemplo clássico é quando um policial deixa sua arma acessível e um menor se apodera dela; isso consuma o crime independentemente do uso posterior.

Casos Reais e Consequências

  • Recentemente, houve um caso trágico em São Paulo onde um filho de policiais pegou uma arma e matou um colega na escola devido à falta de supervisão dos pais.
  • A interpretação sobre o alcance das condutas inclui não apenas armas, mas também acessórios e munições.

Obrigações dos Diretores em Empresas de Segurança

Deveres Legais

  • Diretores ou responsáveis legais devem registrar ocorrências policiais imediatamente após perceberem a perda ou furto de armas ou munições.
  • É necessário comunicar tanto à polícia civil quanto à Polícia Federal sobre qualquer incidente envolvendo armamentos.

Prazos e Responsabilidades

  • Os diretores têm 24 horas para cumprir essas obrigações desde que tomem conhecimento dos fatos relacionados ao furto ou extravio.
  • A contagem desse prazo deve considerar quando o diretor descobre a ocorrência, não necessariamente quando o fato aconteceu.

Diferenças entre Caput e Parágrafo Único do Artigo 13

Distinções Importantes

Mudanças entre os Artigos 12 e 14 sobre Armas de Fogo

Definição de Arma de Fogo

  • A diferença entre o artigo 14 (porte ilegal) e o artigo 12 (posse) é crucial para entender a legislação sobre armas. O conceito atual de arma de fogo considera a energia na saída do cano.
  • Alguns calibres que eram restritos, como 9mm, 40 e 45, agora são considerados permitidos. É importante saber se a arma é de uso permitido ou restrito.

Responsabilização pelo Porte Ilegal

  • Para responsabilizar alguém por porte ilegal, é imprescindível a apreensão da arma. Sem a apreensão, não há como acusar efetivamente.
  • Um exemplo prático ilustra essa questão: se um policial vê uma pessoa armada e esta foge jogando a arma no rio, pode haver dificuldades em responsabilizá-la sem evidências concretas.

Elementos Probatórios

  • O STJ afirma que a apreensão não é sempre imprescindível; outros elementos podem ser suficientes para comprovar o crime.
  • A perícia na arma é necessária quando ela é apreendida. Se não houver apreensão, a perícia pode ser dispensável.

Eficácia da Arma

  • A perícia determina se uma arma tem potencialidade lesiva. Uma arma ineficaz não configura crime de porte ilegal.
  • Mesmo armas com defeitos podem ser consideradas perigosas se tiverem potencialidade lesiva.

Contexto dos Crimes

  • Em situações onde uma pessoa usa uma arma (mesmo que seja brinquedo), isso pode configurar grave ameaça em um crime como roubo.
  • No caso de homicídio, se o porte ilegal for parte do contexto fático do crime principal, ele pode ser absorvido pelo homicídio.

Análise do Contexto Fático

  • Se um indivíduo está portando uma arma enquanto comete um homicídio, ambos os crimes podem ser considerados separadamente dependendo das circunstâncias.

Análise do Concurso de Crimes e Porte de Armas

Conceito de Crime Único e Concurso de Crimes

  • O orador discute a situação em que um indivíduo é acusado de crime único, mas na verdade se trata de concurso de crimes devido ao porte ilegal de armas em diferentes contextos.
  • A questão do porte ilegal é abordada, destacando que o autor pode ser responsabilizado por dois crimes, mas será julgado pelo mais grave, conforme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Jurisprudência sobre Porte Ilegal

  • O orador menciona a divergência entre o STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o STJ considera que há concurso de crimes para porte ilegal tanto de armas permitidas quanto restritas.
  • Um exemplo prático é dado sobre um vigia armado fora do horário expediente, enfatizando que ele responderá por porte ilegal se for surpreendido com a arma.

Disparo em Local Habitável

  • O artigo 15 da legislação é discutido, abordando as implicações legais do disparo em local habitado sem intenção criminosa.
  • É destacado que quem dispara uma arma sem intenção criminosa não necessariamente responde por homicídio ou disparo.

Legítima Defesa e Estado de Necessidade

  • O conceito de legítima defesa é explorado; se alguém age para proteger sua integridade física ou a de terceiros, não responderá pelo crime de disparo.
  • Um exemplo prático ilustra como um policial agindo em legítima defesa não será penalizado por uso da arma.

Posse e Porte Ilegal com Armas Raspadas

  • A discussão avança para posse e porte ilegal envolvendo armas com numeração raspada ou adulterada, considerando essas condutas mais graves.

Discussão sobre Responsabilização e Numeração Suprimida

Contexto da Responsabilização

  • A discussão gira em torno da responsabilização por ações que resultam na supressão de numerações, destacando a importância de comprovar a intencionalidade por trás dessas ações.
  • O artigo 16, parágrafo único, é mencionado como um critério para determinar a responsabilidade, enfatizando que deve haver uma ação intencional para que alguém seja responsabilizado.
  • É ressaltado que se a numeração foi apagada pelo tempo ou por outros fatores não intencionais, não haverá base legal para responsabilização.
  • A necessidade de evidências concretas é sublinhada; sem provas claras de intenção, a responsabilização torna-se difícil.
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Essa aula foi ministrada no Curso OAB Total para XXXI Exame Unificado: https://www.supremotv.com.br/curso-oab-total-para-xxxi-exame-unificado Se você gostou desta aula e quer conhecer os cursos do Supremo, entre em nosso site: www.supremotv.com.br Conheça nossas outras redes sociais: Instagram: https://www.instagram.com/supremotv/ Facebook: https://www.facebook.com/supremo.concursos