O Deus que se fez gente - (Filipenses 2:1-11)
A Encarnação e o Significado do Nascimento de Jesus
Introdução à Carta aos Filipenses
- O apóstolo Paulo aborda a carta aos Filipenses, enfatizando o esvaziamento de Deus Filho para se tornar humano.
- Paulo não menciona o nascimento de Jesus como nos Evangelhos, mas foca no significado profundo da Encarnação e na propiciação pelos pecados.
A Importância do Texto em Filipenses 2:1-11
- Filipenses 2:1-11 é uma passagem central que Paulo usaria para pregar sobre o Natal, destacando a importância do significado do nascimento de Jesus.
- O texto começa com exortações à unidade e humildade entre os membros da igreja, refletindo sobre a comunhão no Espírito.
Humildade e Exemplo de Cristo
- Paulo instrui os filipenses a considerarem os outros superiores a si mesmos, promovendo um espírito de humildade.
- Ele destaca que Cristo, mesmo sendo Deus, se esvaziou e assumiu a forma humana, humilhando-se até a morte na cruz.
A Exaltação de Cristo
- Como resultado da obediência de Cristo, Deus o exaltou e lhe deu um nome acima de todos os nomes.
- A passagem conclui com a declaração que todo joelho se dobrará diante de Jesus e toda língua confessará que Ele é Senhor.
Contexto Histórico da Carta
- Paulo escreveu esta carta enquanto estava preso em Roma aguardando julgamento por acusações feitas pelos judeus.
- Epafrodito trouxe notícias da igreja em Filipos e preocupações sobre contendas entre líderes da igreja.
Exortação à Unidade na Igreja
- Paulo encoraja os filipenses a viverem dignamente e unidos contra adversários do evangelho.
- Ele usa o exemplo de Cristo para ilustrar como a humildade deve ser um modelo nas relações interpessoais dentro da comunidade cristã.
A Alegria de Paulo e a Unidade da Igreja
A Importância da Harmonia na Comunidade
- Paulo expressa seu desejo de que a igreja complete sua alegria, promovendo harmonia entre os membros, conforme mencionado no verso 2.
- Ele enfatiza que essa harmonia não implica uniformidade de pensamento, mas sim um objetivo comum: louvar e servir a Deus.
- O apóstolo deseja que todos na igreja compartilhem o mesmo amor e estejam dispostos a amar uns aos outros, promovendo uma união genuína.
Atitudes Necessárias para a Unidade
- Paulo alerta contra a arrogância e egoísmo, pedindo que nada seja feito por interesse pessoal ou vaidade (verso 3).
- Ele destaca que considerar os outros superiores é uma das atitudes mais desafiadoras para os cristãos (verso 3).
- Essa humildade é essencial para evitar comparações desfavoráveis entre os membros da igreja.
Buscar o Interesse do Próximo
- Cada membro deve ter em vista os interesses dos outros em vez dos seus próprios (verso 4), promovendo um ambiente de cuidado mútuo.
- Paulo ressalta que ser crente envolve desafios elevados; o padrão exigido por Deus é alto e requer esforço contínuo.
O Exemplo de Cristo
- Para alcançar essas virtudes, Paulo sugere que os Filipenses se humilhem diante de Deus e uns dos outros.
- Ele apresenta Cristo como modelo supremo de esvaziamento e busca pelo bem do próximo, exemplificando o verdadeiro espírito natalino.
O Hino do Esvaziamento
- A partir do verso 5 até o verso 11, Paulo introduz o hino da quenose ou do esvaziamento como um exemplo prático dessa humildade.
- Há indícios de que esse hino pode ter sido uma composição anterior utilizada pelos cristãos primitivos.
A Poesia na Escritura e a Humildade de Cristo
A Natureza Poética da Passagem
- A passagem em questão possui características poéticas, sendo identificada por estudiosos como um hino, o que é evidenciado em traduções modernas que alteram o formato do texto.
- Há uma discussão sobre se Paulo compôs esse hino ou se ele já existia antes; essa prática de incorporar poesia em sermões é comum entre pregadores contemporâneos, enriquecendo a mensagem.
- Independentemente da autoria, o hino serve aos propósitos do apóstolo e demonstra que os cristãos do primeiro século não cantavam apenas Salmos, mas também outros hinos cristãos.
Estrutura e Mensagem do Hino
- O hino é estruturado em duas partes: os três primeiros versos celebram a humilhação de Cristo (versos 6 a 8), enquanto os três últimos versículos exaltam sua glória (versos 9 a 11).
- Paulo encoraja os crentes de Filipos a adotarem a mesma mentalidade de Cristo Jesus, promovendo humildade para resolver disputas entre eles.
A Humildade e Direitos de Cristo
- Paulo destaca que Cristo existia eternamente como Deus, mas não considerou sua igualdade com Deus algo a ser retido. Ele tinha direitos divinos, mas optou por abrir mão deles.
- O termo "forma" refere-se à essência divina de Cristo; ele subsistia na natureza de Deus e desfrutava da glória divina antes da encarnação.
O Esvaziamento Voluntário de Cristo
- O plano da salvação exigiu que Cristo assumisse uma natureza humana real para morrer pelo seu povo. Ele fez isso voluntariamente, sem apegar-se à sua divindade.
- Ao invés de reter seus direitos divinos, Cristo demonstrou quatro atitudes que refletem seu esvaziamento e humildade ao vir salvar a humanidade.
Atitudes Cristãs Exemplificadas por Cristo
- As quatro atitudes introduzidas por Paulo mostram como devemos nos relacionar uns com os outros:
- Primeiro: Ele se esvaziou (verso 7), abrindo mão da glória celestial sem abdicar da sua divindade.
- Segundo: Assumiu a forma de servo (verso 7), tornando-se verdadeiramente um servo na essência.
A Encarnação de Cristo e Seu Esvaziamento
O Mistério da Encarnação
- Jesus se esvaziou, humilhou-se e foi enviado pelo Pai para salvar seu povo, mantendo sua essência e glória divina. Este é um erro comum das seitas que isolam textos sem considerar o contexto.
- Antes do nascimento, não podemos chamá-lo de Jesus; ele assume uma natureza humana. Paulo menciona quatro aspectos: esvaziamento, forma de servo, semelhança com humanos.
- A palavra "semelhança" indica que Ele realmente se tornou humano. O esvaziamento não significa que deixou de ser Deus, mas que adicionou a natureza humana à sua divindade.
- A natureza divina não foi transformada em humana; ao contrário, Ele adicionou a natureza humana à sua divindade. Isso resulta no mistério profundo da teologia cristã.
- Cristo é Deus-homem; Ele não abriu mão de sua divindade para assumir a humanidade. Esse é o mistério da encarnação.
A Humildade e Obediência de Cristo
- Paulo descreve como Jesus tomou a atitude de servo e se humilhou em obediência até a morte na cruz (Filipenses 2:8). Essa obediência custou-lhe experimentar a morte.
- O apóstolo Paulo exorta os filipenses a reconhecerem o sacrifício de Jesus: Ele deixou sua glória, assumiu a natureza humana e obedeceu ao Pai até uma morte vergonhosa.
- A ênfase na "morte na cruz" destaca que era uma forma extremamente dolorosa e vergonhosa de execução na época. Cícero descreveu-a como cruel e repugnante.
- Mesmo sendo Deus, Jesus não usurpou seus direitos divinos; ao invés disso, ele se esvaziou desses direitos para assumir limitações humanas como fome e dor.
As Recompensas pela Obediência
- O Natal deve lembrar o verdadeiro significado do esvaziamento de Cristo. Paulo celebra as recompensas recebidas por Jesus após seu sacrifício (Filipenses 2:9–11).
- Primeira recompensa: Deus exaltou Jesus sobremaneira por causa do seu esvaziamento e obediência até à morte na cruz (Filipenses 2:9).
- Exaltação refere-se à ressurreição; Deus elevou Cristo ao lugar mais alto no universo, conferindo-lhe honra suprema sobre toda criação.
- Segunda recompensa: Recebeu um nome acima de todo nome - "Quírios", traduzido como Senhor no Antigo Testamento. Este nome representa autoridade suprema sobre todos os seres criados.
- Terceira recompensa: Todo joelho se dobrará diante do nome de Jesus nos céus, na terra e abaixo da terra (Filipenses 2:10), reconhecendo Sua soberania universal.
A Autoridade de Jesus Cristo
O Nome Acima de Todo Nome
- Paulo menciona que "todo joelho se dobrará" diante do nome de Jesus, enfatizando a autoridade divina que lhe foi conferida por Deus Pai.
- A citação de Isaías 45:23 é aplicada a Jesus, indicando que no dia do juízo, todos reconhecerão sua soberania.
A Confissão Universal
- No dia do juízo, toda a criação, incluindo anjos e homens, confessará que "Jesus Cristo é Senhor", refletindo um momento de reconhecimento universal da divindade de Cristo.
- Algumas pessoas farão essa confissão com alegria, enquanto outras o farão com terror ao perceberem a verdade sobre quem rejeitaram em vida.
O Propósito da Redenção
- A história da redenção é apresentada como uma obra para a glória de Deus Pai; tudo acontece com esse propósito maior em mente.
- A encarnação e sacrifício de Jesus são descritos como ações fundamentais para glorificar Deus Pai.
A Natureza Divina e Humana de Cristo
Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem
- É afirmado que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, desafiando heresias antigas que negavam sua divindade ou humanidade.
- O Concílio de Éfeso declarou Maria como "Mãe de Deus", mas isso se refere à natureza divina do filho dela, não à própria Maria.
Mistério da Encarnação
- O mistério da união das duas naturezas em Cristo (divina e humana) gerou debates na igreja primitiva sobre sua verdadeira identidade.
- A frase "Mãe de Deus" foi mal interpretada ao longo dos séculos, levando à mariolatria entre alguns grupos cristãos.
O Significado da Morte e Ressurreição
Necessidade da Dupla Natureza
- Para que a morte de Cristo tivesse valor redentor para muitos, ele precisava ser tanto divino quanto humano; somente assim poderia representar a humanidade adequadamente.
- Se alguém diferente (como um anjo) morresse no lugar dos humanos, isso não teria valor redentor; portanto, era essencial que ele fosse um homem.
Permanência da Natureza Humana
- Após a ressurreição, Jesus continua sendo plenamente humano e divino; ele mantém seu corpo glorificado eternamente.
- Paulo afirma que há um único mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem. Ele intercede por nós como nosso representante diante do Pai.
A Importância da Encarnação e Ressurreição de Cristo
A Conexão entre Nascimento, Morte e Ressurreição
- O sumo sacerdote perfeito é apresentado como aquele que continua com o mesmo corpo da Ressurreição, destacando a interconexão dos eventos centrais da fé cristã: nascimento, encarnação, morte e ressurreição.
- A encarnação, a morte e a ressurreição de Cristo são eventos indissociáveis na redenção da humanidade; um não pode existir sem o outro. Se Jesus não tivesse nascido, não poderia ter morrido.
- A ideia de que a morte de Cristo foi apenas aparente é refutada; sua ressurreição só foi possível porque ele realmente morreu. Portanto, cada evento está ligado à sua natureza divina.
- Celebrar o Natal vai além do nascimento de Jesus; é essencial reconhecer toda a narrativa do Novo Testamento que explica o significado profundo desse evento.
- O Natal representa apenas uma parte do grande drama da redenção elaborado por Deus. É importante entender as implicações dessa celebração para nossa gratidão e louvor ao Senhor Jesus Cristo.
Reflexões sobre a Celebração do Natal
- A gratidão pela vinda de Jesus deve ser eterna. Devemos reconhecer a sabedoria divina na humilhação de Cristo e louvá-lo como nosso Senhor, lembrando que todos um dia confessarão sua soberania.