Pré-aula - Prática 3   Espectrometria de Absorção Atômica   Determinação de cobre em aguardente

Pré-aula - Prática 3 Espectrometria de Absorção Atômica Determinação de cobre em aguardente

Introdução ao Experimento de Absorção Atômica

Contexto do Experimento

  • O vídeo apresenta a terceira aula experimental, focando na determinação de cobre por absorção atômica em amostras de água ardente.
  • Antes do experimento, são relembrados conceitos fundamentais da técnica de absorção atômica, que foram estudados anteriormente.

Princípios da Técnica

  • A técnica envolve várias etapas: evaporação do solvente, vaporização das espécies químicas e dissociação dos compostos presentes como sais.
  • Os átomos atomizados podem absorver energia para excitar elétrons, retornando rapidamente ao estado fundamental e emitindo radiação eletromagnética.

Diferenças entre Emissão e Absorção Atômica

Espectros e suas Características

  • A técnica de emissão atômica é limitada a alguns metais alcalinos; já a absorção permite detectar um número maior de elementos.
  • Na espectrometria de absorção atômica, um feixe de radiação atravessa a chama onde os átomos estão presentes. Se o comprimento de onda coincidir com uma transição eletrônica do elemento, ocorre absorção.

Tipos de Espectros

  • Um espectro contínuo é gerado por fontes que emitem luz em uma faixa ampla; enquanto o espectro de linhas é característico dos elementos excitados.
  • O espectro de absorção apresenta linhas escuras correspondentes aos comprimentos que foram absorvidos pelos átomos no caminho ótico.

Vantagens da Absorção Atômica

Quantificação e Curvas de Calibração

  • A técnica permite determinar aproximadamente 65 elementos diferentes e segue a lei de Beer-Lambert.
  • A quantidade de radiação absorvida é proporcional à concentração do elemento na amostra, permitindo construir curvas para quantificação.

Componentes do Espectrômetro

Estrutura do Instrumento

  • O espectrômetro possui componentes principais: câmera de nebolização, chama para atomização e fonte de radiação específica.
  • Inclui um sistema ótico com monocromadores para selecionar o comprimento desejado e um detector (geralmente tubo fotomultiplicador).

Processamento dos Dados

  • O sistema eletrônico processa os sinais detectados convertendo-os em valores de absorvância para cálculos quantitativos.

Espectrometria de Absorção Atômica e Tipos de Chamas

Características dos Sistemas de Atomização

  • Os sistemas de geração de vapor e técnicas especializadas possuem características, vantagens e limites distintos. Instrumentos baseados em forno de grafite são mais sensíveis que os sistemas de chama, permitindo limites de detecção mais baixos.
  • Sistemas de atomização em chama são comuns em laboratórios didáticos e aplicações industriais, utilizando uma chama laminar onde a radiação atravessa a região da atomização.

Tipos de Chamas Utilizadas

  • As chamas utilizadas na espectrometria incluem ar acetileno (temperatura ~2.500ºC) e óxido nitroso-acetileno (até 3.200ºC). O tipo de chama influencia os fluxos de combustível e oxidante.
  • Queimadores variam em comprimento; queimadores longos aumentam o caminho ótico, melhorando a sensibilidade. Queimadores curtos são usados para estabilidade térmica com óxido nitroso-acetileno.

Classificação das Chamas

  • As chamas podem ser classificadas como estequiométricas, redutoras ou oxidantes, dependendo da relação entre combustível e oxidante. Cada tipo apresenta diferentes temperaturas e características químicas.
  • Chamas estequiométricas têm proporções equilibradas entre combustível e oxidante, sendo as mais estáveis para análises comuns (ex: cobre, zinco).

Aplicações das Chamas Redutoras

  • Chamas redutoras têm excesso de combustível, apresentando coloração amarelada. São úteis para elementos que formam óxidos refratários estáveis (ex: berílio, magnésio).
  • A utilização dessas chamas minimiza a formação dos óxidos refratários que dificultam a atomização do elemento analisado.

Análise com Chamas Oxidantes

  • Em chamas oxidantes há excesso de oxidante; elas são quentes e estáveis com coloração azul intensa. São adequadas para elementos que volatilizam facilmente (ex: alumínio, silício).
  • O processo de atomização pode variar conforme o elemento analisado; alguns requerem mecanismos específicos envolvendo formação ou dissociação de óxidos.

Importância da Altura da Observação na Chama

  • A altura ideal da observação na chama é crucial; deve-se ajustar a posição do feixe para atravessar regiões com maior concentração atômica do elemento analisado.
  • Diferentes elementos apresentam alturas ideais distintas; ajustes cuidadosos são necessários para cada análise específica.

Câmara de Nebulização

  • Antes da chama, existe uma câmara que transforma amostras líquidas em aerossol através do efeito venturi; um fluxo rápido gera baixa pressão aspirando a amostra líquida.
  • O funcionamento adequado dessa câmara é essencial para garantir uma introdução eficiente da amostra na análise espectrométrica.

Análise da Atomização e Fontes de Radiação em Espectrometria

Importância da Atomização Eficiente

  • A atomização eficiente na chama é crucial para a análise, exigindo gotículas muito pequenas no sistema.
  • A câmara de nebolização retém gotas maiores, permitindo que apenas 5 a 10% da amostra chegue à chama.

Pérola de Impacto e Ajustes Experimentais

  • A pérola de impacto atua como um obstáculo que fragmenta o líquido em gotículas menores, melhorando a qualidade do aerossol.
  • O posicionamento dessa pérola deve ser ajustado experimentalmente, pois depende das propriedades da amostra (viscosidade, tensão superficial).

Fontes de Radiação em Espectrômetros

  • Existem duas principais fontes de radiação: contínuas (ex: lâmpadas de arco de xenônio) e fontes de linhas espectrais (ex: lâmpadas HCL e EDL).
  • As lâmpadas de cátodo oco são as mais comuns devido ao seu custo acessível, versatilidade e boa sensibilidade analítica.

Funcionamento das Lâmpadas de Cátodo Oco

  • As lâmpadas podem ser específicas para um único elemento ou multielementares, dependendo do cátodo utilizado.
  • O processo conhecido como sputtering ocorre quando íons excitados colidem com o cátodo, liberando átomos metálicos que se tornam gasosos.

Emissão Espectral e Seleção do Comprimento de Onda

  • Cada elemento químico possui várias linhas espectrais; durante a análise, escolhe-se a linha com maior intensidade para melhor sensibilidade analítica. Exemplo: cobre tem uma linha em aproximadamente 324,7 nm.
  • Um monocromador é utilizado para selecionar o comprimento de onda desejado antes que a radiação atravesse a chama. Isso garante uma resolução espectral alta (cerca de 0,5 nm).

Detecção e Amplificação do Sinal

  • O tubo fotomultiplicador é o detector mais comum nos espectrômetros; ele amplifica sinais através do efeito fotoelétrico e multiplicação em cascata dos elétrons gerados.
  • Essa amplificação resulta em alta sensibilidade e capacidade detectiva, permitindo medir variações sutis na intensidade da radiação.

Análise da Concentração de Cobre em Cachaça

Objetivo do Experimento

  • O objetivo do experimento é determinar a concentração de cobre em amostras de cachaça, regulamentada no Brasil pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com um limite permitido de 5 mg/L.
  • O cobre pode estar presente na cachaça devido ao contato com alambiques de cobre durante o processo de destilação, tornando essa análise relevante para controle de qualidade.

Métodos Analíticos Utilizados

  • Serão utilizados dois métodos analíticos: padronização externa e adição de padrão. A padronização externa envolve preparar uma curva de calibração e medir a absorbância das soluções padrão.
  • Para a quantificação, será preparada uma solução padrão de cobre com concentração inicial de 100 mg/L a partir de uma solução estoque de 1000 mg/L. Os cálculos necessários devem ser realizados para preparar 10 ml dessa solução.

Preparação da Solução Hidroalcoólica

  • A solução padrão não será diluída apenas em água; será utilizada uma solução hidroalcoólica com aproximadamente 40% de etanol para simular melhor a matriz da cachaça e reduzir efeitos indesejados.
  • Após preparar a solução hidroalcoólica e o padrão, os padrões da curva serão feitos transferindo volumes específicos (250, 500, 750 e 1000 microl) para balões volumétricos completando com a mesma solução hidroalcoólica.

Medições e Construção da Curva

  • As medições começam pela leitura do branco (solução hidroalcoólica), seguidas pelas leituras dos padrões utilizando um comprimento de onda específico (324,7 nm) correspondente ao cobre.
  • Com as absorbâncias medidas dos padrões e da amostra, é possível construir a curva que relaciona absorbância à concentração do analito na amostra analisada. Um exemplo hipotético ilustra esse cálculo usando dados fictícios obtidos nas medições.

Método Alternativo: Adição de Padrão

  • O método alternativo discutido é o método de adição de padrão que requer diferentes balões volumétricos devido ao consumo da amostra durante as medições por absorção atômica. Cada balão conterá porções distintas da amostra adicionadas com quantidades crescentes do padrão.
  • No experimento prático serão utilizados cinco balões volumétricos onde cada um receberá quantidades específicas do padrão (de nenhum até 1 ml). Após isso, todos os balões devem ser completados até o volume final desejado antes das medições no espectrômetro.

Cálculo da Concentração de Cobre na Amostra

Equação da Reta e Interceptação

  • A equação da reta obtida para a absorbância é: Absorbância = 0,120 * Concentração + 0,240.
  • A concentração da amostra é determinada pelo ponto em que a reta intercepta o eixo de concentração, ou seja, quando a absorbância é igual a zero.

Cálculo da Concentração

  • A concentração inicial calculada foi de aproximadamente 2,0 mg/L.
  • Considerando uma diluição da amostra original (20 ml para um volume final de 25 ml), o fator de diluição é 25/20.

Ajuste para Concentração Original

  • Para encontrar a concentração na amostra original de cachaça, multiplica-se a concentração encontrada pelo fator de diluição: Concentração Final = 2 mg/L x (25/20).
  • O resultado final é aproximadamente 2,50 mg/L, que deve ser utilizado durante os cálculos práticos nos métodos abordados.