O que está em jogo no projeto 2630, o PL das fake news

O que está em jogo no projeto 2630, o PL das fake news

Projeto de Lei das Fake News

Neste vídeo, Mariana Schreiber da BBC News Brasil em Brasília, explica seis pontos polêmicos envolvendo o chamado PL das Fake News.

Moderação de conteúdo nas redes sociais

  • Atualmente, as big techs não têm responsabilidade pelo conteúdo compartilhado pelos usuários das plataformas sociais.
  • Com a aprovação do PL das fake news, as redes sociais passariam a ser responsabilizadas por eventuais conteúdos que se enquadrem em alguns tipos de crime previstos na lei brasileira.
  • As big techs argumentam que uma lei desse teor estimularia a remoção de qualquer tipo de polêmica, inclusive conteúdo legítimo.

Fiscalização do que deve ser retirado ou não das redes sociais

  • Críticos dizem que se essa fiscalização ficar a cargo do governo, pode virar uma ferramenta de censura estatal.
  • O relator da proposta negocia com seus colegas para que a fiscalização fique à cargo da Anatel, mas muitos especialistas acham que ela não tem capacidade técnica para essa atribuição.

Proteção extra às postagens em redes sociais feitas por parlamentares eleitos

  • O projeto de lei oferece uma proteção extra às postagens em redes sociais feitas por parlamentares eleitos.
  • Defensores da medida dizem que ela não expande a imunidade já prevista nos termos da Constituição, apenas reitera que as proteções existentes valem também para as manifestações digitais.

Pagamento às empresas jornalísticas pelo conteúdo noticioso

  • O projeto de lei prevê que as big techs paguem às empresas jornalísticas pelo conteúdo noticioso que circular nas suas plataformas.
  • A ANJ argumenta que isso é justo e necessário para garantir a sobrevivência do jornalismo profissional.

Responsabilidade das big techs por conteúdos enganosos

  • Críticos dizem que o PL2630 não será eficiente contra conteúdo enganoso e pode acabar incentivando a censura de informações.
  • Já quem defende essa rigidez lembra que esse trecho da proposta brasileira é inspirado em uma legislação que já vigora na União Europeia.

Adiamento da votação do projeto

  • O próprio relator do projeto pediu para que a votação fosse adiada, até haver mais chance de aprovação.

O Projeto de Lei das Fake News

Nesta seção, a jornalista discute o Projeto de Lei das Fake News que está em discussão na Câmara dos Deputados há três anos. Ela destaca os principais pontos do projeto e as preocupações levantadas pelas plataformas digitais.

Definição clara sobre conteúdo jornalístico

  • A Meta, dona do Facebook, diz que falta uma definição clara sobre o que é conteúdo jornalístico.
  • Isso pode levar a um aumento da desinformação e não o contrário.
  • Pessoas mal intencionadas podem se passar por jornalistas para publicar informações falsas nas plataformas.
  • As plataformas podem ser forçadas a pagar por isso.

Remuneração de conteúdo protegido por direitos autorais

  • O projeto prevê novas regras para remuneração de conteúdo protegido por direitos autorais, como músicas e obras de ficção.
  • Artistas reclamam que sua produção artística fica eternamente disponível em plataformas digitais sem que eles recebam por isso.
  • Esse ponto dependeria de uma regulamentação à parte, que promete ser bastante complexa.
  • As plataformas reclamam que a forma como o PL estabelece essas remunerações obrigatórias pode inviabilizar a oferta de serviços gratuitos.

Embate entre governo e as plataformas

  • Sob ameaça de multas pesadas e mais obrigações quanto à moderação de conteúdo, as gigantes de tecnologia têm feito forte oposição ao projeto.
  • A Google, especificamente, ganhou grandes proporções na oposição ao projeto.
  • A Secretaria Nacional do Consumidor acusou a empresa de praticar propaganda enganosa e fixou uma multa de 1 milhão de reais por hora caso o link continuasse no ar sem um alerta de seria conteúdo publicitário da própria plataforma.
  • A Google negou irregularidades, mas a página inicial do buscador deixou de exibir o link.

Preocupações com as fake news

  • O projeto ganhou novo fôlego depois dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
  • Notícias falsas sobre a eleição presidencial de 2022 serviram como combustível para a invasão dos três Poderes.
  • Mensagens de ódio que circulam em redes sociais estariam estimulando os recentes ataques em escolas.
  • O governo Lula defende o projeto e sua eventual votação na Câmara é vista como um teste importante para a capacidade do presidente em formar uma base no Congresso.
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A Câmara dos Deputados avalia um amplo — e controverso — projeto de lei que busca reforçar a regulamentação e fiscalização sobre plataformas digitais, como redes sociais, aplicativos de trocas de mensagens e ferramentas de busca. O texto estava previsto para ser votadoem 2 de maio, mas foi adiado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) para evitar uma derrota do governo. Popularmente conhecida como PL das Fake News ou PL 2630, a proposta pretende instituir a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. Neste vídeo, nossa repórter Mariana Schreiber explica 6 pontos de polêmicas envolvendo o projeto, que abriu uma disputa com as grandes empresas de tecnologia. Reportagem em texto: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cyeyxje7r9go Curtiu? Inscreva-se no canal da BBC News Brasil! E se quiser ler mais notícias, clique aqui: https://www.bbcbrasil.com