Semana 07 Avaliação funcional do idoso frágil parte 2

Semana 07 Avaliação funcional do idoso frágil parte 2

Avaliação Funcional do Paciente Idoso

Introdução à Avaliação Funcional

  • A segunda parte da avaliação funcional do paciente idoso é discutida, com foco em um passo a passo para a realização dessa avaliação.
  • A importância de uma escuta qualificada e comunicação efetiva com o paciente idoso é enfatizada, destacando a necessidade de perguntas abertas e paciência.

Passo a Passo da Avaliação

  • O processo de triagem deve incluir uma consulta longitudinal, onde não é necessário realizar todas as avaliações em uma única visita.
  • Sugestões para triagem incluem verificar a visão do paciente, questionando se ele enxerga bem e identificando possíveis problemas como catarata ou glaucoma.

Avaliação Sensorial

  • A avaliação da visão pode ser feita através de testes como Snellen ou Jagger; caso haja alterações, encaminhar para um oftalmologista.
  • Perguntar sobre a audição do paciente é crucial; muitos idosos apresentam hipocusia. Testes simples como o teste do sussurro podem ser utilizados na triagem.

Testes Funcionais

  • Para avaliar a articulação dos ombros, recomenda-se que o paciente coloque a mão na nuca. Isso ajuda a identificar limitações funcionais comuns entre idosos.
  • O teste "get up and go" é sugerido para avaliar a marcha do paciente. O ideal é que o idoso consiga levantar-se e caminhar 5 metros em até 10 segundos.

Considerações Finais sobre Triagens

  • É importante observar como o paciente realiza os testes, pois isso pode indicar sua funcionalidade geral e necessidades específicas de tratamento.

Avaliação Funcional de Pacientes Idosos

Avaliação Inicial do Paciente

  • A avaliação começa com o paciente se levantando da cadeira e caminhando até a maca, onde são observadas as articulações principais: tornozelo, joelho e quadril. Isso é crucial para identificar possíveis problemas como osteoartrite.
  • A força muscular é avaliada, especialmente na musculatura anterior da coxa e panturrilha, que são essenciais para a funcionalidade ao se levantar. A sarcopenia pode levar à hipotrofia muscular em idosos.

Observação da Marcha

  • Durante o teste de marcha, observa-se o tipo de marcha do paciente (arrastada ou desequilibrada) e sinais de tonteira ou hipotensão postural. Essas observações ajudam a entender a funcionalidade do paciente.
  • É importante acompanhar o paciente durante todo o trajeto para evitar quedas, garantindo segurança durante a avaliação da marcha.

Avaliação de Quedas

  • Após avaliar a marcha, realiza-se uma pergunta ativa sobre quedas passadas, pois muitos idosos não relatam espontaneamente suas quedas por constrangimento ou diminuição da funcionalidade. Perguntas específicas ajudam a obter informações relevantes sobre incidentes anteriores.
  • A circunstância das quedas é analisada; por exemplo, um idoso robusto que tropeçou em uma mangueira tem um risco diferente comparado a um que caiu ao levantar-se devido à tonteira ou incontinência urinária. Isso ajuda na identificação dos fatores de risco associados às quedas.

Fatores Ambientais e Risco

  • Avaliar o ambiente do idoso é fundamental; isso inclui verificar se há escadas, iluminação adequada e pisos escorregadios que possam contribuir para quedas. Uma visita domiciliar seria ideal para essa avaliação, mas quando não possível, perguntas detalhadas podem ser feitas ao idoso sobre seu lar.
  • Identificar fatores de risco permite intervenções adequadas no ambiente do idoso, como instalação de barras de proteção ou remoção de obstáculos perigosos. Essas mudanças podem reduzir significativamente os riscos de queda no dia-a-dia do paciente idoso.

Avaliação Cognitiva

  • O estado mental também deve ser avaliado através de perguntas gatilho sobre esquecimentos recentes; muitas vezes os familiares trazem essas preocupações à tona durante as consultas médicas após questionamentos diretos ao paciente sobre sua memória recente.
  • O Mini Exame do Estado Mental é uma ferramenta clássica utilizada na atenção primária para avaliar diversos domínios cognitivos como orientação temporal e espacial, memória e organização do pensamento; sua pontuação varia conforme nível educacional do paciente (27 pontos para pós-graduação).

Avaliação de Idosos e Instrumentos de Diagnóstico

Importância da Avaliação Cognitiva

  • A avaliação inicial envolve solicitar ao paciente que nomeie frutas e animais, evitando repetições. Isso ajuda a avaliar a memória, especialmente em casos de demência como o Alzheimer.
  • O teste é utilizado para identificar alterações precoces na memória, com cortes baseados na escolaridade do paciente.

Triagem do Humor e Depressão

  • Perguntas sobre sentimentos de tristeza ou desânimo são essenciais. Respostas afirmativas indicam necessidade de atenção.
  • Sugere-se a aplicação da Escala de Depressão Geriátrica para identificar sintomas depressivos, embora não substitua um diagnóstico formal.

Incontinência Urinária em Idosos

  • É importante fazer perguntas ativas sobre incontinência urinária, já que muitos idosos podem se sentir constrangidos em relatar esse problema.
  • Identificar o tipo de incontinência (urgência ou sobrefluxo) é crucial para determinar as causas e possíveis intervenções.

Avaliação Nutricional

  • Perguntar sobre perda de peso significativa nos últimos anos é fundamental. Investigar as razões por trás dessa perda pode revelar problemas subjacentes.
  • A avaliação nutricional deve considerar fatores como apetite, alterações no humor e consciência do paciente.

Avaliação Social e Carga do Cuidador

  • Identificar quem cuida do idoso é essencial; anotar contatos familiares ajuda na continuidade dos cuidados.
  • A carga do cuidador deve ser avaliada usando escalas apropriadas, como a escala de Zaret, especialmente se o idoso apresenta dependência funcional.

Ferramentas Adicionais para Avaliação

  • O IBSF pode ser usado para avaliar vitalidade e fragilidade em idosos com critérios específicos.
  • Recomenda-se realizar avaliações funcionais por etapas devido à limitação de tempo nas consultas médicas.

Considerações Finais sobre Escalas

  • Para pacientes em atenção domiciliar, a escala Ribeiro Fiúza é útil para avaliar multimorbidade e outros aspectos relevantes da saúde do idoso.