Como participar da construção da cidade?

Como participar da construção da cidade?

A Participação do Cidadão no Planejamento Urbano

A Evolução da Linguagem do Cidadão

  • O homem brasileiro tem aprendido gradualmente a usar uma linguagem de direitos, em vez de uma linguagem de favor, que historicamente era mais comum.
  • Atualmente, há instrumentos legais na Constituição Brasileira e no Estatuto da Cidade que garantem a participação dos cidadãos nos processos decisórios.

Instrumentos de Participação Popular

  • Os cidadãos podem utilizar a Iniciativa Popular de Lei para elaborar e apresentar projetos à Câmara Municipal.
  • Referendos e plebiscitos são outros instrumentos previstos na Constituição que permitem a participação direta da população nas decisões políticas.
  • A participação das associações sociais é vista como um meio com grande potencial transformador no processo decisório urbano.

Importância da Mobilização Social

  • A mobilização popular é essencial para influenciar as decisões sobre o desenvolvimento urbano, incluindo audiências públicas e consultas à população.
  • Em São Paulo, houve um intenso processo participativo com mais de 62 audiências públicas durante a elaboração do plano diretor.

Transparência e Coletividade no Planejamento

  • O planejamento urbano deve ser inclusivo, refletindo os interesses da maioria da população e não apenas de pequenos grupos.
  • A luta por participação vai além da forma; busca influenciar efetivamente os conteúdos dos planos urbanos.

Exemplos Práticos de Participação

  • O orçamento participativo é um exemplo bem-sucedido onde a sociedade discute prioridades para o município.
  • Em Belterra, as comunidades discutem quais investimentos são prioritários, como melhorias na agricultura ou construção de escolas.

Histórias de Luta e Conquista na Periferia do Rio de Janeiro

A História da Associação de Moradores do Benguí

  • A periferia do Rio de Janeiro, especialmente a Baixada Fluminense, possui uma longa trajetória de lutas e conquistas sociais, destacando-se a atuação da associação de moradores do Benguí desde a década de 80.
  • Desde 2008, intensificou-se a luta pela regularização fundiária e moradia digna, com a associação desempenhando um papel crucial em informar os moradores sobre o andamento dos processos relacionados à habitação.
  • A união entre os moradores é vista como fundamental para enfrentar o poder público e garantir direitos sociais, promovendo uma cidade mais igualitária e justa.

Direitos à Cidade e Moradia

  • O processo de conscientização social é essencial para que os cidadãos reconheçam seus direitos à cidade e à moradia, lutando não apenas pela conquista desses direitos, mas também por sua manutenção e ampliação.
  • É necessário garantir acesso não só à moradia, mas também a infraestrutura adequada e serviços essenciais para todos.

Participação Popular no Saneamento Básico

  • O plano municipal de saneamento básico em Tucumã foi elaborado participativamente, envolvendo diretamente a população nas discussões sobre suas necessidades cotidianas relacionadas ao saneamento.
  • As leis devem ser adaptadas às realidades vividas pelas comunidades; mobilizações podem levar à mudança legislativa necessária para atender as demandas populares.

Desafios da Mobilização Coletiva

  • A organização popular foi capaz de mudar legislações que antes impediam avanços na habitação social; isso demonstra o poder da mobilização coletiva na busca por direitos.
  • No entanto, há desafios atuais em manter essa mobilização coletiva em Santa Marta devido ao aumento da individualização entre os moradores.

Reflexões sobre o Futuro das Comunidades

  • Há preocupações sobre como as dinâmicas atuais estão fragmentando as lutas coletivas em Santa Marta; muitos buscam oportunidades individuais em vez de fortalecer ações comunitárias.
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O episódio mostra as diversas maneiras de participação nas decisões ligadas ao planejamento das cidades. Além disso, apresenta exemplos de participação que obtiveram sucesso como na aprovação do Plano Diretor de São Paulo. Em Belterra, no Pará, a participação popular foi fundamental na criação e implementação de diversas leis, especialmente a do Orçamento participativo. Lá, antes de se gastar os recursos, os representantes se reúnem no Conselho da Cidade para escolher o que vai ser feito com o dinheiro. Um exemplo bem representativo de que é possível participar das decisões governamentais. Ainda no Pará, em Belém, uma associação de moradores faz a diferença e ajuda na regulamentação fundiária da comunidade. Cada vez mais as pessoas estão percebendo a importância da participação. Outro exemplo é o de Tucumã, no sul do Pará. Lá a população se reuniu durante meses para debater sobre o Plano de Saneamento do município. E no Rio de Janeiro, um grupo que ocupou um prédio do INSS, vazio há 10 anos, acabou conseguindo através da luta popular, acrescentar à lei que trata da habitação de interesse social, a possibilidade de conseguir financiamento para compra do prédio.