ESTRUTURA E FUNÇÃO DA MEDULA ESPINAL - PARTE 1

ESTRUTURA E FUNÇÃO DA MEDULA ESPINAL - PARTE 1

Estrutura da Medula Espinal

Introdução ao Caso Clínico

  • O caso clínico apresentado envolve um homem de 27 anos com perda de sensibilidade no membro inferior esquerdo e paralisia no membro inferior direito, resultado de ferimento por arma branca após uma briga.
  • Os achados do exame físico incluem: perda da propriocepção e do tato no membro inferior direito, monoplegia no membro inferior direito e perda da sensibilidade dolorosa e térmica no membro inferior esquerdo.

Localização e Nível da Lesão

  • As perguntas levantadas são sobre a localização da lesão, o nível em que se encontra e quais estruturas estão envolvidas. Essas questões serão exploradas ao longo da aula.
  • A medula espinal é parte do sistema nervoso central, composta por substância branca (perifericamente) e substância cinzenta (no centro). A concentração de substância cinzenta é maior nas regiões cervical, lombar e sacral em comparação à torácica.

Intumescências na Medula Espinal

  • As intumescências na medula espinhal são causadas pela maior densidade de neurônios nessas regiões: cervical (plexo cervical e braquial) para inervação do pescoço e membros superiores; lombar (plexo lombar) para os membros inferiores.
  • A presença de plexos coccígeos também é mencionada, que cuidam dos movimentos dos membros inferiores e região perineal.

Densidade das Fibras Nervosas

  • Observa-se uma maior densidade de fibras nas porções superiores da medula em comparação às inferiores devido ao tráfego ascendente (sensibilidade) e descendente (motricidade). Isso resulta em uma maior concentração de substância branca nas regiões cervicais.
  • As fibras mais inferiores precisam trafegar toda a medula para alcançar as regiões sacrais, enquanto as cervicais têm uma quantidade significativa de fibras devido à sua função motora e sensitiva abrangente.

Estruturas Anatômicas da Medula Espinal

  • Cortes realizados na intumescência cervical mostram a coluna posterior como responsável pelas informações sensitivas, enquanto a coluna anterior cuida das funções motoras através dos motoneurônios.
  • A substância cinzenta intermédia inclui colunas laterais nos segmentos torácicos e lombares altos (L1-L2), onde há uma maior densidade neuronal nesta região específica.

Classificação dos Neurônios Medulares

Estruturas e Funções dos Neurônios

Tipos de Neurônios

  • Os neurônios são classificados em duas ordens: radiculares e cordonais. Os neurônios radiculares transportam informações viscerais e somáticas, enquanto os cordonais são neurônios de projeção que se estendem além do órgão em questão.
  • O sistema nervoso central é composto pela medula espinhal, tronco encefálico, cerebelo e cérebro, que se divide em diencéfalo e telencéfalo.

Neurônios Cordonais

  • Os neurônios cordonais formam tratos e fascículos, como o trato espinotalâmico lateral, que projeta-se da medula espinal para o tálamo.
  • Existem também neurônios de associação que operam dentro da medula ou tronco encefálico, conectando segmentos medulares.

Neurônios Radiculares

  • Os neurônios pré-ganglionares motores viscerais localizam-se na coluna anterior da medula espinhal e projetam-se para gânglios simpáticos ao longo da coluna vertebral.
  • O trajeto dos neurônios radiculares envolve a passagem pela raiz anterior até um gânglio autonômico antes de inervar órgãos como a musculatura lisa do intestino delgado.

Inervação Visceral

  • A inervação é realizada por neurônios motores autonômicos que controlam a musculatura lisa e estriada cardíaca, além de glândulas.
  • Neurônios motores viscerais não simpáticos estão envolvidos em processos como a continência urinária e a inervação de órgãos pélvicos.

Inervação Somática

  • Os neurônios somáticos cuidam da inervação dos músculos estriados esqueléticos, com localização na coluna anterior da medula espinhal.
  • Existem dois tipos principais de motoneurônios: alfa (que inervam fibras extrafusais para contração muscular) e gama (que inervam fibras intrafusais relacionadas ao tônus muscular).

Conclusão sobre Neurônio Alfa e Gama

  • As fibras intrafusais estão diretamente ligadas ao controle do tônus muscular; seu grau de tensão determina a contração muscular efetiva.

Estruturas e Funções da Medula Espinhal

Neurônios Cordonais e suas Funções

  • Os cordões da medula espinhal são formados por funículos que transportam tratos e fascículos, permitindo o fluxo de informações ascendentes e descendentes.
  • Neurônios de projeção se conectam ao tálamo e cerebelo, sendo essenciais para a transmissão de informações entre a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central.
  • Os neurônios cordonais podem seguir trajetos laterais ou cruzar na medula espinhal (decussação), resultando em neurônios contralaterais.

Tipos de Neurônios Cordonais

  • Existem também neurônios cordonais de associação, que podem ser bilaterais ou contralaterais, facilitando a comunicação entre diferentes segmentos da medula.
  • O fascículo próprio é o maior fascículo de associação na medula espinhal, ajudando na coordenação dos reflexos intersegmentares.

Reflexos Intersegmentares

  • Um exemplo prático é o reflexo de retirada: ao pisar em um objeto, ocorre uma flexão das articulações coxofemoral e do joelho para evitar dor.
  • Esse processo envolve múltiplos segmentos medulares e requer a inibição dos músculos antagonistas para permitir a retirada eficiente do membro.

Interneurônios na Medula Espinhal

  • Os interneurônios curtos estão localizados na substância cinzenta da medula espinhal, conectando vias aferentes com neurônios motores.
  • As células de Rangel são um tipo específico de interneurônio que desempenha um papel crucial na modulação da atividade motora.

Organização da Substância Cinzenta

  • A substância cinzenta da medula espinhal é organizada em lâminas que estão relacionadas com funções sensitivas ou motoras específicas.

Estrutura e Função da Medula Espinhal

Divisão Funcional da Medula Espinhal

  • A medula espinhal é dividida em segmentos que incluem a substância gelatinosa, crucial para a percepção de dor, temperatura e tato protopático.
  • A substância gelatinosa está presente em toda a extensão da medula espinhal, abrangendo os segmentos cervical, torácico, lombar, sacral e coccígeo.

Núcleos Sensitivos

  • O núcleo próprio (representado em verde) também se estende por toda a medula e é responsável pela sinestesia e sensibilidade vibratória.
  • O núcleo dorsal da coluna de Clark está associado à propriocepção inconsciente, recebendo informações dos fusos neuromusculares e órgãos neurotendinosos.

Propriocepção e Regulação Motora

  • A propriocepção inconsciente não é percebida conscientemente; ela regula a atividade motora através do cerebelo.
  • Os núcleos aferentes viscerais localizam-se na base da coluna posterior da medula espinhal, relacionados à distensão das paredes dos órgãos.

Organização das Lâminas

  • As lâminas 1 a 4 são áreas receptoras sensoriais onde terminam neurônios das fibras exteroceptivas relacionadas à sensibilidade térmica e dolorosa.
  • As lâminas 5 e 6 estão vinculadas às informações proprioceptivas tanto conscientes quanto inconscientes que vão para o cerebelo.

Neurônios Motores na Coluna Anterior

  • Na coluna anterior da medula espinhal encontram-se neurônios motores organizados em grupos medial e lateral; o grupo medial inerva músculos do esqueleto axial.