MENINGES E CIRCULAÇÃO LIQUÓRICA - PARTE 3

MENINGES E CIRCULAÇÃO LIQUÓRICA - PARTE 3

Estruturas do Sistema Nervoso Central

Anatomia do Córtex Cerebral

  • O córtex cerebral é composto por substância cinzenta e branca, localizado no telencéfalo, associado ao sistema nervoso central.
  • A lâmina externa do crânio é o periósteo, enquanto a lâmina interna está relacionada à gálea aponeurótica e ao couro cabeludo.

Espaços e Membranas

  • O espaço subaracnóideo contém líquido cefalorraquidiano (LCR), que é drenado pelas granulações aracnóideas para os seios da dura-máter.
  • O plexo coroide, localizado nos ventrículos laterais, é responsável pela produção de aproximadamente 80% do LCR.

Circulação do Líquido Cefalorraquidiano

  • O LCR flui dos ventrículos laterais para o terceiro ventrículo através do forame interventricular.
  • Do terceiro ventrículo, o LCR passa pelo duto mesencefálico até o quarto ventrículo, onde há aberturas que permitem a drenagem para o espaço subaracnóideo.

Cisternas e Seios Venosos

  • As cisternas são espaços ampliados no espaço subaracnóideo; a cisterna magna é uma das maiores e está associada ao cerebelo.
  • Existem várias cisternas externas como a cisterna pontina e interpeduncular, importantes na anatomia clínica.

Drenagem Venosa

  • As granulações aracnóideas também desempenham um papel na drenagem venosa do sistema nervoso central.

Anatomia e Drenagem do Sistema Nervoso Central

Conexões Nervosas e Proteção da Medula Espinhal

  • A conexão das raízes nervosas, tanto anteriores quanto posteriores, é crucial para a manutenção da posição da medula espinhal. A dura-máter protege os nervos espinhais até uma certa distância.

Granulações Aracnóideas e Drenagem Venosa

  • As granulações aracnóideas são escassas na medula, mas desempenham um papel importante na drenagem venosa, projetando-se para o seio sagital superior.

Ventrículos Laterais e Plexo Coroide

  • Os ventrículos laterais contêm o plexo coroide, que é essencial para a produção de líquido cefalorraquidiano. O forame interventricular conecta os ventrículos laterais ao terceiro ventrículo.

Sistema Venoso do Crânio

  • O sistema venoso inclui seios como o transverso e sigmoide, que drenam para a veia jugular interna. O seio petroso inferior drena do seio cavernoso.

Relações entre Seios Cavernosos e Nervos Cranianos

  • O seio esfenoparietal localiza-se nas margens posteriores do esfenóide e recebe a veia cerebral média superficial. Essa veia drena para o seio cavernoso.

Importância Clínica dos Nervos no Seio Cavernoso

  • Dentro do seio cavernoso, além da artéria carótida interna, estão presentes vários nervos cranianos (III, IV, VI e ramos V1 e V2). A compressão desses nervos pode ocorrer em casos de aneurismas da artéria carótida interna.

Anatomia e Funções do Sistema Nervoso

Estruturas Vasculares e Drenagem

  • O seio cavernoso é uma estrutura importante que contém nervos e está associado a uma sintomatologia característica. É mencionado o seio transverso, sigmoide e a veia jugular interna.
  • A drenagem do seio cavernoso envolve várias estruturas, incluindo os seios petrosos superior e inferior, além da veia jugular interna.
  • A veia de Galeno é destacada como uma parte crucial na drenagem venosa cerebral, conectando-se ao sistema vascular do cérebro.

Cisterna Magna e Procedimentos Clínicos

  • A cisterna magna é um espaço subaracnóideo relevante para procedimentos clínicos, como punções lombares. É importante entender sua localização em relação ao quarto ventrículo.
  • A medula espinhal não ocupa todo o canal vertebral; termina entre as vértebras L1 e L2 no adulto, onde também se localiza o cone medular.

Coleta de Líquido Cefalorraquidiano

  • Durante a coleta de líquido cefalorraquidiano (LCR), perfura-se o ligamento interespinhoso até alcançar o espaço extradural peridural.
  • O espaço epidural não contém líquido; o LCR está presente no espaço subaracnóideo mais profundo. O médico deve observar as características do líquido durante a coleta.

Análise do Líquido Cefalorraquidiano

  • Após a coleta, é essencial que o paciente permaneça em repouso com hidratação forçada para evitar complicações como cefaleias pós-punção.
  • A dinâmica do espaço pode ser afetada pela gravidade após a punção, levando à dor de cabeça devido ao contato do encéfalo com as meninges.

Características Normais e Anormais do LCR

  • Três tubos são coletados: um para análise bioquímica, outro para microbiológica e um terceiro para citologia. O aspecto normal do LCR é incolor.
  • Alterações na coloração podem indicar problemas: por exemplo, coloração cristalina ou leitoso pode sugerir diferentes condições patológicas associadas à presença de eritrócitos ou bilirrubina.
  • Uma coloração sanguinolenta requer atenção especial para diferenciar entre hemorragias espontâneas ou complicações durante a punção.

Pressão Intracraniana

Cisterna Magna e Hidrocefalia

Procedimentos de Punção e Anatomia

  • A cisterna magna, também chamada de cerebelo bulbar, pode ser acessada através de uma punção sub-occipital. A agulha atravessa o ligamento nucal para coletar líquido cefalorraquidiano.
  • O procedimento é ilustrado com a agulha posicionada na cisterna magna, destacando a importância da localização correta para a coleta.

Tipos de Hidrocefalia

  • A hidrocefalia é classificada em dois tipos: obstrutiva (não comunicante) e comunicante. A obstrutiva ocorre devido à obstrução do fluxo do líquido no sistema ventricular.
  • Exemplos de obstruções incluem bloqueios no aqueduto de Sylvius ou entre os ventrículos laterais e o terceiro ventrículo, resultando em acúmulo de líquido.
  • A hidrocefalia comunicante resulta da redução na capacidade absortiva do líquido ou desproporção entre produção e absorção.

Imagens Diagnósticas

  • Uma ressonância magnética mostra dilatação dos ventrículos laterais e do terceiro ventrículo, evidenciando a hidrocefalia não comunicante.
  • O aumento do perímetro cefálico é observado em crianças antes da sinostose craniana, indicando um possível caso de hidrocefalia.

Malformações Associadas

  • Defeitos como malformação do tubo neural podem levar à espinha bífida. Isso se caracteriza pela não fusão das vértebras, podendo resultar em hipertricose na região afetada.
  • Em casos mais graves como meningocele, há exposição das raízes nervosas junto com as meninges.

Consequências Clínicas

  • Quando ocorre protusão significativa das meninges e tecido nervoso, pode haver herniação cerebral pelo forame magno, levando à hidrocefalia secundária.
  • Os sinais clínicos incluem hipertensão intracraniana que se manifesta por cefaleia intensa, náuseas e alterações na consciência.

Sinais Clínicos em Adultos

Hidrocefalia de Pressão Normal e Tratamentos

Tríade Clássica da Hidrocefalia

  • A hidrocefalia de pressão normal (HPN) é caracterizada por um aumento dos ventrículos encefálicos, sem aumento na pressão intracraniana. Isso pode levar a uma compressão do tecido nervoso.
  • Os sintomas incluem ataxia de marcha, dificuldade motora, incontinência urinária e perda de memória, formando a tríade clássica associada à HPN.

Tratamento Clínico e Cirúrgico

  • O tratamento clínico para HPN tem pouco sucesso; o foco é reduzir a produção do líquido cefalorraquidiano.
  • O tratamento cirúrgico mais comum é a ventriculostomia endoscópica do terceiro ventrículo, que drena o líquido para a cisterna interpeduncular.

Procedimentos Cirúrgicos Detalhados

  • Durante a ventriculostomia endoscópica, um endoscópio é inserido no terceiro ventrículo para abrir seu assoalho e permitir o drenagem do líquido.
  • Outra opção cirúrgica é a derivação ventrículo-peritoneal (DVP), onde um cateter conecta os ventrículos ao peritônio ou ao átrio direito do coração.

Estrutura da Derivação Ventriculo-peritoneal

  • A DVP consiste em um cateter central que se liga a uma válvula e um cateter periférico que drena o líquido na cavidade peritoneal.