Aula pública Método de Alfabetização: nem problema, nem solução com Maria do Rosario L. Mortatti

Aula pública Método de Alfabetização: nem problema, nem solução com Maria do Rosario L. Mortatti

Introdução ao Encontro com a Professora Maria do Rosário

Apresentação Inicial

  • Olá, boa tarde a todos. A professora Maria do Rosário João está presente para discutir a disciplina de alfabetização no curso de pedagogia, sob a coordenação da professora Elaine Moura.
  • O curso é estruturado em várias fases, abordando aspectos da língua portuguesa e suas aplicações na educação.

Estrutura do Curso

  • O curso inclui disciplinas como linguagem escrita, alfabetização e literatura, distribuídas entre as fases 3ª a 6ª. Cada fase tem um foco específico que visa potencializar o conhecimento dos estudantes sobre a língua.
  • As disciplinas são frequentemente ministradas pela professora e outros docentes da área de pedagogia e letras. A colaboração entre professores é uma característica importante do programa.

Trajetória Acadêmica da Professora Maria do Rosário

Formação e Experiência

  • Maria do Rosário Mortatti é escritora e professora titular na Unesp, com doutorado em educação pela Unicamp. Sua trajetória inclui atuação em escolas públicas e coordenação pedagógica.
  • Ela lidera um grupo de pesquisa focado na história da educação, língua e literatura no Brasil desde 1994, destacando sua contribuição significativa para o campo educacional.

Publicações e Reconhecimento

  • A professora possui diversos livros publicados e foi finalista em prêmios literários nacionais, além de ser membro ativo de associações literárias brasileiras. Isso demonstra seu envolvimento tanto acadêmico quanto literário.
  • Durante a pandemia, ela também se dedicou à divulgação de leituras e depoimentos ficcionais nas redes sociais, ampliando seu alcance como escritora.

Agradecimentos e Interação com os Participantes

Reconhecimento aos Convidados

  • Ao iniciar sua fala, Maria do Rosário expressa gratidão pelo convite recebido das professoras Eliane Debus e outras integrantes do grupo de pesquisa presentes no evento virtual.
  • Ela destaca a importância da audiência composta por estudantes e colegas professores durante tempos desafiadores como os atuais, enfatizando o valor das interações acadêmicas mesmo à distância.

Reflexões sobre o Ensino e a Pandemia

A Importância dos Vínculos em Tempos de Confinamento

  • A oradora reflete sobre a importância de manter vínculos humanos, mesmo em um mundo de confinamento, destacando que esses laços são essenciais.

Dever Político e Acadêmico

  • Ela menciona seu dever político como professora universitária e pesquisadora, enfatizando a necessidade de divulgar o conhecimento produzido para alimentar novas pesquisas.

Formação de Professores

  • O curso de pedagogia é destacado como fundamental na formação de professores para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental.

Luto e Solidariedade

  • A palestrante expressa luto pelas vítimas da pandemia no Brasil, ressaltando que muitas mortes poderiam ter sido evitadas.

Compromisso com a Educação

  • Ela reafirma seu compromisso em contribuir positivamente para o país, recusando-se a apoiar projetos que considera destrutivos.

Aula Pública: Um Espaço Democrático

Formato da Aula

  • A escolha pelo formato de aula pública visa reforçar o caráter democrático da atividade educacional, permitindo uma maior participação do público.

Expectativas sobre o Debate

  • A oradora não busca convencer ninguém, mas sim informar e problematizar questões relevantes através do debate aberto.

Interação entre Professores e Alunos

  • Ela discute a importância da interação entre professores e alunos durante as aulas, considerando-a essencial para um aprendizado significativo.

O Papel das Perguntas

  • Todas as perguntas são valorizadas; não existem perguntas "burras", pois cada uma representa um processo mental importante na construção do conhecimento.

O Que É Ser Professor?

Alfabetização em Tempos Remotos

  • A palestrante questiona como se dá o papel do professor que alfabetiza em tempos remotos, reconhecendo as dificuldades desse contexto atual.

Provocação sobre Métodos de Alfabetização

  • O tema proposto para discussão é provocativo: "o método de alfabetização nem problema nem solução", instigando reflexões profundas sobre práticas pedagógicas.

A Política Nacional de Alfabetização e Seus Desafios

Contexto Atual da Alfabetização

  • A discussão se inicia com a referência à política nacional de alfabetização, implementada em abril de 2019, que propõe o método fônico como solução para os problemas identificados na alfabetização.
  • O autor menciona que suas pesquisas históricas sobre o ensino de alfabetização dialogam diretamente com o contexto atual, refletindo sobre as práticas educacionais.

Pesquisas e Publicações

  • O autor destaca dois livros importantes: "Sentidos da Alfabetização" e "Métodos de Alfabetização no Brasil", que reúnem resultados de pesquisas documentais e artigos sobre a história da alfabetização.
  • É enfatizado um erro comum ao considerar o presente como algo totalmente novo; as pesquisas mostram que muitos problemas históricos na alfabetização persistem.

Reflexões Sobre Paulo Freire

  • Em homenagem ao centenário de Paulo Freire, o autor cita um trecho do livro "Educação como Prática de Liberdade", ressaltando a visão crítica do analfabetismo como uma expressão social injusta.
  • Freire argumenta que tanto o analfabetismo quanto a alfabetização não são apenas questões linguísticas ou pedagógicas, mas têm uma dimensão política intrínseca.

Politicidade Intrínseca na Educação

  • O conceito de politicidade intrínseca é introduzido, sugerindo que todas as atividades humanas têm uma finalidade política e não são neutras. Isso implica que métodos educacionais devem ser analisados sob essa perspectiva.
  • As respostas às perguntas sobre por que e para quê fazemos algo influenciam diretamente as abordagens metodológicas adotadas na educação.

Métodos de Alfabetização

  • A discussão se volta para os métodos de alfabetização, considerados a face mais visível dos problemas enfrentados historicamente.
  • O termo "alfabetização escolar" é destacado como um conceito recente na história da educação brasileira, surgindo com a organização do sistema público de ensino no final do século XIX.

Evolução do Conceito

  • A partir do século XX, o termo "alfabetização" passou a ser utilizado mais amplamente. Novas denominações e propostas teóricas começaram a surgir, incluindo o conceito contemporâneo de letramento.

A História da Alfabetização no Brasil

Contexto Histórico da Alfabetização

  • A discussão sobre métodos de alfabetização remonta ao período imperial, abrangendo cerca de 150 anos até os dias atuais.
  • O primeiro problema identificado na educação é a alfabetização, que é frequentemente apontada como a causa do mau desempenho educacional.
  • A crítica à educação geralmente se concentra na falta de conhecimento dos alunos sobre fatos históricos e geográficos, mas o foco principal é a dificuldade em aprender a ler e escrever.

Evolução dos Métodos de Alfabetização

  • A alfabetização escolar começou a se consolidar no século XIX, especialmente após a Proclamação da República, estabelecendo-se como base do sistema público de ensino.
  • Cada vez que surgem problemas na educação, o diagnóstico aponta para falhas na alfabetização, muitas vezes atribuídas ao uso inadequado de métodos por parte dos professores.

Disputas Políticas e Educacionais

  • A discussão sobre métodos de alfabetização não é neutra; envolve disputas políticas e ideológicas que influenciam as escolhas educacionais.
  • Quatro momentos históricos marcam a evolução da alfabetização no Brasil, cada um dominado por diferentes métodos que refletem lutas entre grupos políticos.

Projetos de Nação e Escolhas Educacionais

  • O debate sobre métodos revela uma luta mais ampla por um projeto de nação; escolher um método implica em definir objetivos educacionais específicos.
  • As escolhas metodológicas podem ser vistas como reflexões das intenções políticas subjacentes à formação dos cidadãos.

Reflexões Contemporâneas

  • Há uma necessidade crítica de ensinar língua portuguesa nos anos iniciais do Ensino Fundamental; isso vai além das técnicas utilizadas para ensinar leitura e escrita.
  • A história da alfabetização no Brasil mostra que as discussões são complexas e envolvem tanto aspectos técnicos quanto conceituais relacionados à aprendizagem.
  • Atualmente, há uma continuidade nas críticas aos métodos utilizados na alfabetização, refletindo mudanças nos contextos políticos e sociais.

Métodos de Alfabetização e suas Evoluções

A Importância do Método na Educação

  • O palestrante discute como, nas décadas anteriores, os professores paravam de aprender após adquirir conhecimento inicial, destacando a necessidade de um método contínuo na educação.
  • Ele menciona que a pergunta sobre o "método" utilizado em sala de aula é frequentemente mal interpretada, comparando-a com uma questão sobre métodos anticoncepcionais.
  • Define "método" como uma sequência ordenada de passos em direção a um objetivo educacional, enfatizando que se trata mais do ensino do que da aprendizagem.

Tipos de Métodos Didáticos

  • O palestrante apresenta dois tipos principais de métodos didáticos: marcha sintética e marcha analítica, ambos utilizados no Brasil desde o século 19.
  • Os métodos sintéticos são preferidos historicamente e envolvem a construção da leitura e escrita através da combinação das letras para formar sílabas e palavras.

Métodos Sintéticos vs. Analíticos

  • Os métodos sintéticos foram amplamente utilizados até meados do século 20, resultando em diversas cartilhas de alfabetização.
  • Destaca-se que não existe um método puro; todos são adaptações baseadas nas necessidades educacionais e no mercado editorial da época.

Evolução dos Métodos no Século 19

  • O método alfabético foi um dos primeiros abordados, focando na soletração das letras para formar palavras.
  • Surge o método fônico (ou fonêmico), que enfatiza o som das letras ao invés dos nomes delas para facilitar a leitura.

Transição para Métodos Analíticos

  • No final do século 19, houve uma mudança significativa com a Proclamação da República, onde se começou a defender métodos analíticos.
  • Os métodos analíticos iniciam pela palavra ou sentença e desdobram-se em sílabas e letras, contrastando com os métodos sintéticos que começam pelas unidades menores.

Discussão sobre Alfabetização e Letramento

Evolução das Perspectivas de Ensino

  • A discussão sobre alfabetização evoluiu ao longo do século 20, culminando na década de 1980, onde se questionou a eficácia dos métodos tradicionais.
  • O Brasil adotou uma perspectiva construtivista predominante nos anos 80, focando mais na aprendizagem da criança do que em métodos específicos de ensino.
  • O interacionismo linguístico é defendido como uma abordagem teórica que amplia a compreensão da alfabetização além da simples codificação e decodificação.

Introdução ao Conceito de Letramento

  • O termo "letramento" foi introduzido na década de 90 para abordar limitações da alfabetização tradicional, que era vista como rudimentar.
  • Magda Soares propôs o conceito de letramento como um uso social da leitura e escrita, enfatizando sua importância no contexto educacional atual.

Críticas à Abordagem Atual

  • A autora expressa resistência à ideia de que letramento deve substituir a alfabetização, argumentando que a perspectiva discursiva já abrange essa ampliação.
  • A política nacional de alfabetização atual é considerada muito diferente das propostas democráticas dos anos 80, refletindo mudanças significativas nas abordagens educacionais.

Desafios Contemporâneos

  • Há um desafio em reconhecer as implicações políticas por trás das escolhas metodológicas em educação; não se trata apenas de encontrar soluções técnicas.
  • É fundamental questionar o presente histórico da educação e entender suas raízes para moldar um futuro mais consciente e crítico.

Reflexões Finais

  • A proposta não é retornar ao passado, mas sim aprender com ele para construir uma sociedade mais justa através da educação.
  • A discussão sobre métodos de alfabetização deve ser vista como parte integrante do projeto político educacional, com implicações diretas nas escolhas feitas por educadores.

Reflexões sobre Alfabetização e Ensino

A Importância da Poesia e da Leitura

  • A oradora expressa admiração pela poetisa, destacando a beleza dos poemas que ela publica no Facebook, incentivando os alunos a conferirem.
  • Menciona a necessidade de se questionar quem realmente se beneficia de um Plano Nacional de alfabetização, referindo-se ao secretário de alfabetização e sua experiência familiar em educação.

Métodos de Ensino e Conhecimento Prévio

  • Sandra Lopes Dias levanta uma questão sobre como os métodos de ensino devem considerar o conhecimento prévio do estudante.
  • A oradora reflete sobre sua identidade como poeta e professora, enfatizando a importância da leitura e escrita na formação humana.

O Papel do Professor na Alfabetização

  • Destaca que ensinar a ler e escrever é essencial para o trabalho docente, ressaltando que um professor deve ser um leitor ativo.
  • Afirma que um educador não pode ensinar efetivamente se não valoriza a leitura e escrita em sua própria vida.

Método de Ensino: Reflexões Críticas

  • Convida todos a conhecerem seus livros poéticos, mencionando uma trilogia em andamento relacionada à literatura feminina.
  • Aborda novamente a questão do método de ensino, afirmando que ele deve levar em consideração as experiências prévias das crianças.

Relações entre Professor e Aluno

  • Reflete sobre o papel do método no processo educativo, argumentando que ele sozinho não alfabetiza; é necessário considerar as relações estabelecidas entre professor e aluno.
  • Enfatiza que toda atividade didática deve ter clareza nos objetivos para ser eficaz, mas alerta contra a ideia de que o método é a única solução para alfabetização.

Reflexões sobre a Prática Docente

A Escolha e Responsabilidade do Professor

  • O professor deve refletir sobre suas escolhas pedagógicas, questionando se está ciente das responsabilidades que elas implicam. A discussão não é apenas sobre qual caminho seguir, mas sim sobre a clareza nas decisões tomadas.
  • Um professor que se limita a executar ordens sem compreender sua fundamentação não pode ser considerado um verdadeiro educador. É essencial que o docente conheça as bases políticas e teóricas de sua prática.
  • A formação pedagógica é crucial; qualquer pessoa que saiba ler e escrever não está automaticamente apta a ensinar. Ser professor envolve mais do que habilidades básicas de alfabetização.

Respeito à Realidade Linguística da Criança

  • O ensino deve respeitar a realidade linguística dos alunos, reconhecendo suas variantes de fala. Não se trata apenas de impor normas cultas, mas de entender o contexto em que a criança se encontra.
  • Ao entrar na escola, uma criança já possui habilidades linguísticas significativas. O papel da escola é ensinar a modalidade escrita da língua, respeitando as particularidades da oralidade dos alunos.

Papel da Escola na Alfabetização

  • A escola tem um papel fundamental no ensino sistemático da leitura e escrita, sendo este um processo institucionalizado e organizado. O ensino domiciliar não substitui essa função.
  • Ensinar a ler e escrever requer conhecimento profundo por parte do educador; não é uma mera técnica, mas sim uma compreensão abrangente do processo educativo.

Importância do Conhecimento na Alfabetização

  • Para ensinar efetivamente, o professor precisa entender as relações entre fonemas e grafemas. Essa base teórica é essencial para garantir um aprendizado significativo aos alunos.
  • Mesmo em contextos onde os falantes nativos têm diferentes línguas maternas, como comunidades indígenas, o conhecimento pedagógico continua sendo vital para o sucesso do ensino formal.

Marcos Históricos na Alfabetização

  • Há marcos históricos importantes na abordagem da alfabetização no Brasil; obras como "O Texto na Sala de Aula" organizadas por João Wanderley Geraldi são fundamentais para entender essa evolução.
  • Este livro destaca a importância da unidade de sentido no ensino desde a alfabetização até o texto final. Ele aborda questões centrais como "o quê", "para quem" e "como" ensinar dentro desse contexto educacional.

Análise de Textos e Alfabetização

Importância do Livro e Artigos Clássicos

  • A Patrícia recomenda um livro antológico que analisa textos de alunos, destacando sua relevância desde 1981.
  • O artigo de Geraldo analisa dois textos de crianças do primeiro ano, evidenciando a diferença entre redação escolar e texto, com foco na alfabetização.

Perspectivas sobre Construtivismo

  • É feita uma distinção entre as perspectivas construtivistas e outras abordagens educacionais da década de 1980.
  • Ana Luiza Bustamante Smolka é mencionada por seu trabalho sobre a alfabetização como um processo discursivo, publicado em 1988.

Obras Emblemáticas da Década de 1980

  • Destacam-se duas obras importantes: "Texto na sala de aula" de Geraldo e "A criança na fase inicial da escrita" de Ana Luiza Smolka.
  • A Patrícia sugere uma peça didática chamada "Receita de Ambrosia", que aborda a formação docente no contexto da alfabetização.

Formação Docente e Processos Discursivos

Coerência no Processo Discursivo

  • A Patrícia discute a importância da vivência no aprendizado, enfatizando que o conhecimento deve ser construído através da experiência prática.
  • O vídeo "Receita de Ambrosia" é disponibilizado gratuitamente para auxiliar na formação docente.

Questões sobre Literacia e Letramento

  • Uma pergunta surge sobre o entendimento dos conceitos de literacia no plano nacional de alfabetização, levantando questões pedagógicas atuais.

Política Nacional de Alfabetização

Contexto Político Atual

  • A Patrícia critica a política nacional apresentada como uma política estatal duradoura, ressaltando sua falta de consulta à sociedade civil durante a formulação.

Comparação com Outras Políticas Educacionais

  • É feita uma comparação entre a atual política nacional e os processos democráticos anteriores que envolveram discussões amplas com representantes da sociedade civil.

Disputas e Projetos de Nação

Contexto das Disputas no MEC

  • A oradora menciona a consciência de que suas falas estão sendo gravadas, sugerindo que representantes do MEC podem estar ouvindo.
  • Refere-se ao "projeto de nação" que está se evidenciando, destacando a visão crítica sobre o governo atual e suas intenções.

Críticas ao Governo Atual

  • O presidente é acusado de ter um projeto para "destruir" o Brasil, incluindo aspectos como meio ambiente, cultura e educação.
  • A falta de discussão com a sociedade civil sobre a PMA (Política Nacional de Alfabetização) é enfatizada, indicando uma imposição sem diálogo.

Metas do Governo e Educação

  • O governo tem metas para os primeiros 100 dias, onde a alfabetização é apresentada como uma prioridade.
  • A conferência nacional sobre alfabetização foi realizada sem ampla participação da sociedade civil, resultando em programas educacionais questionáveis.

Implicações dos Programas Educacionais

  • O novo plano do livro didático para 2023 está sob controle de um representante associado à escola sem partido, levantando preocupações sobre sua imparcialidade.
  • A oradora faz uma analogia com "1984" de George Orwell para descrever as distopias possíveis no futuro da educação brasileira.

Reflexões Pessoais e Análise Crítica

  • Ela menciona ter escrito um artigo durante um período crítico da pandemia, refletindo sobre as políticas educacionais em desenvolvimento.
  • Compartilha sua experiência ao analisar documentos relacionados à alfabetização e critica as afirmações feitas por grupos envolvidos na política educacional.

Resistência Acadêmica

  • Uma professora da Universidade Federal do Amazonas expressa preocupação com a implementação das propostas pedagógicas atuais.
  • Há um movimento entre professores para resistir às mudanças impostas nas políticas educacionais locais.

Conferência Nacional de Alfabetização e suas Implicações

Políticas de Alfabetização e Recursos Financeiros

  • A política nacional de alfabetização não é obrigatória, mas a adesão a programas específicos pode garantir recursos financeiros para estados e municípios.
  • A introdução da literacia e consciência fonêmica no edital do PRD2020 levanta questões sobre como conciliar com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Conferência Nacional da Alfabetização

  • A Conferência Nacional da Alfabetização, realizada em agosto, foi uma extensão das políticas nacionais de alfabetização promovidas pelo MEC.
  • O palestrante menciona que assistiu a todas as falas disponíveis online, destacando momentos cruciais na história da alfabetização.

Momentos Históricos na Alfabetização

  • O autor propõe quatro momentos históricos na alfabetização brasileira, mencionando o início do quinto momento sob um novo regime político.
  • Há uma crítica ao autoritarismo que tenta controlar a narrativa histórica da alfabetização por meio de decretos.

Críticas à Ideologia Educacional Atual

  • O palestrante se refere à sua experiência pessoal ao discutir os desafios enfrentados por educadores mais velhos em relação às novas diretrizes.
  • Um grupo atual critica figuras como Paulo Freire e Magda Soares, acusando-os injustamente de serem comunistas e responsáveis pela crise educacional no Brasil.

Legado Educacional e Mudanças Propostas

  • É destacado que Paulo Freire nunca foi um comunista; seu método é reconhecido internacionalmente por suas contribuições à educação.
  • O novo grupo busca apagar legados educacionais anteriores, propondo um "método fônico" sem considerar as contribuições históricas significativas.

Tendências Internacionais em Educação

  • A discussão sobre letramento reflete tendências internacionais que influenciam as práticas educativas no Brasil.
  • A busca por evidências científicas na educação é comparada à medicina baseada em evidências, levantando questões sobre sua aplicação nas práticas pedagógicas.

A Importância da Terminologia na Alfabetização

O Uso de Termos Adequados

  • A discussão sobre a terminologia correta é crucial, pois o uso de "letramento" e "alfabetização" deve ser bem definido para evitar confusões. O ex-ministro de Portugal ficou surpreso ao descobrir que o Brasil também utiliza a palavra "literacia".

Críticas ao Método Fônico

  • O método fônico é visto como uma solução simplista para problemas complexos da educação no Brasil, sendo considerado um passaporte para um mundo civilizado, mas com questionamentos sobre sua eficácia.

Políticas Educacionais e Literacia Familiar

  • A literacia está ligada a programas do governo atual, incluindo ensino domiciliar, que busca deslocar a alfabetização escolar tradicional. Isso levanta questões sobre as implicações dessas mudanças nas práticas educacionais.

Projetos e Recursos na Educação

Resposta à Política Nacional de Alfabetização

  • A política nacional de alfabetização é vista como parte de um projeto maior que envolve recursos financeiros e participação voluntária dos estados. Essa abordagem gera controvérsia entre especialistas.

Artigos Acadêmicos Relevantes

  • Um artigo publicado em 2009 analisa os métodos de alfabetização e contribui para o debate atual. É recomendado para quem deseja entender melhor as discussões em torno do tema.

Propostas Legislativas e Influências

Propostas na Câmara dos Deputados

  • Em 2003, um grupo apresentou uma proposta para a utilização nacional do método fônico na Câmara dos Deputados, refletindo interesses comerciais por trás das políticas educacionais.

Mudanças no Ministério da Educação

  • Fernando Haddad, então Ministro da Educação, foi abordado sobre a imposição do método fônico após ouvir especialistas. Sua decisão foi influenciada pela necessidade de considerar diferentes perspectivas antes de implementar políticas.

Debate Público e Especialistas

Seminário sobre Alfabetização

  • Um seminário realizado em 2005 trouxe à tona debates importantes sobre alfabetização e letramento, com ampla cobertura da mídia. A presença de especialistas foi fundamental para enriquecer as discussões.

Abordagem Crítica ao Método Fônico

  • Durante o seminário, houve uma crítica contundente ao método fônico; a oradora defendeu que a discussão deveria ser democrática e não imposta unilateralmente pelo governo ou grupos específicos.

Grupos Influentes na Educação

Retorno dos Grupos Antigos

  • Com a nova administração governamental, grupos que defendem métodos tradicionais voltaram à cena política. Eles têm se articulado fortemente nos bastidores junto aos políticos para promover suas agendas educacionais.

Evidência Científica em Questão

  • Há uma preocupação expressa quanto à falta de evidências científicas robustas que sustentem as propostas atuais; isso levanta dúvidas sobre a validade das decisões tomadas por esses grupos influentes.

Reflexões sobre o Pensamento Científico e Alfabetização

Crítica ao Pensamento Científico Limitado

  • O orador lamenta que colegas da universidade considerem apenas suas evidências científicas como válidas, afirmando que isso não é um verdadeiro pensamento científico, que deve questionar e duvidar.
  • A distinção entre pensamento científico e religioso é feita, enfatizando que a fé não deve ser confundida com a ciência.

Importância do Diálogo e Colaboração

  • O orador expressa apoio à resistência dos participantes em relação às suas visões sobre alfabetização no Amazonas e no Brasil.
  • Sugere coletar informações dos participantes para facilitar a comunicação futura, destacando a importância de ouvir diferentes vozes na discussão.

Reconhecimento de Contribuições Acadêmicas

  • Uma colega professora aposentada é mencionada por sua contribuição significativa na formação em alfabetização, ressaltando seu papel como orientadora no mestrado.
  • O impacto positivo de um livro específico sobre alfabetização é destacado, reconhecendo sua relevância nas práticas pedagógicas.

Agradecimentos e Reflexões Finais

  • O orador agradece aos participantes pela interação e aprendizado compartilhado durante o evento.
  • Enfatiza a importância de provocar dúvidas e inquietações como parte do processo de aprendizagem científica.

Convite à Leitura e Continuidade do Aprendizado

  • Um convite é feito para que todos leiam mais literatura, considerando-a uma forma suave de esperar pelo futuro.
  • O orador encerra com um convite para um recital noturno, reforçando a conexão entre arte, literatura e aprendizado.
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Aula pública Método de Alfabetização: nem problema, nem solução com profª dra. Maria do Rosario L. Mortatti Mediadoras: profª dr. Eliane Santana Dias Debus profª dra. Maria Laura Pozzobon Spengler Parceria CED/UFSC, Literalise e PET Pedagogia. Edição de vídeo: Zâmbia Osório Visite as nossas redes: Instagram do Literalise https://www.instagram.com/literalise.grupodepesquisa/ Facebook do Literalise https://www.facebook.com/LITERALISE​