Ecologia - Aula 12 - Ecossistemas aquáticos
Ecossistemas Aquáticos
Introdução aos Ecossistemas Aquáticos
- Os ecossistemas aquáticos são divididos em água doce e marinha, com os primeiros incluindo rios e lagos (sistemas lóticos e lênticos).
- Reservatórios ou represas atuam como intermediários entre rios e lagos, mas se assemelham mais a lagos.
- Os ecossistemas marinhos são mais diversificados devido à complexidade do ambiente, incluindo zonas de maré, recifes de coral e fontes hidrotermais.
Compartimentos Bióticos nos Ecossistemas Aquáticos
- A biota aquática é dividida em plâncton (organismos que não nadam ativamente), nécton (organismos que nadam contra a correnteza) e bentos (organismos associados ao fundo).
Plâncton
- O fitoplâncton é a fração autotrófica do plâncton, enquanto o zooplâncton é heterotrófico; diatomáceas são um exemplo importante do fitoplâncton.
Nécton
- O nécton inclui organismos como cefalópodes, peixes, répteis marinhos e mamíferos como cetáceos.
Bentos
- O bentos abrange organismos que vivem no fundo dos corpos d'água; podem ser vegetais ou animais.
Categorias Adicionais de Organismos
- O pleuston refere-se a organismos na superfície da água com estruturas fora d'água; exemplos incluem aguapés.
- O neuston está associado à superfície da água; larvas de mosquitos exemplificam essa categoria por ficarem penduradas na superfície.
Biofilme e Outros Organismos
- O periphyton é uma camada fina formada por bactérias e algas unicelulares que recobre superfícies submersas.
Ecossistemas de Água Doce: Ambientes Lênticos
Estrutura dos Lagos
- Lagos têm uma camada superficial onde a luz penetra chamada zona eurifótica; abaixo dela está a zona profunda onde não há luz.
Estratificação da Água em Lagos e Rios
Fenômenos de Estratificação em Lagos
- A água em lagos pode apresentar estratificação, onde a densidade e temperatura influenciam a distribuição das camadas. A camada superficial é mais quente e rica em oxigênio, enquanto as camadas mais profundas são mais frias e podem ter pouco ou nenhum oxigênio.
- Quando a água na superfície está mais quente que no fundo, ocorre uma separação entre as camadas. A camada superior (epilimnion) é aquecida pelo sol e favorece a fotossíntese, enquanto o fundo (hipolimnion) pode ficar estagnado.
- Entre essas duas camadas existe uma zona de transição chamada metalinônio, onde há variação de temperatura. Essa estratificação é comum em lagos temperados.
- Durante o outono, a temperatura da superfície diminui, levando à mistura das águas. Nutrientes do fundo se elevam para a superfície, aumentando a produtividade primária devido à disponibilidade de luz.
- No inverno, a água superficial congela devido à anomalia térmica da água. Isso impede a circulação vertical e mantém os nutrientes no fundo disponíveis para quando o gelo derreter na primavera.
Dinâmica dos Rios
- Nos rios, há uma zonagem longitudinal: começa nas nascentes (crenal), passa pelas cabeceiras (reino), até chegar ao curso médio e finalmente ao estuário.
- O perfil do rio muda ao longo do seu percurso; desde um leito rochoso nas nascentes até sedimentos finos como areia fina e lama próximo ao oceano.
- Na zona do canal (crenal), há pouca diversidade biológica devido às condições adversas. À medida que se avança para as zonas seguintes, como o reino, aumenta-se a biomassa com material alóctone proveniente das margens.
- O reino caracteriza-se por um consumo predominante de nutrientes devido à baixa produção orgânica. Contudo, com o aumento de material alóctone na zona de transição, ocorre um aumento na quantidade de nutrientes disponíveis.
Efeitos da Luz e Nutrientes nos Ecossistemas Aquáticos
Penetração da Luz e Produção Primária
- A penetração da luz afeta a distribuição de produtores aquáticos, que se concentram nas margens dos lagos devido à maior disponibilidade de nutrientes provenientes de detritos.
- O ciclo vital nos ecossistemas aquáticos é composto por três fases: consumo predominante, produção predominante e decomposição predominante.
Características Gerais dos Oceanos
- Os oceanos são divididos em dois domínios principais: o domínio pelágico (massa d'água) e o domínio bentônico (fundos oceânicos).
- O domínio bentônico inclui zonas como a zona das marés, plataforma continental (até 200 metros de profundidade), talude continental (200 a 4000 metros) e planícies abissais.
Sedimentos Marinhos
- Os sedimentos marinhos têm origens diversas: sedimentação continental, biogênica (esqueletos microscópicos), vulcânica e autóctone (precipitação química).
- Sedimentos biogênicos podem acumular centenas de metros de espessura ao longo do tempo, formando camadas compostas por esqueletos calcários ou silicose.
Fatores Ecológicos nos Oceanos
- Nos oceanos, os fatores ecológicos são classificados em vetoriais (onde direção importa) e escaladores.
- As ondas são um exemplo de fator vetorial; elas se formam longe da costa devido aos ventos e alteram seu comportamento ao se aproximar do fundo marinho.
Comportamento das Ondas na Costa
- Quando as ondas atingem uma profundidade crítica, começam a sofrer refração, mudando sua direção conforme se aproximam da praia.
- Em costas sinuosas, como no litoral norte de São Paulo, as ondas interagem com formações geográficas criando padrões distintos na energia das ondas.
Efeito das Marés no Litoral
- As marés variam entre vivas e mortas dependendo do alinhamento do sol e da lua. Esse fenômeno é causado pela atração gravitacional desses astros sobre as massas d'água.
Dinâmica das Marés e Correntes Oceânicas
Influência da Lua e do Sol nas Marés
- A interação entre a gravidade da lua e do sol causa variações nas marés, sendo mais pronunciada durante as quadraturas.
- Durante os períodos de quadratura, as forças gravitacionais não se somam, resultando em marés menos intensas.
Importância das Correntes Oceânicas
- As correntes oceânicas são cruciais para a distribuição de energia térmica pelo planeta, influenciando o clima continental.
- A corrente quente do Golfo aquece a Europa, tornando-a significativamente mais quente que regiões da América do Norte em latitudes semelhantes.
Salinidade e Temperatura dos Oceanos
- A salinidade varia entre diferentes oceanos; por exemplo, no Mar Morto chega a quase 300 gramas de sal por litro.
- A temperatura dos oceanos apresenta uma termoclina que pode atingir até mil metros de profundidade, com variações na salinidade.
Densidade e Partículas Orgânicas
- À medida que a água esfria, sua densidade aumenta; partículas orgânicas afundam até igualar sua densidade à da água.
- Entre 500 e 1000 metros de profundidade, acumulam-se detritos orgânicos que são processados por bactérias.
Concentração de Oxigênio nos Oceanos
- O oxigênio é abundante na superfície devido à fotossíntese, mas diminui drasticamente perto dos 500 metros.
- Águas frias originadas nos polos trazem oxigênio para as camadas inferiores do oceano.
Luz e Produtividade Primária nos Oceanos
Fotossíntese e Ponto de Compensação
- O ponto de compensação é onde a fotossíntese supera a respiração celular; acima desse ponto há produtividade primária.
Zonas Eufórica e Disfórica
- Na zona disfórica ainda há luz suficiente para organismos autótrofos viverem temporariamente, mas sem produção primária significativa.
Ecossistemas Abissais
- Descobertas recentes mostram comunidades vivendo em planícies abissais baseadas em quimiossíntese ao invés de fotossíntese.
Nutrientes nos Oceanos
- Os nutrientes são escassos na superfície devido à assimilação pela biomassa durante a fotossíntese.
Ecossistemas Marinhos e sua Produtividade
Correntes de Ressurgência
- As correntes verticais, como as de ressurgência, trazem nutrientes à superfície, resultando em um florescimento significativo da vida vegetal e animal nos oceanos. Essas regiões são consideradas as mais produtivas do planeta.
Costões Rochosos
- Os costões rochosos são locais ideais para observar fenômenos ecológicos e organismos marinhos devido à exposição durante a maré baixa.
- A alta densidade populacional e a riqueza de espécies nos costões tornam esses ambientes fascinantes para estudo e observação.
- A topografia diversificada dos costões cria micro hábitats variados, aumentando a diversidade biológica presente na região.
- A zonação nos costões é influenciada pela tolerância dos organismos ao dessecamento e suas interações biológicas com outros membros da comunidade.
Organismos nos Costões Rochosos
- Na parte superior do costão, encontramos organismos como o caramujo litorina que se alimenta de biofilmes nas rochas.
- Cracas, bivalves (como ostras e mexilhões), além de moluscos gastrópodes também habitam essa região, contribuindo para a biodiversidade local.
Praias Arenosas
- As praias arenosas apresentam um ambiente instável devido ao dinamismo das ondas e correntes, dificultando a sobrevivência dos organismos que tendem a se enterrar na areia.
- Muitos organismos nas praias estão enterrados ou vivem em galerias construídas na areia, tornando-os menos visíveis durante observações superficiais.
Características dos Organismos das Praias Arenosas
- Entre os organismos característicos das praias estão pulgas do mar (anfípodes), caranguejos fantasmas e poliquetas que desempenham papéis importantes no ecossistema.
Recifes Coralinos: Estruturas Vitais
Formação dos Recifes Coralinos
- Os recifes coralinos são formados por algas calcárias e corais que criam estruturas complexas em águas tropicais ricas em luz e temperatura adequada.
Mutualismo entre Corais e Algas
- Existe uma relação mutualística entre algas unicelulares e pólipos de corais onde ambos trocam nutrientes essenciais para sua sobrevivência.
Impacto da Sedimentação nos Corais
- A sedimentação excessiva pode prejudicar os pólipos de corais ao bloquear luz necessária para as algas, desestabilizando o mutualismo vital entre eles.
Tipos de Recifes Coralinos
Ecossistemas Marinhos e os Recifes de Coral
A Beleza dos Recifes de Coral
- O Nordeste brasileiro, como Porto Seguro, apresenta recifes com ondas arrebentando e formações de corais em círculos, conhecidos como atóis, que abrigam uma rica diversidade animal.
Problemas dos Recifes de Coral
- Os recifes de coral enfrentam sérios problemas devido ao aquecimento global, que causa o aumento da temperatura da água e afeta a sobrevivência dos corais.
- O processo de branqueamento ocorre quando as algas são eliminadas dos corais, resultando na morte desses organismos. Imagens mostram a rápida degradação entre dezembro de 2014 e agosto de 2015.
Consequências do Aquecimento Global
- As áreas com corais mortos aumentaram significativamente devido ao aquecimento global, evidenciando um grande problema ambiental.
Fontes Hidrotermais nas Profundezas do Oceano
Descobertas Recentes
- Pesquisadores descobriram fontes hidrotermais submarinas que liberam água quente a 400 graus Celsius, ricas em nutrientes químicos essenciais para a vida marinha.
Ecossistemas Independentes
- Esses ecossistemas não dependem da matéria orgânica da superfície; as bactérias presentes sintetizam energia para produzir matéria orgânica, sustentando uma biodiversidade significativa.
Diversidade Animal
- As fontes hidrotermais abrigam uma vasta gama de animais marinhos, incluindo peixes e moluscos grandes. É sugerido que se busque mais informações sobre esses ecossistemas únicos.
Conclusão do Estudo