Aula 01: Que Exu abra os caminhos: racismo e intolerância no Brasil - Parte 02
Introdução ao Movimento Contra o Racismo
Importância do Curso
- O orador expressa sua satisfação em participar das atividades do movimento contra o racismo, destacando a necessidade de discutir esse tema.
- A quantidade de inscritos no curso indica uma demanda por compreensão sobre o passado e suas implicações atuais.
Apresentação do Professor Lourival
- O professor Lourival é apresentado como um especialista com vasta formação acadêmica, incluindo graduação em história e doutorado pela UFPR.
- Ele possui experiência significativa na área cultural, atuando como diretor teatral e gestor de cultura em diversos órgãos.
Contribuições Acadêmicas e Artísticas
Atuação Cultural
- Lourival tem uma carreira notável com 30 espetáculos teatrais montados e 10 prêmios recebidos em festivais.
- Suas pesquisas abrangem temas como catolicismo não oficial, povos ciganos e Umbanda, refletindo seu compromisso com a diversidade cultural.
Reflexões Pessoais do Professor Lourival
Relação com a UEL
- O professor expressa alegria em retornar à UEL, onde fez seu pós-doutorado, ressaltando laços pessoais com colegas.
Crítica ao Racismo
- Lourival enfatiza que ser apenas contra o racismo não é suficiente; é necessário agir ativamente para combatê-lo na sociedade atual.
Desafios da Educação Virtual
Ensino Durante a Pandemia
- O professor compartilha suas dificuldades com aulas virtuais, preferindo interações presenciais para melhor conexão com os alunos.
Reflexão sobre Intolerância
- Ele planeja discutir a intolerância racial no Brasil, abordando eventos recentes que evidenciam o racismo institucionalizado.
Papel do Educador na Sociedade
Militância Acadêmica
Reflexões sobre a Filosofia da História e o Racismo
A visão de Hegel sobre a África
- O historiador reflete sobre as considerações de Hegel no livro "A Filosofia da História", destacando que muitas construções do pensamento anti-africano atuais se devem a essas reflexões.
- Hegel argumenta que a África é um espaço que não merece estudo, pois para ele nunca houve civilização suficiente para justificar tal atenção dos europeus.
- No século 18, Hegel via a África como uma civilização desprezível, sem desenvolvimento significativo ao longo da história.
- O pensamento hegeliano consolidou uma perspectiva intelectual na Europa que influenciou visitantes e missionários europeus em suas interações com o continente africano.
- A África subsaariana é mencionada como crucial na formação cultural brasileira, com relatos impressionantes feitos por viajantes.
Narrativas distorcidas e escravidão
- Os relatos de viajantes e missionários frequentemente criaram narrativas monstruosas sobre os africanos, contribuindo para uma imagem negativa que chegou à Europa e América.
- Esses discursos ajudaram a construir um discurso justificativo para a escravidão sob o cristianismo europeu, abrangendo diversas denominações religiosas.
- Missionários chegavam à África com visões ligadas ao estado europeu e aos pensadores católicos, perpetuando ideias favoráveis à escravidão.
- Escritos de figuras como São Paulo foram utilizados para legitimar práticas escravocratas, enfatizando que Jesus veio libertar almas, não corpos.
- Santo Agostinho e São Tomás de Aquino também sustentaram argumentos favoráveis à escravidão em seus escritos.
Reflexões críticas sobre o cristianismo
- Doutores da Igreja Católica defendiam a escravidão como punição adequada para hereges e pecadores, refletindo uma aceitação do aprisionamento humano por motivos econômicos.
- O discurso cristão foi instrumentalizado por aqueles que viam os africanos como espécimes ideais para exploração econômica durante os séculos XVI ao XIX.
- É importante reconhecer o papel do cristianismo na história da escravidão no Brasil; muitos alunos se surpreendem com essa conexão histórica direta entre religião e opressão racial.
Questões contemporâneas
- Recentemente, intelectuais egípcios processaram a Netflix devido à representação de Cleópatra em uma série; isso ilustra debates modernos sobre identidade racial na mídia.
A Representação de Cleópatra e a Questão da Identidade
Repercussões sobre a escolha da atriz
- A escolha de uma atriz negra para interpretar Cleópatra gerou grande repercussão, especialmente no Egito, levantando questões sobre identidade racial e representação histórica.
- O discurso em torno dessa escolha reflete um mito persistente que associa descendentes de figuras históricas a narrativas de vergonha e pecado.
Mitos e Narrativas Históricas
- Os negros são frequentemente retratados como descendentes do pecado, reforçando estigmas negativos associados à sua identidade.
- No pensamento cristão medieval, figuras demoníacas eram frequentemente representadas como negras, perpetuando a ideia de que tudo o que é negativo está ligado à negritude.
Construção do Discurso Negativo
- A associação entre o negro e o mal se manifesta em várias narrativas culturais, incluindo práticas escolares onde alunos considerados problemáticos eram rotulados negativamente.
- O termo "humor negro" passou por ressignificação ao longo do tempo, refletindo uma tentativa de reverter significados pejorativos associados à negritude.
Intolerância Religiosa e Práticas Africanas
- As práticas religiosas africanas enfrentam desqualificação no Brasil, sendo alvo frequente de intolerância religiosa.
- Embora outras religiões também sofram com intolerância, as religiões afro-brasileiras são as mais atacadas.
Distinções entre Candomblé e Umbanda
- É importante notar que não existe Candomblé na África; essa prática foi desenvolvida no Brasil com características únicas.
Cultos e Práticas Religiosas Afro-Brasileiras
Diferenças entre Cultos
- Os cultos mencionados são mitológicos, focando em deuses de um panteão específico, que varia conforme a região.
- O candomblé é associado a entidades como Pomba Gira e Exus, mas essas práticas não eram as iniciais dos candomblés no Brasil.
- A diferença entre terreiros de candomblé e umbanda é significativa: o primeiro lida com orixás enquanto o segundo se relaciona com espíritos desencarnados.
Preconceitos Históricos
- O autor menciona Nina Rodrigues, que construiu um discurso sobre o nagocentrismo, validando apenas práticas religiosas nagôs.
- As práticas religiosas que não se encaixavam na teoria do nagocentrismo foram perseguidas e desqualificadas ao longo da história.
- Terreiros fora da tradição nagô enfrentaram agressões e fechamento devido à sua associação com práticas consideradas "feticistas".
Impacto Cultural e Racismo
- O culto aos ancestrais (manismo), especialmente entre os bancos, foi marginalizado em comparação às práticas nagôs.
- A visão negativa sobre os bancos impactou diretamente o racismo no Brasil, refletindo-se nas pesquisas acadêmicas sobre religiões afro-brasileiras.
Desqualificação das Práticas Religiosas
- A umbanda sempre foi vista como inferior aos candomblés nos estudos acadêmicos, perpetuando uma narrativa negativa desde Nina Rodrigues.
- Intelectuais como Silvio Romero e Afrânio Peixoto descreveram as práticas dos bancos de forma depreciativa, reforçando estigmas raciais.
Discurso Racista no Século XIX
- Discursos do século XIX demonizavam as culturas africanas e suas tradições religiosas, considerando-as inferiores ou sem civilização.
A Influência Cultural dos Bancos e a Raiz do Racismo no Brasil
A Cultura Brasileira e os Bancos
- A cultura brasileira é profundamente influenciada pelos bancos, mais do que por outras tradições, como as dinamarquesas. O uso cotidiano de palavras relacionadas à natureza reflete essa conexão.
Racismo Estrutural e a Escravidão
- O termo "candomblé", ligado aos nagôs, revela como discursos racistas foram construídos para inferiorizar a população negra, justificando o trabalho escravo na economia europeia e na aristocracia rural brasileira.
Exu: O Orixá da Movimentação
- Exu é um orixá fundamental nas religiões afro-brasileiras, simbolizando movimento e comunicação entre o mundo terreno e espiritual. Ele é visto como essencial para todas as relações humanas.
Poder Decisório de Exu
- Exu não permite neutralidade; ele força decisões importantes em momentos críticos da vida das pessoas, sendo considerado um orixá com grande poder sobre segredos e interações.
Umbanda e suas Entidades
- Na Umbanda, Exu também é reverenciado, mas sob diferentes formas. As entidades têm nomes variados que refletem uma rica história cultural desde o início do século 20 até os anos 2000.
Perseguições Religiosas na História da Umbanda
Nomeações Estratégicas de Exus
- Durante períodos de perseguição religiosa, nomes assustadores foram atribuídos a exus para deslegitimar terreiros. Essa estratégia visava causar temor nas comunidades locais.
Fortalecimento dos Nomes ao Longo do Tempo
- Apesar das tentativas de silenciar as práticas religiosas afro-brasileiras, os nomes dados aos exus se tornaram mais fortes com o tempo, refletindo uma resistência cultural significativa.
Polêmicas Contemporâneas Relacionadas à Intolerância Religiosa
Casos Recentes de Intolerância
- Um exemplo recente envolve uma estátua polêmica em Alvorada (RS), onde uma figura associada a Lúcifer gerou discussões sobre empoderamento religioso e intolerância.
Memoriais Religiosos na Prática Atual
- Em várias localidades existem memoriais dedicados a figuras como Pomba Gira Maria Padilha e Exu Tranca Rua. Esses espaços são símbolos da luta contra a intolerância religiosa contemporânea.
A Presença de Exus nas Práticas Neopentecostais
Invocação de Personagens em Rituais Neopentecostais
- Nas práticas neopentecostais, Exu é frequentemente invocado durante rituais de exorcismo. Isso demonstra como elementos da religiosidade afro-brasileira permeiam outras tradições religiosas no Brasil.
Coleta de Casos de Intolerância Religiosa
Recolhendo Dados sobre Intolerância
Intolerância Religiosa e Casos de Violência
Contexto do Processo Judicial
- O processo movido contra o terreiro de Umbanda de pai Edson em Olinda, iniciado em 31 de outubro de 2016, foi baseado em alegações que ignoraram testemunhos da defesa e acusação sobre a aceitação dos rituais sonoros pelos vizinhos.
- José Roberto Monteiro de Lemos, um vizinho, iniciou o processo afirmando que usaria "todas as artimanhas possíveis" para fechar o terreiro.
Ataques a Líderes Religiosos
- Em 1999, a mãe Gilda teve seu terreiro invadido e depredado após uma reportagem negativa. Ela faleceu em 21 de janeiro de 2020 devido a complicações relacionadas ao estresse.
- O busto da mãe Gilda foi alvo de vandalismo várias vezes, incluindo um ataque em julho de 2020 por um homem que alegou agir por "mandado divino".
Incêndios Criminosos e Agressões
- Mãe Estela foi incendiada em dezembro de 2022; ela era uma figura importante no Candomblé na Bahia.
- Em junho de 2015, Keilane Campos, uma criança de 11 anos, foi apedrejada por evangélicos após sair de uma celebração do Candomblé.
- O terreiro da casa Oxossi foi completamente destruído por incêndio criminoso em novembro de 2016.
Destruição e Depredação
- Em março de 2016, o Centro Espírita afro-brasileiro localizado em Valparaíso sofreu invasão e destruição total das árvores sagradas e altares.
- Um centro dirigido pela mãe Claudineia na Tijuca foi incendiado; itens sagrados foram perdidos no fogo.
Intolerância Religiosa Atual
- Isadora Jacques Leão foi agredida por colegas após postar fotos com colar relacionado ao Candomblé.
- Imagens religiosas são frequentemente vandalizadas; casos como os da imagem Iemanjá são comuns no Brasil.
Dados Estatísticos sobre Intolerância
- Vilma Santos Oliveira e sua família foram assassinadas em agosto de 2013; o crime foi justificado pelo autor como ordens divinas.
- Em 2020, foram notificados 86 casos relacionados à intolerância religiosa contra religiões afro-brasileiras. Esse número aumentou para 244 casos em 2021.
Educação e Intolerância Religiosa
Ataques a Religiões Afro-Brasileiras e Intolerância Religiosa
Pesquisa sobre Racismo Religioso no Brasil
- Quase metade dos terreiros do país registrou até cinco ataques nos últimos dois anos (2021-2022), conforme pesquisa da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras apresentada na ONU em novembro de 2022.
- 78% dos entrevistados relataram que membros de suas comunidades sofreram algum tipo de violência motivada por racismo religioso.
História da Tolerância e Intolerância Religiosa
- A discussão sobre intolerância religiosa não é nova, remontando ao século 14 com pensadores como Dante Alighieri e Marcílio de Padua, entre outros.
- No século 17, filósofos como Espinosa e John Locke abordaram o papel do estado na mediação de conflitos religiosos, um tema ainda relevante hoje.
O Papel dos Historiadores
- É fundamental que historiadores se posicionem contra qualquer forma de preconceito e intolerância religiosa, especialmente diante das falas intolerantes de figuras públicas como o deputado Marcos Feliciano.
- O ex-presidente Jair Bolsonaro também fez declarações que reforçam a ideia da superioridade cristã no Brasil, desconsiderando a laicidade do estado.
Crescimento da Intolerância Religiosa
- As bancadas evangélicas no Congresso têm crescido rapidamente, com candidatos eleitos que promovem discursos intolerantes nas últimas eleições.
- É importante não desqualificar esses discursos; ao invés disso, devemos estar atentos aos movimentos políticos e sociais que os sustentam.
Diálogo Necessário com Protagonistas das Religiões
- A convivência com as práticas afro-brasileiras deve ser entendida através do diálogo com seus praticantes; é essencial ouvir suas experiências e desafios enfrentados diariamente.
- Há uma necessidade urgente de compreender os discursos dentro das religiões neopentecostais, onde muitos veem as tradições afro-brasileiras como inimigas a serem combatidas.
Conflitos entre Grupos Religiosos
- Existe uma luta entre grupos que defendem a tolerância religiosa e aqueles que promovem a destruição das práticas afro-brasileiras; essa polarização é evidente nas narrativas contemporâneas.
Influência dos Espíritos e Libertação Espiritual
A Necessidade de Romper com o Passado
- O livro menciona que um ex-macumbeiro deve se libertar da influência dos espíritos para ter sucesso na vida espiritual, sugerindo a eliminação de objetos que possam atrair essas influências.
- É recomendado descartar recordações do passado, como roupas e fotografias, para evitar qualquer ligação com atividades anteriores relacionadas ao ocultismo.
Oração do Pastor Djalma Torres
- O pastor Djalma Torres, em 2022, publicou uma oração que enfatiza a adoração a Deus sob diferentes nomes e ritos, promovendo a união pelo bem comum.
- A oração destaca a importância da liberdade religiosa e o respeito entre diversas manifestações religiosas, mesmo diante da intolerância.
Disputas Internas no Movimento Evangélico
- O pastor José Barbosa criou um movimento que busca curar a homofobia através de Jesus, evidenciando tensões dentro do evangelicalismo sobre questões sociais.
- Em fevereiro de 2016, o pastor Marco David Oliveira foi agredido verbalmente por defender o combate ao racismo e à intolerância religiosa durante uma reunião de pastores.
Visibilidade das Disputas Religiosas
- As disputas internas entre evangélicos são visíveis quando pastores se opõem publicamente sobre representações do cristianismo na política.
- Apesar das vozes progressistas dentro do movimento evangélico, discursos intolerantes tendem a ser mais amplamente divulgados devido ao controle midiático por algumas igrejas.
Estado Laico e Religião no Brasil
- A fragmentação social é refletida nas práticas religiosas afro-brasileiras e nas sessões realizadas por igrejas neopentecostais como a Igreja Universal.
- O ensino religioso nas escolas brasileiras historicamente favoreceu o catolicismo em detrimento de outras crenças, questionando assim a efetividade do estado laico no país.
- A presença constante da expressão "Deus seja louvado" nas cédulas monetárias evidencia uma falta de separação entre religião e estado no Brasil.
Crescimento da Cristocracia
Impacto da Intolerância Religiosa e Racismo no Brasil
Contexto Atual das Práticas Religiosas
- Apesar da vitória de Lula, o discurso intolerante persiste no Brasil, com leis e decretos que afetam negativamente as práticas religiosas.
- Um exemplo recente é o alvará emitido pela prefeitura de Caratinga, que impõe restrições severas a cultos afro-brasileiros, como a proibição do consumo de álcool e a presença de menores.
Legislação e Reconhecimento Cultural
- A sanção da lei 14.519/2013 por Lula institui o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matriz Africana, evidenciando um contraste entre reconhecimento cultural e práticas discriminatórias.
- Após repercussão negativa, a prefeitura alterou o alvará, mostrando que a luta contra injustiças sociais é fundamental para uma sociedade mais justa.
Educação e Representação Histórica
- É crucial que professores do Ensino Fundamental e Médio revisem os conteúdos didáticos que perpetuam imagens estereotipadas dos negros na história.
- O Brasil deve reconhecer não apenas a contribuição dos negros como escravizados, mas também sua importância intelectual em diversas áreas.
Inclusão nas Universidades
- A inclusão de temas africanos nas universidades ainda é recente; é necessário trazer vozes das religiões afro-brasileiras para dentro do ambiente acadêmico.
- Promover discussões sobre liturgias afro-brasileiras nas universidades pode ajudar na desconstrução de preconceitos.
Desafios na Implementação Educacional
- Dados recentes mostram que 71% das secretarias municipais não implementaram ações para ensinar sobre cultura afro-brasileira nas escolas.
A Importância da Educação e Cultura na Luta por Igualdade
Papel da Escola e Ações Afirmativas
- O orador acredita que a escola é fundamental para promover mudanças sociais, destacando que 71% das secretarias não implementam ações afirmativas para negros e indígenas nas escolas.
- É necessário exigir que todas as escolas, públicas e privadas, implementem essas ações. A cultura também desempenha um papel crucial nesse processo.
Contribuições Históricas da Cultura
- O ministro Gilberto Gil é mencionado como um dos melhores ministros da cultura do Brasil, responsável pela implementação de várias leis de ações afirmativas.
- Reconhecimento de terreiros como patrimônios culturais e materiais foi uma conquista importante, mas muitas políticas afirmativas acabaram desaparecendo ao longo do tempo.
Esperança em Políticas Culturais
- O orador expressa esperança no retorno das políticas afirmativas tanto para negros quanto para indígenas, enfatizando a necessidade de mais produções visuais sobre a questão racial.
- Ele se identifica como militante nas áreas de educação e cultura, acreditando que avanços são possíveis apesar dos dados alarmantes atuais.
Indignação e Ativismo
- É essencial sair da zona de conforto e se indignar com o racismo no Brasil. O orador convoca todos a lutarem contra diversas formas de discriminação.
- Ele menciona sua disposição em lutar contra homofobia, racismo, xenofobia, misoginia e outras intolerâncias sociais.
Reflexões Finais sobre Tolerância
- O discurso termina com um apelo à coragem para enfrentar as injustiças sociais. Ele pede por caminhos em direção à tolerância e amor.
- Agradecimentos são feitos ao interlocutor pela conversa provocadora que instiga reflexões importantes sobre os temas discutidos.
Discussão Sobre Cristianismo e Escravidão
Questões sobre o Papel do Cristianismo
- Um participante questiona como o cristianismo contribuiu para a escravidão, mencionando figuras históricas como John Wesley que pregavam contra essa prática nos EUA.
Resposta às Críticas
Interpretações do Cristianismo e suas Implicações Históricas
A Diversidade de Interpretações do Cristianismo
- O cristianismo é interpretado de maneiras distintas, como exemplificado nas visões opostas entre o Papa Francisco e o ex-presidente Jair Bolsonaro, revelando a complexidade da fé.
- Ao longo da história, cada grupo tem reinterpretado o cristianismo conforme seus interesses, refletindo uma diversidade de entendimentos que não se limita ao texto original da Bíblia.
O Papel da Igreja na Escravização
- A igreja católica teve um papel conivente no processo de escravização dos negros no Brasil, sendo proprietária de escravos e utilizando discursos religiosos para justificar essa prática.
- Colonizadores do século 16 reinterpretaram passagens bíblicas para legitimar a escravidão, distorcendo os ensinamentos originais em benefício próprio.
Interpretação Religiosa e Violência
- A violência em nome da religião não é exclusiva a um único texto sagrado; interpretações errôneas podem levar a ações extremas que não estão fundamentadas nos ensinamentos originais das religiões.
- As práticas religiosas são frequentemente reinterpretadas para justificar ações contemporâneas, como foi feito pelos colonizadores ao usar discursos cristãos para validar a escravidão.
Conflitos Culturais e Percepção do Sagrado
- Missionários europeus viam as práticas africanas como aberrantes devido à sua falta de compreensão cultural, levando à demonização de figuras sagradas africanas como Exu.
- Essa reinterpretação cultural resultou em uma visão distorcida das tradições afro-brasileiras, onde elementos sagrados foram erroneamente associados ao demônio.
Desafios na Compreensão Histórica
- A construção cultural dos missionários limitava sua capacidade de entender as tradições africanas; isso gerou uma série de mal-entendidos sobre as crenças locais.
- A percepção equivocada dos europeus sobre etnias africanas levou à categorização errônea dessas culturas como "cristãs", ignorando significados profundos que eram diferentes dos conceitos ocidentais.
Encerramento e Continuidade do Debate
- Devido a problemas técnicos durante a aula, houve uma interrupção na conexão com o professor Lourival; será feita uma edição para unificar o conteúdo apresentado.