TEORIA DA HISTÓRIA 01

TEORIA DA HISTÓRIA 01

Introdução

Visão geral da seção: O professor de história da Universidade Federal da Bahia apresenta o curso de teoria da história e começa a primeira aula do semestre.

Apresentação do Curso

Visão geral da seção: O professor explica que há um vídeo de apresentação da ementa do curso, onde ele explica o propósito do componente e os critérios usados para montar o programa. Ele também menciona que todo o material do curso está disponível em um link no Dropbox.

Tópico 1: Condição Epistemológica Contemporânea

Visão geral da seção: O objetivo deste curso é estudar as principais tendências teóricas e políticas na historiografia contemporânea. A contemporaneidade historiográfica é definida como o período entre o final dos anos 1970 e os dias atuais, caracterizado pela crise dos modelos estruturalistas e a reabilitação da racionalidade estruturalista através das teorias críticas.

Autor Incontornável: Jean-François Lyotard

Visão geral da seção: O autor francês Jean-François Lyotard é considerado incontornável para entender a condição epistemológica contemporânea. Seu livro "A Condição Pós-Moderna" é uma referência importante para compreender a pós-modernidade.

Fichamento do Texto

Visão geral da seção: O professor convida os alunos a acompanharem seu PowerPoint com um fichamento dos trechos mais importantes do texto de Lyotard. Ele enfatiza que a aula possui um argumento que parte dos autores, mas não se esgota neles.

Premissa Teórica de Lyotard

Visão geral da seção: O autor Jean-François Lyotard parte da premissa teórica proposta por Ludwig Wittgenstein sobre os jogos linguísticos para afirmar que ao longo da história ocidental, o conhecimento racional sempre acionou procedimentos linguísticos ou jogos de linguagem.

Conclusão

Visão geral da seção: O professor finaliza a aula sistematizando em dois parágrafos o argumento da aula toda. Ele enfatiza que o objetivo é entender os dispositivos contemporâneos de produção de conhecimento para compreender os desdobramentos desses dispositivos na ciência histórica.

Mecanismos discursivos e retóricos para a legitimação do conhecimento

Visão geral da seção: O autor apresenta um panorama histórico dos dispositivos linguísticos de legitimação dos saberes no mundo ocidental, desde Platão até a Idade Média.

Legitimação do conhecimento na Grécia clássica

  • O conhecimento racional Logos filosófico encontrava legitimação por meio de recursos retóricos e linguísticos externos.
  • A função do conhecimento racional era viabilizar a vida harmônica em comunidade, ou seja, o bom convívio em comunidade.
  • Aristóteles propôs o conceito de fronesis como um tipo de repertório indispensável para a boa vida política.

Legitimação do conhecimento na Idade Média

  • O conhecimento humano possível era legitimado pela tentativa de compreensão da Vontade Divina.
  • Todo o conhecimento humano é lacunar e impossível ao humano conhecer idealmente. A cognição humana é possível apenas nas brechas permitidas por Deus.
  • A legitimidade do conhecimento como ato concreto se dá por jogos de linguagem teológicos que disputam e constroem legitimidade.

Função da linguagem na construção da legitimidade do conhecimento

  • Não existe possibilidade de dissociar o conhecimento racional da linguagem. Todo conhecimento precisa da linguagem para se manifestar, comunicar e se legitimar.
  • A função da linguagem é construir legitimidade por meio de jogos linguísticos que envolvem uma relação muitas vezes conflituosa entre lances e contra-lances.
  • Na modernidade, a função da linguagem na construção da legitimidade do conhecimento está muito próxima da tradição retórica.

A morte de Deus e a legitimação do conhecimento na pós-modernidade

Visão geral da seção: Nesta seção, o professor discute como a modernidade substituiu Deus pela ciência como fonte de poder e organização da vida coletiva. Ele também explora como a ideia de progresso e perfeição humana construída pela razão é a grande profissão de fé da modernidade.

Substituição de Deus pela ciência

  • A modernidade substituiu Deus pela ciência como fonte de poder e organização da vida coletiva.
  • A ideia de progresso e perfeição humana construída pela razão é a grande profissão de fé da modernidade.

Colapso das metanarrativas

  • O século 20 esgotou a promessa do progresso, criando um ambiente de desencantamento com a promessa científica e racional.
  • Com o colapso das metanarrativas modernas, surgiram novos jogos linguísticos baseados nas ideias de informação e performance para legitimar o saber.
  • Na pós-modernidade, os saberes são legitimados por jogos linguísticos baseados nas ideias de informação e performance em linguagem de máquina.

Legitimação do conhecimento na pós-modernidade

  • Na pós-modernidade, o processo de construção do conhecimento é legitimado em função da sua capacidade em produzir informações úteis para melhorar a performance tecnológica, informatizada e mercadológica.
  • Os saberes são legitimados por jogos linguísticos baseados nas ideias de informação e performance em linguagem de máquina.

Impacto na ciência social

  • O colapso das metanarrativas modernas impacta a perda de credibilidade epistêmica dos paradigmas estruturalistas que tendiam a ver as sociedades humanas como estruturas funcionais.

Estruturalismo e a sociedade como uma estrutura

Visão geral da seção: Nesta seção, o palestrante discute a visão do estruturalismo sobre a sociedade como uma estrutura cujas partes funcionam sincronicamente.

A perspectiva estruturalista

  • Diversas áreas de estudo, incluindo linguística, astrografia e antropologia, tendem a ver a sociedade como uma estrutura.
  • A perspectiva estruturalista considera os comportamentos individuais como epifenômenos de estruturas coletivas.
  • A prioridade epistêmica da temporalidade está na estrutura que funciona como uma estrutura macrossocial capaz de estruturar comportamentos.
  • O modelo científico em ciências sociais tende a apreender o funcionamento sincrônico das partes da sociedade.

O fato social

  • O fato social é coercitivo, coletivo e externo aos sujeitos em suas subjetividades e particularidades.
  • Os sujeitos possuem capacidade limitada de agência sobre essas estruturas.

Modelos científicos em ciências sociais

  • Vários autores contribuíram para modelos científicos em ciências sociais, incluindo Marx, Engels, Durkheim e Le Play.

Reorientação dos valores epistêmicos

Visão geral da seção: Nesta seção, o palestrante discute a reorientação dos valores epistêmicos na historiografia após a derrocada dos valores modernistas.

Colapso dos valores modernistas

  • O século 20 desmentiu a utopia dos séculos 18 e 19 que prometiam progresso pela ciência.
  • A tragédia e a catástrofe pela ciência tornaram-se temas de muitos livros, romances e filmes.

Perda de legitimidade epistêmica da racionalidade estruturalista

  • A resposta das correntes historiográficas à perda de legitimidade epistêmica da racionalidade estruturalista é o objeto do curso.
  • Diversas respostas possíveis incluem um certo relativismo epistêmico, empoderamento do corpo como potência semântica, micro-história, nova história cultural e nova história política.

Reabilitação da racionalidade estruturalista

  • O argumento do palestrante é que uma reabilitação da racionalidade estruturalista pode ser alcançada através das teorias críticas à modernidade.

Bibliografia Obrigatória e Complementar

Visão Geral da Seção: Nesta seção, o professor apresenta a bibliografia obrigatória e complementar para a disciplina, destacando a importância do livro de Françoise e fazendo referência à história do estruturalismo de França.

Livro de Françoise

  • O livro de Françoise é a bibliografia obrigatória da disciplina.
  • Os alunos devem prestar atenção às teses e hipóteses apresentadas pelo autor nas páginas 16 e 17.
  • O colapso da racionalidade estruturalista em meio à derrocada da racionalidade modernista é um dos temas abordados no livro.

História do Estruturalismo de França

  • A história do estruturalismo de França é uma bibliografia complementar recomendada pelo professor.
  • O autor explica como ocorre o colapso da racionalidade estruturalista em meio à derrocada da racionalidade modernista.
  • A categoria "jogos de linguagem", trazida da filosofia da linguagem de Ludwig Vitrine, é explicada por França na obra.

Jogos Linguísticos: Legitimação dos Saberes

Visão Geral da Seção: Nesta seção, o professor discute a categoria "jogos linguísticos" e sua relação com a legitimação dos saberes na contemporaneidade.

Jogos Linguísticos

  • A categoria "jogos linguísticos" tem uma dimensão fundamental na legitimação dos saberes na contemporaneidade.
  • Cada categoria de enunciados deve ser determinada por regras que especificam suas propriedades e o uso delas, assim como em um jogo de xadrez.
  • Não há jogo sem regras, que podem ser claras, explícitas, codificadas ou implícitas.

Legitimação dos Saberes

  • A linguagem em jogo funciona na legitimação dos saberes e demanda participantes disputando entre si em agonia e conflitos de lances.
  • O cientista precisa do contraditório na construção linguística retórica de sua legitimidade.
  • É necessário um debate contraditório para a verificação do enunciado do cientista.

Construção Linguística Retórica da Legitimidade Científica

Visão Geral da Seção: Nesta seção, o professor discute a construção linguística retórica da legitimidade científica e a importância do contraditório nesse processo.

Construção Linguística Retórica da Legitimidade Científica

  • O cientista precisa construir uma linguagem retórica para legitimar seu conhecimento científico.
  • É necessário um destinatário que possa ser um parceiro no debate contraditório para verificar o enunciado do cientista.
  • Ninguém joga sozinho: não há jogo de um só jogador.

O Jogo da Ciência

Visão geral da seção: Nesta seção, o palestrante discute a dinâmica do jogo científico e como a competência do enunciador e a verdade do enunciado são submetidas ao sentimento da coletividade de iguais incompetência.

A dinâmica do jogo científico

  • O jogo é dinâmico, não há perdedores ou vencedores essenciais.
  • É fundamental zelar pela continuidade do jogo, pois sem ele não há sentido nem vencedor.
  • A competência linguística do enunciador e a verdade do enunciado são submetidos ao sentimento da coletividade de iguais incompetência.
  • Para que um determinado enunciado seja considerado verdadeiro, não basta seu conteúdo intrínseco de verdade. É fundamental também a habilidade do enunciador.

A ciência disciplinar moderna

  • A ciência disciplinar moderna é organizada em territórios disciplinares dentro dos quais os iguais competem entre si.
  • Para que um determinado enunciado seja considerado verdadeiro, é preciso formar iguais. Essa é a dinâmica do conhecimento científico moderno.
  • O modelo da Universidade rumo ao colapso para o bem e para o mal ainda está vigente hoje.

A implosão da autoridade intrínseca do conhecimento especializado

  • Hoje em dia, a troca de argumentos e administração das provas que foram a pragmática da pesquisa são considerados como tendo sido suficiente e podem ser transmitidos de saída a título de verdades indiscutíveis ao ensino.
  • A autoridade do expert especialista acadêmico hoje é contra-atacada e questionada vindo da esquerda e da direita.

A Clivagem Metodológica do Discurso sobre a Sociedade

Visão Geral da Seção: Nesta seção, o palestrante discute a clivagem metodológica que determina duas grandes espécies de discurso sobre a sociedade e como essa cognição moderna colapsa na pós-modernidade.

A Cognição Moderna

  • A cognição moderna é caracterizada por leituras totalizantes e estruturantes da dinâmica social.
  • A ideia de que a sociedade forma um todo orgânico é fornecida pela cibernética, que multiplica as aplicações durante e ao final da Segunda Guerra Mundial.
  • O modelo teórico e material não é mais organismo vivo, mas sim um sistema auto-regulável.
  • O padrão cognitivo herdado de uma racionalidade Modernista Iluminista tende a ver a sociedade como um todo estruturado estruturante cuja dinâmica pode ser aprendida pela racionalidade científica.

Colapso na Pós-modernidade

  • Na pós-modernidade ou contemporaneidade epistemológica, essa cognição colapsa.
  • O autor apresenta seu argumento para o colapso dessa crença na página 58.

Problemática da Legitimação Linguística da Ciência Moderna

Visão Geral da Seção: Nesta seção, o palestrante discute as novas componentes que aparecem na problemática da legitimação linguística da ciência moderna.

Novas Componentes

  • Para responder à questão de como provar a prova ou quem decide sobre o que é verdadeiro, reconhece-se que as condições do verdadeiro são imanentes ao jogo da ciência.
  • As regras que definem verdades científicas e medidas científicas fazem parte de um jogo de uma agonística de uma disputa.
  • Não existe outra prova de que as regras sejam boas senão o fato de elas formarem o consenso dos expert.

A Nova Legitimação para Esse Conhecimento

Visão Geral da Seção: Nesta seção, o palestrante discute a nova legitimação para esse conhecimento e como a natureza do saber não permanece intacta.

Natureza do Saber

  • Na transformação, a natureza do saber pode submeter-se aos novos canais e manter-se operacional.
  • O progresso não representa outra coisa senão o movimento pelo qual supõe-se que o saber se acumula.
  • É impossível prever tudo que não é traduzível em dados em bit em linguagem de máquina será abandonado.

O Conceito de Bildung e a Formação Humana

Visão geral da seção: Nesta seção, o professor discute o conceito de Bildung e sua importância na formação humana. Ele também fala sobre como esse conceito está em desuso atualmente.

A história do conceito de Bildung

  • O termo "Bildung" é um conceito alemão que marca a formação das humanidades e dos estudos universitários na Alemanha do século XIX.
  • É necessário estudar as humanidades para alcançar uma formação humana completa.
  • Atualmente, todo conhecimento é definido em função de sua legitimidade em fornecer informações para os tomadores de decisão corporativos.

A Lógica Linguística da Legitimação do Conhecimento

Visão geral da seção: Nesta seção, o professor discute como a legitimação do conhecimento está ligada à política e à linguagem utilizada para expressá-lo ao longo da história.

Jogos de linguagem na história do conhecimento

  • A legitimação do conhecimento sempre esteve ligada aos valores políticos da época.
  • Na antiguidade clássica, a legitimação era baseada nos valores políticos da vida em comunidade.
  • Na Idade Média, era garantida pela promessa do domínio do conhecimento autorizado por Deus.
  • Na modernidade cartesiana iluminista, era garantida pela afirmação da viabilidade do conhecimento metodologicamente balizado por expert e comprometido com o progresso.
  • Atualmente, a legitimação é garantida pela capacidade em oferecer informações para os tomadores de decisão corporativos.

A Contemporaneidade Epistemológica e o Colapso das Abordagens Estruturalistas

Visão geral da seção: Nesta seção, o professor discute como a contemporaneidade epistemológica rejeitou os paradigmas totalizantes inventados pela modernidade e como isso afetou as Ciências Sociais e a historiografia em particular.

O colapso das abordagens estruturalistas

  • A contemporaneidade epistemológica rejeitou todos os paradigmas totalizantes inventados pela modernidade.
  • Isso levou ao colapso das abordagens estruturalistas na historiografia contemporânea.
  • As Ciências Sociais redimensionaram suas emoções das totalidades estruturais aos estudos de caso, do cientificismo ao ceticismo da ciência, dos grandes projetos coletivos aos lugares de fala cada vez mais particularizados.

Material do Curso

Visão Geral da Seção: Nesta seção, o professor informa que todo o material do curso está disponível na descrição do vídeo e em um link no Dropbox.

  • O material do curso está disponível na descrição do vídeo.
  • Um link para o Dropbox com todo o material também está disponível.