Do Joanes ao Pojuca: narrando a história de Camaçari

Do Joanes ao Pojuca: narrando a história de Camaçari

História do Rio Joanes e Camaçari

Introdução ao Rio Joanes

  • O projeto de Joanes Alpjuca apresenta a história do rio Joanes, também conhecido como Caraçuip, que significa "rio sagrado dos Carais" para os povos originários.
  • O rio nasce em São Francisco do Conde e corta diversos municípios no Recôncavo Norte da Bahia, sendo responsável por mais de 40% do abastecimento de água potável de Salvador e região metropolitana.

Reflexões sobre Identidade e História

  • O narrador expressa sua sensação de ser tratado como mercadoria devido à exploração econômica, refletindo sobre a segregação social em um contexto racial complexo.
  • Apesar de seu amor pela história da Bahia, o narrador inicialmente não tinha a intenção de se tornar historiador; ele sonhava em ser músico desde jovem.

Descoberta Pessoal e Pesquisa Histórica

  • Após sofrer discriminação racial no trabalho, o narrador começou uma busca autônoma por suas origens étnicas e pela história dos seus ancestrais.
  • Ele descobriu que seu ancestral direto, Nicolau José Copk, era proprietário da segunda prensa de algodão da Bahia. Essa descoberta despertou seu interesse pela história local.

A Evolução do Território

  • A pesquisa levou o narrador a questionar como era Camaçari quando ainda era conhecida como vila da Nova Brantes do Espírito Santo. Isso gerou um desejo profundo de entender a evolução desse território até se tornar município.
  • Influenciado pelo historiador Urano Andrade e pela historiadora portuguesa Maria de Deus Bentes Manso, o narrador decidiu seguir carreira na história após receber incentivo dela.

Relação com a Invasão Portuguesa

  • A história de Camaçari está diretamente ligada ao que é erroneamente chamado de "descobrimento" do Brasil; na verdade, foi uma invasão das terras indígenas conhecidas como Pindorama.
  • Os povos indígenas já habitavam essas terras há milênios antes da chegada dos europeus, possuindo suas culturas e idiomas próprios. Portanto, não houve descobrimento mas sim uma expropriação violenta dessas terras.

Aldeamentos Indígenas e Colonização

  • Durante o período colonial, foram fundados aldeamentos indígenas ao redor da cidade do Salvador; o primeiro foi Monte Calvário em Santo Antônio Além do Carmo. Esses aldeamentos eram diferentes das aldeias autônomas onde os indígenas viviam livremente.
  • Os aldeamentos visavam aculturar os povos indígenas à fé católica cristã e transformá-los em soldados para defender as novas colônias portuguesas durante a invasão europeia.

Impacto Holandês na Bahia

  • Em 1624, a invasão holandesa representou um momento crítico para a capitania da Bahia; as autoridades políticas se refugiaram no aldeamento do Espírito Santo após essa invasão significativa na região.

História da Resistência Indígena e Formação de Camaçari

A Expulsão dos Holandeses e a Participação Indígena

  • Salvador foi tomada pelos holandeses, mas a expulsão em 1625 contou com a participação ativa dos indígenas dos aldeamentos da região.
  • Os aldeados do Espírito Santo, Santo Antônio de Rembé (atual Arembep), Barra do Jacuípe e Monte Gordo foram fundamentais nesse processo.

Fundação do Aldeamento do Espírito Santo

  • O aldeamento do Espírito Santo foi fundado em 1558, coincidente com a construção da igreja e o colégio dos jesuítas.
  • Camaçari se destaca por ter um dos primeiros colégios jesuítas no Brasil.

Demarcação de Terras Indígenas

  • Em 7 de setembro de 1562, ocorreu a primeira demarcação de terras indígenas no Brasil, onde os portugueses expropriaram terras das comunidades indígenas.
  • A localidade que hoje é Camaçari já existia antes da fundação do aldeamento, sendo nomeada pelos povos indígenas.

Mudanças na Política Indigenista Portuguesa

  • Após 200 anos de colonização, Dom José I alterou a política em relação aos povos originários para transformá-los em súditos da coroa portuguesa.
  • O alvará régio expedido em 28 de setembro de 1758 marcou a emancipação política do município de Camaçari.

Elevação à Vila e Protagonismo Indígena

  • O antigo aldeamento foi elevado ao status de vila (Nova Abrantes), mantendo referências ao seu passado indígena.
  • As primeiras autoridades indígenas foram eleitas entre os membros da comunidade após essa elevação.

Contribuição na Independência do Brasil

  • No início do século XIX, a Vila da Nova Brantes teve papel importante na independência brasileira; Joaquim Eusébio de Santana destacou-se como capitão mor das tropas indígenas.
  • Cipriano Barata mencionou Joaquim Eusébio como uma figura exemplar que lutou pela independência na Bahia.

A História de Joaquim Eusébio e a Participação Indígena na Independência

O Legado de Joaquim Eusébio

  • O líder indígena Joaquim Eusébio de Santana é mencionado no livro "Paraguaçu, Epopeia da Guerra", escrito por Ladislau Titara, que também foi combatente voluntário.
  • Um requerimento feito por Joaquim solicitava o pagamento das tropas da primeira tropa de Abrandes, que não estava sendo repassado pela Câmara de Abrantes.
  • Em um ato de autonomia, Joaquim fez um pedido à junta provisória governativa para intervir junto à Câmara e liberar os pagamentos pendentes.
  • Apesar da falta de imagens do capitão Mor, uma escultura o retrata sem rosto, simbolizando a invisibilidade histórica dos indígenas.
  • Historiadores como Diego enfatizam a importância de resgatar a história indígena para reparar injustiças históricas e promover o protagonismo do povo.

Reconhecimento da Participação Indígena

  • Marcos, um indígena Tupinambá, destaca que a participação indígena na história do 2 de julho foi significativa, mas frequentemente esquecida.
  • Ele menciona que agora há pelo menos um nome reconhecido: Joaquim Eusébio. Espera-se que outros nomes surjam para valorizar ainda mais a contribuição indígena ao Brasil.

Contexto Histórico das Ferrovias no Brasil

  • O Barão de Mauá iniciou em 1854 a construção das ferrovias no Brasil; até 1957 foram construídos 39.000 km.
  • A industrialização sob Jânio Quadros levou à decadência do investimento nas ferrovias em favor das estradas rodoviárias.

Construção da Ferrovia Baiana

  • Em 1852, a Junta da Lavoura da Bahia concedeu privilégios para construção ferroviária a um ente particular que vendeu aos ingleses.
  • Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto foi responsável pela venda dessa concessão e recebeu 17.000 libras esterlinas.

Desmistificando Mitos Históricos

  • É importante esclarecer que o desembargador Montenegro não teve participação na construção da ferrovia baiana; ele estava estudando em Recife durante esse período.

Reflexões Finais sobre Reparação Histórica

  • O historiador expressa sua esperança de que suas pesquisas inspirem outros e ressalta sua conquista na reparação histórica relacionada ao 2 de julho.

Minha poesia é maior que o Sara

Reflexões sobre a Poesia e a Vida

  • A poesia é apresentada como uma força poderosa, capaz de transcender dificuldades e desafios, simbolizada pela frase "Minha poesia é maior que o Sara".
  • O ato de cantar é descrito como um meio de resistência às adversidades, representadas pelas "agras do deserto", sugerindo uma luta contínua.
  • Há uma consciência do "elo quebrado", indicando uma percepção das falhas ou desconexões na vida ou na sociedade.
  • A imagem da "bandeira da vida" sugere um chamado à ação e à esperança, enfatizando a importância de valorizar o que resta do passado.
  • A música serve como um pano de fundo para essas reflexões poéticas, criando um ambiente emocional que complementa as mensagens transmitidas.
Video description

O documentário Do Joanes ao Pojuca, narrando a história de Camaçari, trata de uma produção audiovisual com abordagem didática e acessível ao público em geral que traz um pouco da trajetória do professor Diego Copque de como ele se tornou historiador e pesquisador após ter sofrido uma discriminação racial no ano 2000. Mas o eixo central do audiovisual é a história de Camaçari desde sua fundação, que é marcada pela criação do Aldeamento do Espírito Santo às margens do Rio Carassuipe popularmente conhecido como Rio Joanes. O documentário tem como principal objetivo fortalecer o resgate da identidade histórica e geográfica do Recôncavo Norte da Bahia e, sobretudo, fortalecer o sentimento de pertencimento, a história local e a cultura do município de Camaçari como um dos pilares para a promoção de uma educação antirracista centrada em sua própria história para valorização da diversidade elevando o moral dos alunos e sua autoconfiança. Por meio dessa iniciativa busca-se contribuir para a formação de uma identidade histórica, geográfica, étnica e cultural consciente especialmente entre os estudantes da Rede Pública e Privada de Ensino de Camaçari.